Como Angola calou a banca portuguesa

MIGUEL ALEXANDRE GANHÃO Chefe de Redacção Correio da Manhã (Foto: D.R.)
MIGUEL ALEXANDRE GANHÃO Chefe de Redacção Correio da Manhã (Foto: D.R.)
MIGUEL ALEXANDRE GANHÃO
Sub-Chefe de Redacção Correio da Manhã
(Foto: D.R.)

Em carta datada de 27 de março de 2014, o Banco Nacional de Angola exigiu silêncio total sobre as contas e o nome dos clientes.

O caso que envolveu o Banco Espírito Santo (BES) veio trazer à luz do dia muitos dos ‘segredos’ do sistema financeiro português. No dia 3 de agosto de 2014, o Banco de Portugal decidiu aplicar a medida de resolução ao banco liderado por Ricardo Salgado, ao ser confrontado com prejuízos superiores a dois mil milhões de euros. Mas poucos meses antes desta decisão, e quando todos falavam nas dificuldades da família Espírito Santo e apontavam, repetidamente, para Angola como a origem principal do descontrolo, o Banco Nacional de Angola, liderado pelo então governador José de Lima Massano, escreveu uma carta para todos os presidente de bancos portugueses com negócios em Angola. A missiva, com data de 27 de março de 2014, era clara e direta na sua mensagem. Os bancos portugueses a operar em Angola não estavam autorizados, sob nenhuma forma, a identificar as contas ou a revelar o nome de clientes com quem trabalhassem. A autorização dada pelo Estado angolano para poderem trabalhar naquele país poderia caducar imediatamente caso aqueles deveres de sigilo fossem quebrados. E para que não restassem dúvidas, a carta continha um último aviso. Se o Banco de Portugal quisesse apurar alguma coisa junto daquelas instituições, teria de comunicá-lo ao Banco Nacional de Angola. Está explicado porque é que até agora o supervisor português ainda não conseguiu obter a lista dos dez principais beneficiários de créditos do Banco Espírito Santo Angola (BESA), que teve um buraco de três mil milhões de euros. (cmjornal.xl.pt)

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