Dilma diz que não respeita delatores e elogia Kissinger em visita aos EUA

Dilma Rousseff em visita aos Estados Unidos (PHOTO/ KENA BETANCUR AFP)
Dilma Rousseff em visita aos Estados Unidos (PHOTO/ KENA BETANCUR AFP)
Dilma Rousseff em visita aos Estados Unidos
(PHOTO/ KENA BETANCUR AFP)

“Eu sou mineira. Na escola, aprendemos sobre a Inconfidência Mineira e há um personagem de que não gostamos: Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Não respeito delatores. Até porque, estive presa na ditadura e tentaram me transformar em uma delatora. Garanto a vocês que eu resisti bravamente. Não respeito delatores.” A declaração foi dada nesta segunda-feira (29) à tarde pela presidente Dilma Rousseff em conversa com a imprensa depois de a presidente encerrar um seminário promovido pelo governo em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-EUA em Nova York.

A presidente se reuniu pela manhã com investidores, empresários e com o ex-secretário de Estado das administrações Nixon e Ford, Henry Kissinger. Curiosamente, pouco antes de comparar a delação de empreiteiros com a de presos políticos torturados pela ditadura, a presidente teceu elogios a Kissinger, um dos principais aliados de regimes ditatoriais de direita na América Latina a partir dos anos 1960 e envolvido diretamente na deposição do socialista Salvador Allende no Chile. A presidente, que falou com entusiasmo do mais recente livro do estadista americano, classificou Kissinger como “pessoa fantástica, com grande visão global”.

Delação de Ricardo Pessoa

Sobre a delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, cujas acusações se tornaram públicas neste fim de semana e atingiram os ministros Aloisio Mercadante, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Comunicação Social, além da campanha presidencial do PT, a presidente disse que “queria falar sobre o tema com a imprensa”.

Rousseff afirmou que sua campanha recebeu em 2014 dinheiro legal, de R$ 7,5 milhões e que, na mesma época em que recebeu esses recursos, “pelo menos uma das vezes, Aécio Neves, do PSDB, também os recebeu, com uma diferença muito pequena de valores, no segundo turno das eleições”.

A presidente seguiu afirmando que “nunca recebi este senhor (Ricardo Pessoa) em toda minha passagem pelo primeiro mandato. Não tenho esse tipo de prática. Não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou sobre a minha campanha a prática de qualquer irregularidade. Primeiro, porque não houve. E segundo, se insinuam, é porque há interesse político. Tudo tem que ser apurado, sem exceção, pela Justiça, Ministério Público e Polícia Federal. Se ele falar sobre mim diretamente, tomarei providências legais. No caso dos ministros, vamos avaliar com cada um as medidas a serem tomadas”.

A presidente segue a visita oficial aos EUA viajando para Washington, onde janta hoje com o presidente Barack Obama na Casa Branca. Além de incremento da parceria econômica entre os dois países, ela anunciou que tratará da possibilidade de acordo na área de mudanças climáticas, com a possibilidade de se estabelecer uma meta de redução de emissões de gás carbônico. (rfi.fr)

por Eduardo Graça

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