França abre a porta: “Não será um drama ver a Grécia sair do euro”

Michel Sapin e Wolfgang Schäuble: eixo franco-alemão cada vez mais contra Atenas (Foto:

Michel Sapin, ministro francês das Finanças, considera que o Grexit não terá consequências sérias do ponto de vista económico e financeiro.

Michel Sapin e Wolfgang Schäuble: eixo franco-alemão cada vez mais contra Atenas (Foto: Francois Lenoir/Reuters)
Michel Sapin e Wolfgang Schäuble: eixo franco-alemão cada vez mais contra Atenas (Foto: Francois Lenoir/Reuters)

O caminho começa a ser limpo das pedras e uma decisão sobre o futuro da Grécia na zona euro começa dia após dia a ser mais claro. As reuniões sucedem-se e os mal-entendidos aumentam jantar após jantar. A boa relação entre Juncker e Tsipras estragou-se ao fim de dois encontros nocturnos, com o presidente da Comissão Europeia a acusar o primeiro-ministro grego de não falar verdade sobre as propostas avançadas por Bruxelas para a resolução do impasse negocial com a Grécia. Varoufakis, que voltou aos holofotes depois de um curto período de recato, classifica de quase insulto o documento avançado pelo eixo franco-alemão e a Comissão Europeia.

Com as posições cada vez mais extremadas, surge a influente voz de Paris a atirar mais umas achas para a fogueira helénica. Para o ministro das Finanças francês, Michel Sapin, a saída da Grécia do euro não terá grandes consequências para a zona euro. Entrevistado pela rádio francesa RTL, o responsável sublinhou ontem que espera um acordo em tempo útil, mas não pareceu preocupado se as negociações não trouxerem um acordo. “Não será um drama para nós ver a Grécia sair do euro. Não terá consequências sérias do ponto de vista económico e financeiro.

” No entanto, o responsável admite que afectará, e muito, o projecto europeu, já que o objectivo é alargar a União e não encolhê–la. É neste ambiente de incerteza que o ministro das Finanças grego passou também ontem por Berlim para participar numa conferência promovida pela confederação dos sindicatos. Aproveitou a viagem e teve uma breve reunião com o seu homólogo alemão, Wolfgang Schäuble – um encontro discreto, sem direito a declarações à imprensa, que decorreu, segundo Varoufakis, num tom cordial.

Pouco tempo no G7 Amanhã, nos intervalos da cimeira da União Europeia com a América Latina, será a vez de Alexis Tsipras se encontrar mais uma vez com François Hollande e Angela Merkel, que ontem considerou que “não há muito tempo” para a Grécia chegar a acordo com os credores, em declarações no final da cimeira do G7 na Baviera. “Não temos muito tempo e é preciso trabalhar bastante”, disse Merkel em conferência de imprensa. “Agora cada dia conta para se fazer o que é preciso fazer”, acrescentou.

O dossiê grego foi “um tema entre outros” nos debates dos chefes de Estado e de governo, disse Merkel, adiantando que “não ocupou muito espaço”. “Todos os que estavam à mesa querem que a Grécia fique na zona euro”, afirmou a chanceler, mas a “solidariedade dos europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI) exige que a Grécia adopte medidas e faça propostas.”

Entretanto continuam a chegar vozes de Atenas ligadas ao Syriza, no poder. São porta-vozes ou ministros que insistem sempre em duas teclas: a Grécia não quer o prolongamento do segundo resgate, que termina no final do mês, e muito menos um terceiro resgate. Mistérios num caminho cada vez mais estreito. (ionline.pt)

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