Contará Cabo Verde com um novo partido político?

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Criado nas redes sociais, a Mobilização para Acção Cívica, com a sigla MAC#114, é uma associação política em Cabo Verde cujo objectivo é protestar o desemprego no país que chega a 15,8%.

Constituído no início de 2015, a MAC#114 é composta essencialmente por jovens desempregados, de 22 a 33 anos, de acordo com os integrantes. Mas o movimento ficou conhecido mesmo, no país, após uma manifestação nacional perpetrada no último mês de Março. Com isso, os responsáveis da MAC#114 não descartam a ideia de transformar a associação num partido político.

Conheça a mobilização

A primeira actividade da Mobilização para Acção Cívica foi no Dia dos Heróis Nacionais, em Cabo Verde (20.01.2015). Na altura, a manifestação contou com apenas dez jovens. O grande “boom” do grupo foi mais tarde, no dia 30.03.15 com a manifestação contra o Estatuto dos Titulares de Cargos Políticos, sobretudo a parte remuneratória dos políticos e os seus salários. O protesto juntou milhares de pessoas, principalmente jovens, nas cidades da Praia, Assomada – no interior da ilha de Santiago-, Sal e Mindelo em São Vicente. Em 1.05.15, a MAC#114 juntou-se à União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde – Central Sindical – na marcha pela dignidade, igualdade e justiça social.

A Mobilização para Acção Cívica não tem uma liderança fixa, conta apenas com coordenadores por áreas. O rosto mais visível da equipa é o de Rony Moreira que explica que a ideia de criar o movimento surgiu quando o grupo percebeu que passava a maior parte do tempo a falar do país e dos problemas individuais: “Queríamos um grupo que pelo menos trouxesse para a agenda política algumas das reivindicações da juventude cabo-verdiana”.

Um grupo de pressão

Para a criação do nome da associação, os jovens da MAC#114 inspiraram-se no regimento parlamentar. “Quando os deputados sentem as suas honras ofendidas, invocam o artigo 114 para a reposição da sua honra”, explica Moreira.

MAC#114 surgiu como um grupo de pressão, e desde a manifestação em Março a sua notoriedade ampliou-se e, com isso, também a sua responsabilidade. Moreira enfatiza ainda que inicialmente se tratava apenas de um grupo de pressão, mas que “hoje nós estamos a tentar a dar um alavanca à democracia nacional. Queremos trazer um aspecto qualitativo à democracia, principalmente no que se refere à participação e à governação.”

Desde finais de Março, a MAC#114 decidiu realizar as suas acções longe dos holofotes da imprensa.Agora, a organização está virada para as comunidades desfavorecidas. Por necessidade, tivemos que nos afastar da comunicação social, conta Moreira. “Existia uma certa pressão sobre a MAC#114. Não sabíamos que a manifestação de 30 de Março daria tanta projecção ao movimento”.

Moreira ressalta que no momento, a MAC#114 está a tentar reorganizar-se, porque há uma discussão interna sobre o melhor caminho a seguir e as próximas iniciativas: “Estamos agora nos bairros. São trabalhos que não saem nos jornais, mas estamos a dar os nossos passos”, explica ele.

Mas será que esses passos significam transformar a MAC#114 num partido político? A resposta do coordenador em questão é clara: “Até hoje, não temos objectivo político partidário. Temos ideias soltas, mas conforme a dinâmica política as coisas alteram-se”.

Mas ao que tudo indica, as portas para a transformação da MAC#114 num partido político não estão fechadas: “Se houver necessidade e um sentimento de que isso seja preciso, fica pouco espaço para a MAC#114 não ser um partido”, destaca Moreira.

Como vai a MAC#114 se posicionar em relação às eleições presidenciais, legislativas e autárquicas de 2016? Moreira responde: “Até lá ainda está muito coisa por acontecer!”. (dw.de)

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