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Economias africanas devem registar crescimento robusto em 2015, apesar da incerteza global
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Economias africanas devem registar crescimento robusto em 2015, apesar da incerteza global

(Foto: D.R.)

(Foto: D.R.)

África registará este ano, num contexto globalmente desfavorável, um crescimento que superará o verificado em 2014 e se situará acima da média mundial. O continente averbou importantes conquistas nos últimos anos mas ainda se confronta com riscos elevados, bem como com os desafios da desigualdade e da pobreza

As economias africa­nas deverão registar um crescimento ro­busto em 2015, uma expansão de 4,5 %, podendo chegar a 5 % em 2016, em comparação com os 3,9 % regista­dos em 2014 e os 3,3 % verificados a nível global, de acordo com a 14ª edição do ‘Economic Outlook Afri­cano 2015’, divulgado, em Abidjan, Côte d’Ivoire, no decurso das 50 ª Reunião Anual do Grupo Banco de Desenvolvimento do Africano (BAD).

De acordo com o BAD, tal sinaliza um crescimento robusto, apesar de ventos contrários globais e regio­nais que se fazem sentir, incluindo a baixa dos preços das commodities e o impacto desfasado da epidemia de Ébola.

A instituição indica que também se espera que a queda dos preços mundiais do petróleo apoie o cres­cimento entre os importadores lí­quidos de petróleo, aumentando a procura dos consumidores e da competitividade e mitigando pres­sões inflacionistas.

Refere que, além disso, o relató­rio com o tema ‘Desenvolvimento Regional e Inclusão’ mostra que a maioria das economias africanas orgulha-se agora de uma diver­sificação económica muito mais ampla, implicando uma mudança de paradigma, com a agricultura, construção e serviços a desempe­nharem um papel maior do que an­teriormente.

O Banco Africano de Desenvol­vimento indica igualmente que esta perspectiva global positiva é, no entanto, ofuscado pelos efei­tos indirectos do surto de Ébola na África Ocidental. Salienta que este facto, associado aos preços depri­midos das commodities e às con­dições globais incertas, bem como às incertezas políticas domésticas, poderá atrasar o retorno esperado a níveis de crescimento pré-2008.

‘Os países africanos têm mos­trado uma resistência considerável em face da diversidade económica global. Um crescimento futuro sus­tentável e transformador vai exigir que os seus benefícios sejam par­tilhados de forma mais equitativa entre a população e que os gover­nos continuem a prosseguir polí­ticas que promovam a estabilidade económica ‘, afirmou Steve Kayi­zzi Mugerwa, economista-chefe e vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento.

O relatório é uma publicação conjunta do Banco Africano de Desenvolvimento, da Organização para a Cooperação Económica e o Desenvolvimento (OCDE) e das Na­ções Unidas (PNUD).

Investimentos podem atingir USD 73,5 mil milhões

Segundo o relatório, o investimen­to estrangeiro total no continente poderá atingir USD 73,5 mil mi­lhões em 2015, tendo como alvo os mercados de consumo nos grandes centros urbanos.

As remessas de diáspora africana aumentaram seis vezes desde 2000 e atingirão USD 64,6 mil milhões até o final de 2015.

O endividamento soberano afri­cano, por outro lado, está a au­mentar rapidamente, indicando o aumento da confiança dos investi­dores, assinala o relatório.

No entanto, o documento adver­te que esta nova fonte de financia­mento deve ser acompanhada de prudência macroeconómica para garantir que são mantidos níveis de dívida sustentáveis. Considera ain­da que o desenvolvimento humano em África está a melhorar, embora os indicadores mostrem que a po­breza continua a ser generalizada tanto nos países de baixo como de médio rendimento.

‘O crescimento inclusivo e sus­tentável é um aspecto fundamental da agenda africana de desenvolvi­mento pós-2015 para a transfor­mação económica e social’, refere Ayodele Odusola, economista-che­fe e chefe de estratégia e análise da equipa no Escritório Regional do PNUD para África, acrescentando: ‘precisamos de investir na constru­ção de oportunidades económicas, incluindo a nível local. E, especial­mente, as destinadas a mulheres e homens jovens, que são os arqui­tectos da África de amanhã ‘.

O relatório mostra que a repar­tição dos ganhos económicos tem sido desigual, quer entre as regiões quer dentro dos diferentes países e que, apesar das taxas de cresci­mento elevadas, são vulneráveis aos contratempos relacionados com a saúde, ambientais e aos riscos so­ciais.

Embora o nível de tensões so­ciais e violência tenha recuado em 2014 em muitas zonas de África, as consequências da guerra ainda são evidentes, com conflitos persisten­tes na República Centro Africana, Líbia, Nigéria e Sudão do Sul. O im­pacto sobre as populações e meios de subsistência tem sido grave. ‘Há uma necessidade óbvia e urgente de promover um crescimento mais inclusivo e a participação política mais ampla para reduzir a privação que tende a atiçar rebeliões e confli­tos’, diz o relatório. (opais.ao)

Por: Hermenegildo Tchipilica

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