Entre fotos e lágrimas, legalização do casamento gay cria euforia nos EUA

A bandeira do movimento LGBT é vista em frente à Suprema Corte dos EUA, em Washington, DC, no dia 26 de junho de 2015 (Foto de MOLLY RILEY/AFP)
A bandeira do movimento LGBT é vista em frente à Suprema Corte dos EUA, em Washington, DC, no dia 26 de junho de 2015 (Foto de MOLLY RILEY/AFP)
A bandeira do movimento LGBT é vista em frente à Suprema Corte dos EUA, em Washington, DC, no dia 26 de junho de 2015 (Foto de MOLLY RILEY/AFP)

Um grito estremeceu os arredores da Suprema Corte dos Estados Unidos nesta sexta-feira quando uma mensagem para a história começou a chegar a centenas de telefones celulares: os casamentos entre pessoas do mesmo sexo foi enfim legalizado em todos os estados do país.

Abraços, lágrimas e emoção não esperaram para acontecer. De mães lésbicas com seus filhos nos braços a gays na terceira idade, todos comemoram uma medida que há décadas aguardavam.

Melissa Fobear e Stacy Makris contemplaram a festa ao lado de Niko, seu filho de cinco meses, que poderá crescer “num país onde sua família terá os mesmos direitos” que as famílias heterossexuais.

“Estamos muito felizes de termos podido viver esse dia”, contou Melissa, tomada pela emoção, a mesma que invadiu os irmãos Aaron e Austin Rhodes, que foram da Califórnia até Washington testemunhar esse dia.

Os dois se tornaram há alguns meses estrelas da internet ao reconhecer sua homossexualidade em um vídeo que se tornou viral. Desde então, são activistas em favor dos direitos LGBT através do YouTube e do Instagram.

Essa vitória para a comunidade gay servirá para dizer um dia a seus filhos que se casaram com a pessoa que quiseram “graças a este momento”.

A audiência dos magistrados foi a portas fechadas, e apenas alguns privilegiados, como Bonny Harbinger, viveram este rito de passagem da luta dos direitos dos homossexuais.

Quando o juiz Kennedy tomou a palavra, relata Harbinger, a tensão na sala era muito grande. “Não conseguíamos respirar”, lembra. A notícia provocou uma catarse de lágrimas.

Passado o nervosismo, todos foram fotos e sorrisos. O conhecido Coro Gay de Washington entoou solenemente o hino norte-americano em meio a uma esplanada repleta de simpatizantes.

O presidente da poderosa organização Human Rights Campaign, Chad Griffin, não teve quase tempo para comemorar – ocupado que esteve respondendo à enxurrada de telefonemas que recebeu.

Ao longe, se ouviu a voz de um homem exultante que pergunta para o vazio: “Alguém quer se casar comigo?”

Chauncey Killens foi um dos poucos opositores que se atreveram a atravessar a maré de felicidade de milhares de pessoas reunidas em frente à Suprema Corte.

“A realidade é que o casamento é entre um homem e uma mulher. Isso não mudará diga o que disser a Suprema Corte”, disse à imprensa.

– “Isso também é pelas crianças” –

A comemoração se estendeu por todo o país. A prefeitura de Nova York, por exemplo, não duvidou em colar em sua fachada várias bandeiras gays para manifestar sua alegria.

No mítico bar Stonewall Inn, símbolo da luta pelos direitos dos homossexuais no bairro de Greenwich, dezenas de casais se beijam e fazem fotos para não esquecer o momento.

Los Angeles também preparou um dia de festa com uma grande celebração no bairro de West Hollywood, epicentro da comunidade gay.

Todos querem agradecer o esforço e dedicação dos advogados e activistas que durante anos lutaram na justiça para conseguir este feito.

Um deles é Jim Obergefell, principal responsável pelo caso analisado pela Suprema Corte e que exibia um retrato de seu parceiro, John Arthur, falecido em 2013.

Obergefell e Arthur, que já estava gravemente doente, casaram-se em Baltimore, Maryland, no início de 2013, mas nunca conseguiram que o casamento fosse reconhecido pelo estado de Ohio, onde viviam.

“Tenho a esperança de que o termo ‘casamento gay’ se torne logo obsoleto e que a partir de hoje falemos simplesmente em ‘casamento'”, explicou.

Sua felicidade é compartilhada com a advogada Mary Bonauto, que não consegue deixar de sorrir. “Hoje também é um grande dia para as crianças que não terão mais que perguntar porque seus pais não podiam se casar”, afirmou.

Em meio a tanta folia, destaca-se perante o Supremo Tribunal a bandeira de um jovem: “Jesus teve dois pais e ficou tudo bem”. (afp.com)

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