Especialista: Faltam políticas públicas na geração de energia limpa no Brasil

(Claudio Fachel/Palácio Piratini)
 (Claudio Fachel/Palácio Piratini)
(Claudio Fachel/Palácio Piratini)

Até a sexta-feira, 26, pela primeira vez na América do Sul, a cidade de Porto Alegre estará sediando o 14.º Congresso Internacional de Engenharia do Vento (ICWE), desta vez organizado por professores da UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O coordenador de Engenharia Civil da UERJ, Adacto Ottoni, analisa a importância do encontro.

O fórum ICWE, que acontece a cada quatro anos, reúne engenheiros, arquitetos, meteorologistas e estudantes para debater problemas relacionados à interação do vento com o ser humano e o meio ambiente. Participam do encontro cerca de 500 conferencistas de 33 países.

O engenheiro civil Adacto Ottoni, da UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, falando com exclusividade à Sputnik Brasil, disse esperar que o Congresso do Vento contribua para viabilizar políticas públicas de sustentabilidade ambiental, situação que, em sua opinião, está caótica no Brasil. “Eu torço para que o evento realmente possa contribuir para viabilizar, em termos de políticas públicas, a geração da energia eólica aqui no Brasil, como também a geração de energia solar. Nós temos que investir na recuperação ambiental.”

Segundo o Professor Ottoni, o Brasil tem suficiente capacidade para gerar energias solar e eólica, que são formas de energia limpa que precisam ser estimuladas e priorizadas no psíd. “Infelizmente, no Brasil priorizamos a energia dos combustíveis fósseis, que contribuem para aumentar o aquecimento global; a energia nuclear, que gera passíveis ambientais gravíssimos para o futuro, porque o resíduo nuclear tem uma vida muito longa; e infelizmente ainda estamos usando a energia hidrelétrica, usando grandes barragens, que prejudicam os rios.”

O especialista ressalta que as fontes de energia mais impactantes, como as dos combustíveis fósseis, do petróleo, e a nuclear, devem ser usadas para complementar as fontes limpas, e não ao contrário. “Da forma como as coisas estão indo, nós vamos exaurir os combustíveis fósseis em pouco tempo. Em poucas décadas não vai haver mais petróleo, contribuindo para o aquecimento global. Essa abundância de energia limpa e renovável do sol e dos ventos, mais o biogás, no Brasil nós ainda estamos engatinhando no uso delas. Muito pouca coisa se faz. Outros países já priorizam muito mais essas fontes de energia.”

Atualmente, o Brasil conta com 262 usinas eólicas em atividade, quantidade que para Adacto Ottoni é muito aquém da necessidade. “Com o potencial que nós temos aqui no Brasil, temos que aproveitar. Pontos de energia eólica têm sido implementados no Nordeste do país, mas é preciso ampliar, porque a energia eólica, a força do vento, não gera nenhum tipo de poluição. O impacto ambiental é mínimo. E é uma energia permanente, pois o vento nunca vai deixar de soprar, e nós temos essa disponibilidade, mas exploramos muito pouco, diante do potencial que o Brasil tem.”

Sob o ponto de vista econômico, o engenheiro também diz que há vantagens, claro, no uso das energias limpas, mas sem as políticas públicas é preciso importar materiais, o que gera mais custos. “Hoje, para fazer a produção de energia solar, temos que importar equipamento. Depende de vontade política, no sentido de priorizar as fontes de energias sustentáveis e, então, dar incentivos fiscais e, aí, o negócio se tornar atrativo para as empresas.”

Apesar do prognóstico negativo feito pelo especialista, em maio deste ano, durante o 12.º Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico, a Associação Brasileira de Energia Eólica fez a previsão de que o Brasil deverá alcançar em 2016 o segundo ou terceiro lugar no ranking dos países que mais investem no aproveitamento dos ventos como fonte de energia, subindo ainda para a sexta posição mundial em capacidade instalada.

Ainda segundo a Associação, em 2014 o Brasil foi o quarto país do ranking mundial, em termos de aumento da capacidade eólica, ficando atrás apenas de China, Estados Unidos e Alemanha, com expansão de 2,5 gigawatts de energia. Já em relação à capacidade instalada, o país ocupava a décima posição, com ganho de três posições em relação ao ano anterior. (sputniknews.com)

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