Diversificação apontada como solução para saída da dependência do petróleo

(Foto: Vigas da Purificação)
(Foto: Vigas da Purificação)
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Especialistas reunidos em Luanda consideraram que o actual momento da economia angolana é uma oportunidade para reavaliar o modelo de crescimento e corrigir as falhas existentes no país.

A actual situação decorrente da redução drástica do preço do petróleo no mercado internacional afectou negativamente as contas do Estado angolano e deu origem a uma escassez de divisas que tem estado a criar muitos transtornos na economia e nos investimentos. Mas, para alguns participantes do primeiro fórum empresarial entre Angola e Portugal, essa questão é um “mal que veio para bem”.

Essa, pelo menos, é a opinião da vice-presidente da Associação dos Empresário da Huíla, Filomena Oliveira que, na qualidade de participante, afirmou que graças à situação vigente hoje o tema diversificação não é mais um assunto para debater simplesmente em palestra, mas sim uma necessidade premente que acordou as autoridades da letargia provocada pelos bons momentos que as receitas petrolíferas proporcionavam. “Essa crise está a permitir sabermos quem realmente somos, o que temos de valor e o que queremos”, disse em tom meio sarcástico. “Agora precisamos ser mais arrojados para irmos buscar modelos de economias emergentes mais ajustáveis à nossa realidade.

Aproveito para apelar que é importante (no âmbito da parceria bilateral) que os empresários portugueses ajudem os angolanos no que toca à formação técnico-profissional da classe empresarial nacional”, afirmou. Durante a mesa redonda organizada no evento foi questionado a vários economistas como diversificar o país, aliás, foi esse o tema da primeira mesa redonda. O economista José Cerqueira, durante a sua intervenção para responder à pergunta foi peremptório ao afirmar que diversificar a economia “significa diversificar os bens produzidos” e não se limitar apenas ao petróleo. “

A meu ver, a via mais rápida para a diversificação é a substituição das importações que no nosso caso é possível fazer-se porque possuímos matériasprimas que podem dar suporte a esse processo, mas isto não basta”, disse, ao qual José Severino, presidente da Associação Industrial de Angola acrescentou dizendo que “temos também de melhorar os nossos níveis de Especialistas reunidos em Luanda consideraram que o actual momento da economia angolana é uma oportunidade para reavaliar o modelo de crescimento e corrigir as falhas existentes no país Diversificação apontada como solução para saída da dependência do petróleo.

Economistas angolanos reunidos em Luanda abordam os pressupostos para a diversificação da economia local competitividade e a nossa agressividade empresarial”. Por outro lado, José Severino declarou que urge a necessidade de se retirar algumas barreiras que entravam o investimento estrangeiro na economia nacional. “É preciso combater o lobbing que cria constrangimentos a muitas iniciativas de investimento directo estrangeiro no país. Aproveito aos empresá- rios portugueses presentes a não verem Angola apenas para a exportação.

Devem entrar em Angola com os olhos postos no mercado regional da África Austral”, aconselhou. Por sua vez, o economista Rui Malaquias sugeriu que a diversificação deve ser feita de forma estruturada segundo investimentos em cadeia num processo em que o privado participa activamente e o Estado presta apoio institucional. Já o especialista do Fundo Monetário Internacional, Max Alier, defende que é preciso diversificar de forma orientada e não por meio de programas ou acções paliativas. Segundo ele, é preciso garantir a sustentabilidade deste processo ao longo prazo e isto faz-se garantindo qualidade e durabilidade das infra-estruturas rodoviárias e fazendo uma aposta séria no capital humano.

Financiamento Ao ser questionado sobre as facilidades existentes na banca para apoiar o processo de atracção de investimento no mercado nacional, o presidente do banco Bic, Fernando Teles, afirmou que a banca angolana nunca deixou de financiar bons projectos, sejam nacionais ou de iniciativas estrangeiras, mas lamentou as dificuldades que a banca tem estado a registar nos últimos tempos para realizar pagamento ao exterior fruto da escassez de divisas no mercado financeiro.

Já Fernando Marques, do banco Caixa Totta, aconselhou os empresários portugueses a não se deixarem levar por ilusões de lucro fácil em Angola e garantiu que o seu banco não tem dificuldade em financiar projectos sustentáveis. “É necessário que o empresário estrangeiro traga algum capital próprio para suportar eventuais contratempos, porque o investimento em Angola exige um período de maturação e nem sempre tudo corre bem” advertiu.

Investir no interior

Os governadores do Cuanza Sul e do Cuango Cubango participaram do fórum para promover o investimento nas suas respectivas províncias. Eusébio de Brito Teixeira, governador do Cuanza Sul, apontou o sector das pescas como sendo uma área que aguarda por novos investimentos e indicou a proximidade com os grandes centros de consumo como uma vantagem competitiva.

“O Cuanza Sul tem uma costa de 168 quilómetros com uma enorme potencialidade para a indústria pesqueira e salineira”, apelou. Por seu turno, o governador do Cuando Cubango, Higino Carneiro, indicou o potencial florestal da província que governa como propícia para investir na indústria madeireira já que 80 por cento desta província é coberta por florestas. Além disso, apontou o turismo como uma aposta igualmente forte. “O Cuando Cubango participa num dos maiores projectos turísticos do mundo, que é o Okavango-Zambeze que envolve vários países africanos e possui dois terços da fauna do continente” afirmou. (jornadeeconomia.ao)

Por: Francisco Inácio

 

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