Embaixador disserta sobre prevenção e resolução de conflitos

EMBAIXADOR DE ANGOLA JUNTO DA MISSÃO PERMANENTE DA ONU, ISMAEL MARTINS (Foto: Pedro Parente)

Washington – O embaixador de Angola junto da Missãao Permanente da ONU, Ismael Martins, participou nesta quarta-feira (dia 24), na reunião mensal do Grupo Africano de Embaixadores, na African House em Washington D.C., onde fez uma abordagem sobre a Prevenção e Resolução de Conflitos em África.

EMBAIXADOR DE ANGOLA JUNTO DA MISSÃO PERMANENTE DA ONU, ISMAEL MARTINS (Foto: Pedro Parente)
EMBAIXADOR DE ANGOLA JUNTO DA MISSÃO PERMANENTE DA ONU, ISMAEL MARTINS (Foto: Pedro Parente)

Acompanhado de Agostinho Tavares, embaixador de Angola nos EUA, o diplomata angolano informou sobre a eleição do país, em Outubro último, como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, para um mandato de dois anos, 2015-2016, a contar de 1 de Janeiro de 2015.

O representante permanente de Angola na organização das Nações Unidas realçou que da ampla agenda do Conselho de Segurança, constam uma série de questões Africanas, na sua maioria relacionadas com conflitos e missões de paz.

“Desde o início deste ano, setenta porcento das vinte e quatro resoluções adoptadas pelo Conselho de Segurança da ONU têm como ponto central os conflitos que ainda persistem no continente”, disse o diplomata angolano.

Sobre a agenda de Angola no Conselho de Segurança da ONU, Ismael Martins informou à plenária que a principal ênfase da agenda tem a ver com a prevenção.

“O nosso país acredita que é sempre possível, através de alertas prévios, uma diplomacia preventiva e processos de paz bem-sucedidos, evitar conflitos violentos no nosso continente”, enfatizou.

Esta foi a primeira vez que Angola interveio com um tema da actualidade no referido fórum, a fim de dar a conhecer qual a agenda do país no Conselho de Segurança da ONU.

A intervenção do representante permanente foi recebida com grande satisfação e agrado pelos membros do Grupo Diplomático Africano em Washington, facto que vem reforçar o diálogo entre ambos, tendo em consideração as decisões tomadas pelos órgãos da União Africana e a importância da coordenação de esforços com o Conselho de Segurança da ONU.

De recordar que as intervenções de Angola estão voltadas ao mecanismo de coordenação A3 e ao programa do Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Prevenção e Resolução de Conflitos no continente.

Na sua capacidade de Presidente do Grupo de Trabalho, a República de Angola propôs um programa voltado para a necessidade de associar a União Africana em todas as discussões relacionadas com a paz e segurança no continente.

“O país escolheu questões transversais que considera oportunas e importantes para serem discutidas no Conselho de Segurança. Na primeira sessão como Presidente do Grupo de Trabalho, enfatizámos a importância da cooperação entre a Organização continental e o Conselho de Segurança no domínio da edificação da paz”, informou.

Durante a sua intervenção, o diplomata recordou que em Janeiro do corrente ano, os Chefes de Estado e do Governo da União Africana expressaram a necessidade de uma atenção especial ao forte calendário eleitoral já agendado, sendo cerca de cinquenta, os actos nacionais de entre os quais eleições legislativas, presidenciais e referendos.

No sentido de atenuar os problemas pré e pós eclectorais, em particular nos países do continente que recentemente emergiram de conflitos violentos, a ONU, a Comunidade Económica Regional da União Africana e os países devem coordenar os seus esforços de maneira a assegurar que as eleições sejam livres e justas e que as partes interessadas joguem um papel importante para o êxito do processo eleitoral.

“No debate sobre as eleições foi observada a importância do envolvimento da juventude, redes sociais e mídia, assim como a de abordar as questões expressas pela população, a fim de evitar frustrações”, disse Ismael Martins.

Actualmente, alguns dos mais relevantes conflitos no continente estão relacionados com eleições e no período 2015-2016 um número considerável de países Africanos irão confrontar-se com a questão relacionada com a modificação da sua Constituição, para permitir um terceiro mandato presidencial, esclareceu o embaixador Ismael Martins, que acrescentou que Angola incluiu no programa do Grupo de Trabalho a promoção de uma cultura de paz, a diplomacia preventiva no contexto da Arquitectura de Paz e Segurança Africana e a ligação entre conflitos e exploração ilegal de recursos naturais.

“Estas três questões vão ser discutidas nos próximos meses e Angola espera a participação efectiva e contribuições dos Estados Africanos, por se tratarem de assuntos que, como continente, temos de fazer face”, disse.

Ao concluir, o diplomata angolano referiu que a Resolução e Prevenção de conflitos no continente englobam uma série de aspectos, mas foi dada prioridade na intervenção de Angola à reunião mensal do Grupo Africano de Embaixadores, em Washington, à acção do país no Conselho de Segurança da ONU, uma vez que tais questões vão ser discutidas e endereçadas brevemente pelo Grupo de Trabalho em Nova Iorque.

A República de Angola foi eleita a membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU a 16 de Outubro de 2014, em Nova Iorque, ao conquistar 190, dos 193 votos expressos.

Esta é a segunda vez que Angola é eleita a este selecto grupo, onde pontificam os EUA, Rússia, China, França e Reino Unido, potencias com direito a veto. (portalangop.co.ao)

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