Fornecedores com “receio” de vender produtos a empresas angolanas

(Foto: D.R.)
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Ministro da Economia português visitou nesta semana várias empresas de origem lusa. A queixa mais comum dos empresários foi igual em todas: a falta de divisas afecta a actividade, e a crise está a reduzir o consumo.

Alguns fornecedores começam a sentir “receio” de vender mercadorias a Angola, por causa das dificuldades que depois enfrentam nos recebimentos, causadas pela diminuição de divisas no País, alerta o presidente do conselho de administração da Martifer.

Em declarações ao Expansão, à margem de uma visita do ministro da Economia português à fábrica da empresa, no Zango, em Viana, Luanda, Mário Rui Couto disse que a Martifer Angola não consegue importar matéria-prima, por causa dos “receios dos fornecedores”.

“A matéria-prima tem de ser importada para Angola, aqui ainda não há siderurgia. Com esta quebra [de pagamentos] os vendedores começam a sentir dificuldades em receber o dinheiro da matéria-prima”, explicou, garantindo que a sua empresa está a fazer tudo para que esta dificuldade não afecte significativamente a actividade.

“Temos encontrado soluções com ajuda das autoridades locais. Acredito que esta é apenas uma fase, e temos de ser capazes de ultrapassar, mas precisamos da colaboração dos fornecedores”, explicou o gestor.

O responsável disse que, este ano, a empresa, tem como meta atingir um volume de negócios 40 milhões USD, superando os resultados do ano passado. Para Mário Couto, a visita do ministro António Pires Lima a Angola demonstra que Portugal está atento ao País e ao estreitamento das relações bilaterais.

“Portugal gosta de estar presente em Angola, até porque temos laços muito fortes que se vão manter por muito tempo, independentemente do que venha a acontecer”, garantiu o PCA. O responsável garantiu que Angola continua ser um país propício para o investimento, mas sublinhou que os investidores têm de se adaptar e reconhecer as dificuldades actuais.

Pneuang com dificuldades de encontrar carcaças Também a fábrica de pneus Pneuang, localizada no Cacuaco, sente dificuldades na importação das carcaças de que necessita para a sua actividade, explicou o director-geral, Nelson Carvalho. “Não bastam só as carcaças nacionais, precisamos também de importar”, argumentou.

“Se aparecerem mais pneus usados a que possamos dar uma boa roupagem, teremos mais produção”, disse. Actualmente, a empresa tem capacidade para fazer 20 pneus por dia, esperando atingir o dobro até ao segundo semestre.

“Acreditamos que, este ano, a facturação será de 3 milhões USD e tudo o que precisamos é de recauchutar mais pneus”, disse. “Mas, com a quebra de divisas, corremos o risco de baixar o saldo”, alertou o gestor, que espera que, por outro lado, o ministro da Economia de Portugal possa ajudar a desbloquear o problema dos vistos.

“Temos um problema sério em termos de vistos para os nossos funcionários, que pretendem ir para Portugal para formação. Espero que o ministro faça alguma coisa”, apelou. Angonabeiro com redução de consumo José Carlos Beato, director-geral da empresa Angonabeiro, que Pires de Lima também visitou esta semana, por seu turno, lamentou a redução do consumo de café que está a registar-se devido à crise financeira.

“Apesar de este ser um ano complicado no que diz respeito ao consumo, que tem vindo a decrescer ligeiramente, temos um caminho e sabemos onde queremos ir, e tudo estamos a fazer para conseguir dar a volta a esta situação”, disse.

O responsável afirmou que a marca de café Ginga, que a fábrica, localizada no Cacuaco, produz, tem “muito para dar” aos consumidores angolanos, além de contribuir para estimular a produção de café no País, destacando-se as províncias do Uíge, Bié, Cuanza Sul e Zaire.

“Neste momento temos uma capacidade de produção que ronda as 400 toneladas por ano, m as a produção actual ronda as 280 toneladas, numa unidade que funciona em três turnos”, disse. (expansao.ao)

Por: Sita Sebastião

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