Centenas de budistas protestam contra migrantes muçulmanos em Mianmar

Barco com migrantes à deriva no Golfo de Bengala (Foto de JANUAR/AFP)
Barco com migrantes à deriva no Golfo de Bengala (Foto de JANUAR/AFP)
Barco com migrantes à deriva no Golfo de Bengala (Foto de JANUAR/AFP)

Centenas de budistas nacionalistas do estado de Rakhine, em Mianmar, protestaram neste domingo contra a ajuda dada pelas autoridades aos migrantes resgatados no Golfo de Bengala.

O estado de Rakhine, um dos mais pobres de Mianmar, reflecte as tensões neste país entre a maioria budista e os muçulmanos rohingyas, uma das minorias mais perseguidas no mundo, segundo a ONU.

Cerca de 120 pessoas morreram em 2012 no conflito inter-religioso entre essas comunidades. A actual crise dos bengaleses e rohinghyas que se lançam ao mar para escapar da pobreza ou perseguição exacerbou ainda mais as tensões.

Cerca de 500 pessoas – às quais se somaram dezenas de monges – se reuniram neste domingo na capital regional Sittwe, indicou por telefone à AFP uma testemunha, cujo relato foi confirmado pelos organizadores da manifestação. Outras marchas de protesto aconteceram em dezenas de cidades do estado.

“Protestamos contra os bengaleses que foram enviados para o estado de Rakhine”, disse Htay Aung. A maioria dos birmaneses, incluindo o governo, usa o termo ‘bengaleses’ para designar os rohingyas, que consideram como imigrantes da vizinha Bangladesh.

Cerca de 4.500 migrantes rohingyas ou bengaleses chegaram recentemente em países vizinhos mais ricos. Segundo a ONU, cerca de 2.000 permanecem em barcos à deriva ou são mantidos como reféns por traficantes de seres humanos.

Devido à pressão internacional, a marinha birmanesa juntou-se às operações de resgate e socorreu cerca de 900 imigrantes famintos, que foram trazidos para o estado de Rakhine.

Um panfleto distribuído entre os manifestantes domingo chama os manifestantes a “proteger o futuro de Rakhine” contra os “Kalar”, um termo racista para os muçulmanos em Mianmar. (afp.com)

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