Contagem regressiva para a falência grega

(DW)
(DW)
(DW)

Mais uma vez, fracassam as negociações entre credores internacionais e Atenas. O tempo urge na busca por um acordo até o fim de Junho, e a paciência com a táctica do governo grego diminui.

O recado mais sério veio do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi: o fato de a situação grega ser dramática não significa que os outros sejam responsáveis por ela. Ele destaca que o apoio à liquidez dos bancos gregos já chega a 118 biliões de euros, o que corresponde a 66% do PIB da Grécia.

O BCE continua considerando os bancos gregos solventes e as garantias suficientes para continuar injectando dinheiro neles. Entretanto, a situação evolui continuamente e é preciso observar a saúde do sistema financeiro grego. Um sinal de que, caso haja um calote estatal no fim do mês, a situação pode mudar radicalmente.

“Precisamos de um acordo robusto e abrangente com a Grécia”, enfatiza Draghi. Se o presidente do BCE decidir fechar a torneira do resgate financeiro, é o fim para Atenas.

Também o presidente francês, François Hollande, adverte: é preciso voltar rapidamente à mesa de negociações, porque o prazo para a Grécia agora é extremamente curto.

O tom em Berlim foi parecido. Só o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, parece ter todo o tempo do mundo. A um jornal grego, ele disse que está esperando pacientemente até que “as instituições assumam uma postura mais realista”.

Hora do acerto de contas

Em Bruxelas, a Comissão Europeia considera a posição dos credores já bastante realista: as partes já teriam avançado bastante, por exemplo, na questão do superavit primário – resultado positivo nas contas do governo após o pagamento dos juros da dívida.

Nesse quesito, a porta-voz Annika Breidthardt disse sobre o único avanço nas discussões com a Grécia até agora: o governo grego aceitou a meta de superavit primário de 1% para este ano. Ainda não se sabe, entretanto, como os gregos vão atingir esse objectivo.

Na briga com a Grécia, a Comissão Europeia parte para a defensiva. Segundo a porta-voz, estão circulando muitos relatos falsos sobre o que os credores de fato exigem da Grécia. Breidthardt afirma que não é verdade que cortes nos salários e na aposentadoria são algumas das exigências.

Em vez disso, o foco são reformas estruturais no sistema de aposentadorias, como a abolição da aposentadoria antecipada. As aposentadorias são a parte mais custosa dos gastos estatais e, por isso, têm que ser mais sustentáveis, diz Breidthardt. O mesmo valeria para reformas salariais nos serviços públicos, assim como para a reforma do imposto sobre valor agregado.

Corrida contra o tempo

Neste domingo, as negociações entre Grécia e Comissão Europeia, que se realizavam desde sábado em Bruxelas, terminaram sem acordo. Segundo a Comissão Europeia, há “divergências significativas” entre os dois lados e “as propostas gregas continuam incompletas”.

Nesta segunda-feira, Tsipras afirmou que o governo em Atenas está pronto para “esperar pacientemente” até que os credores se tornem “realistas” nas suas exigências de reformas em troca da liberação da última parcela, de 7,2 biliões de euros, do actual programa de resgate.

Tecnicamente, um acordo até o próximo encontro dos ministros das Finanças da zona do euro, nesta quinta-feira, é praticamente impossível. E tendo em vista os sinais vindos de Atenas, o governo grego não quer o acordo. É o que indica a mais recente entrevista do ministro das Finanças grego, Yannis Varoufakis, ao tablóide alemão Bild. Ele pede uma espécie de oferta de resgate extraordinária feita pessoalmente pela chanceler federal alemã, Angela Merkel.

Aparentemente, os gregos querem conseguir mais concessões dos credores negociando directamente com chefes de Estado e de governo. Um encontro do tipo poderia acontecer no próximo fim de semana, em forma de uma cúpula extraordinária dos países da zona do euro em Bruxelas. Antes do fim deste mês, os parlamentos de vários países-membros, entre eles o alemão, precisam chegar a um acordo sobre uma nova extensão do programa de ajuda à Grécia.

Tal programa expira em 30 de Junho. Caso até esta data haja acordo entre Atenas e os credores, poderiam ser liberados os 7,2 biliões de euros pendentes do resgate à Grécia, cujo pagamento é alvo de discórdia. No mesmo dia, a Grécia tem que pagar 1,6 bilião de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Caso Atenas não possa ou não queira pagar a dívida, a falência estatal ficará ainda mais próxima. (dw.de)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA