França: Embaixador dos EUA em Paris é convocado para explicar denúncias de espionagem

Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e François Hollande foram espionados pela NSA, revela WikiLeaks. (DSK / AFP)
Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e François Hollande foram espionados pela NSA, revela WikiLeaks. (DSK / AFP)
Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e François Hollande foram espionados pela NSA, revela WikiLeaks.
(DSK / AFP)

A França convocou nesta manhã de quarta-feira (24) a embaixadora americana em Paris para dar explicações sobre a revelação de que os Estados Unidos espionaram três presidentes franceses de 2006 a 2012. A denúncia, feita pelo site WikiLeaks e publicada pelo jornal Libération e o site Mediapart, sacode as relações entre os dois países.

Nesta manhã, o presidente da França, François Hollande, comandou uma reunião de emergência com o Conselho de Defesa francês sobre o assunto. Em um comunicado divulgado ao final do encontro, o palácio do Eliseu qualificou como “inaceitáveis” as escutas telefônicas realizadas pela Agência de Segurança Nacional (NSA) americana aos presidentes Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e o próprio Hollande, na época recém empossado no cargo. A espionagem também atingiu os aliados mais próximos dos três líderes franceses.

“São fatos inaceitáveis que resultaram em um compromisso entre os Estados Unidos e a França, no fim de 2013, quando ocorreram as primeiras revelações, e em Fevereiro de 2014, durante a visita de Estado do presidente da República dos Estados Unidos a Paris”, diz o texto. Paris ressalta que “não vai tolerar” nenhuma acção que “coloque em risco a segurança do país”.

Repercussão

A classe política francesa condena de maneira unânime a deslealdade dos Estados Unidos com o país aliado, fala em ruptura de confiança e exige uma resposta. O comunicado da Casa Branca, divulgado ontem à noite após as revelações, afirmando que não espiona nem espionará Hollande – com o verbo no presente e no futuro – só piorou o clima.

As reacções vieram tanto do Partido Socialista quanto dos Republicanos, partido de Sarkozy e Chirac. Sarkozy disse que os métodos da NSA são “inaceitáveis em qualquer situação”, e que se tornam ainda mais graves quando são empregados entre aliados, caso dos Estados Unidos e da França.

Claude Guéant, antigo secretário-geral do Palácio do Eliseu no governo Sarkozy, cujo número de telefone celular consta em uma das listas da NSA, chamou o episódio de “inadmissível”. Outro ex-ministro de Sarkozy, Pierre Lelouche disse que é preciso uma reacção francesa e que o próprio presidente Barack Obama deveria dar alguma explicação.

Já Frédéric Péchenard, director dos Republicanos, disse não estar surpreso. Segundo ele, a NSA tem meios de espionar o mundo todo e o episódio apenas prova que a França precisa melhorar a segurança de suas comunicações.

Do lado do Partido Socialista, o deputado Jean-Jaques Urvoas, foi mais duro, dizendo: “mais uma vez descobrimos que os Estados Unidos não têm aliados, eles têm apenas alvos ou vassalos”.

Washington não fala sobre o passado

A Casa Branca, através do porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Ned Parker, apenas negou que esteja espionando ou que espionará no futuro o actual presidente François Hollande. Sobre o passado, a resposta é vaga. Diz o comunicado: “Como já informamos antes, não fazemos operações de vigilância fora dos Estados Unidos excepto em casos em que exista um objectivo de segurança nacional específico e válido. E isso vale tanto para dirigentes quanto cidadãos”. O comunicado termina dizendo que a França é um parceiro indispensável para os Estados Unidos.

A publicação, pela primeira vez, de provas concretas da espionagem americana na França acontece no dia em que o Parlamento francês adopta definitivamente a polémica lei sobre as actividades do serviço secreto francês. O texto, inspirado nas práticas da NSA, regulamenta escutas e a instalação de equipamentos de espionagem em computadores de suspeitos de actividade terrorista, amigos e familiares, o que foi contestado por entidades de defesa dos direitos civis. (rfi.fr)

 

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