Contratação de seguros em Angola é “um bom passo para agitar o mercado”

Aguinaldo Jaime, ARSEG (Foto: Angop)
Aguinaldo Jaime, ARSEG (Foto: Angop)
Aguinaldo Jaime, ARSEG
(Foto: Angop)

Seguro de importação de mercadorias feito em Angola não vai estancar, logo no início, a saída de divisas. Mas é um “primeiro” passo, diz especialista em seguros.

A obrigatoriedade da contratação em Angola dos seguros de importação de mercadorias não vai impedir, para já, a saída de divisas do Pais, dada a inexistência de uma resseguradora nacional, mas é “um bom passo” para “agitar” o mercado, defende o especialista em seguro Pedro Luiz Gomes. “Quando importamos mercadorias, elas são pagas com a inclusão do seguro feito pelo exportador, no País de origem”, lembra o responsável do Portal Seguros, explicando que, se o seguro fosse feito cá, “as seguradoras nacionais que comercializam este produto iriam beneficiar, para além do facto de se evitar a saída de divisas para o exterior”. “Com esta medida, iríamos ter mais receitas e daríamos mais empregabilidade”, adianta Pedro Luiz Gomes, para quem, por isso, parece “lógica a implementação desta medida”.

O presidente da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), Aguinaldo Jaime, anunciou na palestra sobre Transporte Marítimo de Mercadorias e Seguros, recentemente, que o diploma que torna obrigatória a contratação em Angola dos seguros de importação de mercadorias deverá ser aprovado dentro de cerca de um mês.

Na ocasião, o responsável do organismo considerou “que esse é o caminho certo porque o País está a crescer, a indústria seguradora está a crescer, e há cada vez mais operadores no mercado que estão a fazer um esforço muito grande para se modernizarem do ponto de vista tecnológico e de darem programas de formação aos seus quadros”.

Aguinaldo Jaime acredita que, pelo esforço que as empresas têm estado a fazer no sentido de formarem os seus quadros, as condições para o seguro obrigatório de transporte de mercadoria ser contraído em Angola estão a ser criadas. Pedro Luiz Gomes também concorda que há condições para avançar com a medida. “Não tenho dúvidas, pois, para além de termos bons técnicos no mercado, uma eventual tarifa obrigatória poderia também evitar desajustamentos desaconselháveis ao nível da oferta. Se repararmos bem, todos os seguros obrigatórios que existem têm uma tarifa obrigatória para evitar esses desajustamentos indesejáveis”.

Também sobre a capacidade e solvabilidade das seguradoras nacionais para suportarem estes riscos, o responsável está confiante, sublinhando que “temos resolvido esse problema com a dispersão do risco em co-seguro (entre seguradoras locais) bem como o resseguro entre resseguradoras internacionais”. “Não havendo nenhuma resseguradora nacional, teremos outra vez a saída de divisas? Sim, é verdade”, reconhece o especialista, que lembra, contudo, que “este é um bom passo que irá certamente, para já, agitar a indústria seguradora, e outro, que neste caso seria a criação de uma resseguradora angolana, há muito está a ser pensado e de certeza que será solucionado no futuro”.

Pedro Luiz Gomes defende ainda a importância do desenvolvimento do seguro agrícola, “pela sua própria natureza e importância estratégica para o desenvolvimento e para a diversificação da economia”. “É verdade que Angola tem muitas barreiras a superar, mas temos de ser ambiciosos e começar já, como parece estar a caminhar- se, a preparar a implementação de um sistema de seguros agrícolas”, afirmou. (expansao.ao)

Por: Silvana Tchissuleno

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