Crédito à economia cresceu 9,9% no primeiro trimestre

(Foto: D.R.)
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Dados preliminares do Banco Nacional de Angola dão conta que, do volume de empréstimos, 1,0 biliões Kz (9.259 milhões USD), cerca de 27,1%, foi feito em moeda estrangeira.

Na repartição por ramos, as ‘Actividades de Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais’ destacam-se entre os grandes beneficiários.

O crédito concedido à economia pelo sistema bancário angolano, em Março, cresceu 9,9%, para 3,7 biliões Kz (34.106 milhões USD), face aos 3,4 biliões Kz (31.029 milhões USD), segundo contas do Expansão feitas a partir das estatísticas monetárias e financeiras preliminares do Banco Nacional de Angola (BNA), publicadas no seu website.

Do volume de empréstimos, 1,0 biliões Kz (9,2 milhões USD), cerca de 27,1%, foi feito em moeda estrangeira. Os dados preliminares do banco central mostram que os empréstimos feitos à Administração Central passaram de 2,0 biliões Kz, em Dezembro de 2014, para os 2,2 biliões Kz, em Março, uma evolução de 1,2%.

Para o sector público (excluindo a Administração Central) saíram 61,5 mil milhões Kz, no último mês do ano passado, fixando-se em Março nos 63,6 mil milhões Kz, representando um crescimento de 3,3%.

Entre os sectores que mais beneficiaram de empréstimos da banca no primeiro trimestre do ano em curso, destacam o ‘Outras Actividades de Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais’, com 689.4 mil milhões Kz (um ligeiro aumento de 0,9%), seguindo-se o ‘Particulares’, que, em sentido contrário, registou uma quebra de 4,5%, para 657,5 mil milhões Kz, face aos 688,6 mil milhões Kz de Dezembro.

O ramo da ‘Actividade Imobiliária, Aluguer e Serviços Prestados as Empresas’ aparece na terceira posição do grupo dos que mais se beneficiaram do crédito da banca, com 609,3 mil milhões Kz. Compõem o quadro dos maiores beneficiários os sectores de ‘Comércio por Grosso e a Retalho’ (589, 6 mil milhões Kz); Construção (360,3 mil milhões); Indústria Transformadora (265,5 mil milhões Kz); ‘Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura’ (147,6 mil milhões Kz); ‘Actividades Financeiras, Seguros e Fundos de Pensões’ (98,4 mil milhões Kz); ‘Indústria Extractiva’ (70,2 mil milhões Kz) e ‘Transportes, Armazenagem e Comunicações’, com 66,4 mil milhões.

RIL continuam em queda Por outro lado, os dados do BNA mostram que as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) do País atingiram, em Março último, 2,7 biliões Kz, o equivalente a 25,0 mil milhões USD ao câmbio actual, representando uma queda de 1,5% face a Dezembro de 2014.

Em Dezembro do ano passado, as Reservas fixaram-se nos 2,8 biliões Kz, valendo, na altura, cerca de 27,4 mil milhões USD, e tudo indica que, ao longo deste ano, continuem a cair progressivamente, dada a queda do preço do barril de petróleo. Em Janeiro do ano em curso, as RIL equivaliam a 25,4 mil milhões USD e garantiam à volta de seis meses das necessidades de importações angolanas.

Em Fevereiro, desceram para 25,2 mil milhões USD, fixando-se em Março, como já referido, nos 25 mil milhões USD. A queda das RIL era previsível face à quebra nas exportações de petróleo, que, associada à baixa da cotação do crude, levou as receitas fiscais petrolíferas de Angola a caírem para cerca de metade nos últimos meses, e, por consequência, a captação de divisas pelo País, sobretudo dólares, também baixou.

Isto mesmo levou o Governo, aquando da aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2015 Revisto, em Março, a projectar uma redução de 28,4% nas RIL este ano, caso persista a “crise do petróleo”. “Na eventualidade de a situação de crise perdurar durante todo o ano, a perda de RIL poderá elevar-se a 8.005,39 milhões USD, posicionando o stock de RIL em 19.277,18 milhões de dólares”, prevê o Relatório de Fundamentação do OGE 2015.

O petróleo representa cerca de 98% do total das exportações angolanas, tendo o sector petrolífero garantido, de acordo com dados do Ministério das Finanças, 76% das receitas fiscais. Entretanto, a queda do preço do petróleo poderá reduzir o peso desta commodity nas receitas fiscais para 35,5% este ano.

A crise financeira mundial verificada em 2009 fez as RIL caírem para 13 mil milhões USD, o que ‘forçou’ o Governo a pedir um empréstimo de 1,4 mil milhões USD ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que serviu fundamentalmente para equilibrar a balança de pagamentos. (expansao.ao)
Por: Francisco de Andrade

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