Dúvidas sobre recuperação do investimento de 38 mil milhões Kz no Iraque

Petroleiros em Basra, Iraque. (Foto: D.R.)
Petroleiros em Basra, Iraque. (Foto: D.R.)
Petroleiros em Basra, Iraque.
(Foto: D.R.)

Administração da petrolífera confia recuperar investimento através da venda do activo iraquiano, mas Ernst & Young diz que desconhece negociações com potenciais interessados.

A Sonangol arrisca perder 37,8 mil milhões Kz correspondentes ao investimento realizado no Iraque, de acordo com o relatório da Ernst & Young, auditor independente da companhia. O investimento no Iraque foi anunciado pela Sonangol em Dezembro de 2009 no cumprimento da estratégia de internacionalização da empresa.

Entretanto, o contexto de insegurança existente nos referidos campos levou à suspensão das operações naquela geografia e à decisão de desinvestimento sustentada “em razões de força maior”. De acordo com a Ernst & Young, entre “gastos com bónus de assinatura, prémios de adjudicação e custos de exploração e avaliação” dos campos, a Sonangol terá investido 37.789.319 milhares de Kz, valor inscrito “no imobilizado incorpóreo e imobilizado corpóreo relativo à actividade mineira e outros activos não correntes”.

Questionada pelos auditores, a gestão da companhia respondeu que confia “recuperar o referido investimento através da venda do interesse participativo detido”, mas não adiantou pormenores. Face à inexistência de “qualquer evidência que suporte a existência de negociações com potenciais interessados, (…) não estamos em condições de concluir quanto à recuperabilidade do montante referido acima”, alerta a Ernst & Young.

O valor do investimento no Iraque é uma das nove reservas que o auditor levantou às contas consolidadas de 2014 da Sonangol. Relações ‘nebulosas’ com o Estado A Sonangol diz que tem a pagar 405 mil milhões Kz ao Estado, mas a Ernst diz que não “foi possível determinar se todas as transacções, direitos e obrigações relacionados estão correctamente reflectidos nas demonstrações financeiras consolidadas”.

Esta reserva é recorrente nas contas da petrolífera, pelo menos, desde 2007, ano em que a companhia começou a publicar as contas por imposição do Fundo Monetário Internacional. A reserva que envolve valores mais elevados tem a ver com os postos de combustíveis. “Não foi obtida a documentação necessária para aferir sobre a propriedade do conjunto de activos que compõem o imobilizado corpóreo, nomeadamente dos postos de abastecimento no montante de 77. 274.510 milhares de Kz2, queixam-se os auditores.

As relações com China Sonangol também não estão claras aos olhos da Ernst, que questiona os 54,8 mil milhões Kz que a Sonangol diz ter a receber dessa sua parceira. As subsidiárias do shipping e imobiliário apresentam lacunas tais que os auditores emitiram uma escusa de opinião. Clínica Girassol e centro de formação marítima também mereceram reservas à Ernst & Young. (expansao.ao)

Por: Carlos Rosado de Carvalho

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