Cuanza Norte: Exploração racional de recursos hídricos passa pela elaboração de plano director

Um pormenor do rio Kwanza em Kambambe (Cuanza Norte) (Foto: Angop/K.Norte)
Um pormenor do rio Kwanza em Kambambe (Cuanza Norte) (Foto: Angop/K.Norte)
Um pormenor do rio Kwanza em Kambambe (Cuanza Norte) (Foto: Angop/K.Norte)

O director geral do Instituto Nacional de Recursos Hídricos, Manuel Quintino, manifestou, nesta sexta-feira, na localidade de Capanda, província de Malanje, a necessidade da elaboração de um plano director, visando o aproveitamento racional da bacia hidrográfica do Kwanza.

O gestor fez este pronunciamento à margem da primeira consulta pública, realizada nos estaleiros do complexo hidroeléctrico de Capanda, pela consultora “Soapro”, encarregue da elaboração de um projecto geral de desenvolvimento e utilização dos recursos hídricos da bacia do Kwanza, no âmbito do plano nacional das águas, do ministério de Energia e Águas.

Indicou que uma vez elaborado tal projecto, o Ministério estará dotado de um instrumento de gestão hídrica multissectorial, que viabilizará o aproveitamento, em separado, da água para o consumo humano, para os sectores energético, agrícola, industrial, bem como para a preservação dos ecossistemas, em toda a extensão da bacia.

Referiu ainda que o governo procura, nos últimos anos, a efectivação de vários investimentos no sector da energia, sendo por isso oportuno que se tenha em atenção os critérios de utilização dos recursos hídricos, e impedir o ciclo reprodutor de outros sectores que tenham dependência da água, tendo em atenção o potencial já identificado no curso do médio Kwanza.

Por essa razão, com base em indicadores do passado, prosseguiu, este troço, delimitado entre a barragem de Capanda (Malanje) e a de Cambambe (Cuanza Norte), oferece condições para a edificação de até oito barragens, sendo que do ponto de vista teórico se aconselha a sua implementação, para que o país possa aumentar a sua economia, daí a necessidade da consulta pública, ouvindo das populações as suas opiniões sobre esta intenção.

Lembrou que a par destas duas barragens já em funcionamento, está em construção a de Laúca, restando ainda uma quota de água que, explorada, venha permitir a edificação das barragens de Caculo-Cabaça, Zenzo 1, Zenzo 2 e a do Túmulo do Caçador, constantes de uma cascata apresentada nesta sexta-feira aos participantes ao fórum.

Manuel Quintino disse que a consulta realizada nesta sexta-feira vai permitir à empresa de consultoria obter dados mais realísticos sobre as vantagens e desvantagens que o projecto pode representar às comunidades, uma vez que além da necessidade de construção de barragens, outros sectores beneficiam do mesmo curso, podendo deste modo ser produzido um documento com pormenores mais detalhados.

Neste sentido, por força da recente criação de uma empresa vocacionada, especificamente, na produção de energia (PRODEL), ficam reduzidas as atribuições do Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza (GAMEC), agora reduzido a um gabinete dedicado à construção de obras hídricas.

Esclareceu que a bacia hidrográfica do Kwanza é indivisível, apesar das suas características a montante e a jusante, afirmando ser uma subdivisão que se resume apenas na operacionalização técnica, e está incorporada num único modelo de gestão dos recursos existentes no troço.

Indicou que isso justifica a redução das atribuições do GAMEK, criado apenas para atender o médio Kwanza, incluindo a barragem de Capanda, agora sob liderança da PRODEL.

Apesar de todas estas transformações, Manuel Quintino assegurou que os recursos hídricos têm sido utilizados de forma regular, sendo que o futuro plano director vai apenas reforçar a disciplina na sua utilização, frisou.

Dados apresentados no encontro indicam que o rio Kwanza possui um curso de 960 quilómetros, subdivididos em três trechos fundamentais, sendo a parte a montante situada entre a nascente (no planalto do Bié) até a zona do salto do Cavalo, o médio Kwanza, situado entre Malanje e Dondo (Cuanza Norte) e a parte à jusante de Dondo até a foz (no oceano atlântico), 80 quilómetros a sul de Luanda (a capital do país).

A bacia hidrográfica compreende 160 mil quilómetros quadrados, envolvendo as províncias do Bié, Huambo, Malanje, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Uíge, Bengo e Luanda, com vazão máxima histórica, por segundo, de três mil, 740 metros cúbicos, uma mínima na ordem dos 122 metros cúbicos e a média na ordem dos 540 metros cúbicos/segundo.

Participaram do encontro o vice-governador de Malanje para a esfera económica e produtiva, Domingos Manuel Eduardo, membros dos governos provinciais de Malanje e do Cuanza Norte, bem como representantes das províncias do Bié, Huambo, Cuanza Sul e Luanda. (portalangop.co.ao)

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