Carlos Brito: Falta audácia ao PCP ao descartar entendimento com PS

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O renovador comunista Carlos Brito criticou a falta de audácia do PCP ao descartar um entendimento com o PS, acusando os comunistas de não dialogarem com os socialistas por terem “medo de serem levados” no processo.

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Em declarações à Lusa, a propósito dos dez anos sobre a morte de Álvaro Cunhal (13 de junho de 2005), o ex-líder parlamentar do PCP lamentou que o partido tenha herdado o lado mais “fechado” e “autoritário” do antigo líder histórico e não a sua “ginástica política” e a “capacidade dialética” de analisar as situações com coragem.

“Quando o Jerónimo de Sousa diz – mas estar num Governo PS para quê? Eu digo – é tão simples como isto: para acabar com a austeridade”, afirmou Carlos Brito, lembrando que, apesar de Cunhal ter sido uma das pessoas que mais vivamente criticaram o PS, teve uma atitude “extremamente positiva” no que respeita à convergência democrática.

O antigo dirigente do PCP considerou que o partido tomou como herança o lado “mais fechado” de Cunhal e, “infelizmente”, não o lado “mais inteligente, mais dúctil, mais capaz de analisar as situações e de encontrar diferentes saídas e saídas criadoras para a atuação e a intervenção do partido”.

O apelo de Cunhal ao voto em Mário Soares, em 1986, ano em que o socialista foi eleito pela primeira vez como Presidente da República, é, para Carlos Brito, um bom exemplo de como Cunhal tinha flexibilidade de pensamento, o que o leva a acreditar que se Cunhal fosse hoje o líder do PCP teria encontrado um entendimento com o PS, “para barrar o caminho à direita”.

Nesse ano, Álvaro Cunhal convocou um Congresso Extraordinário do PCP e apelou ao voto em Soares para derrotar Freitas do Amaral, mesmo tendo havido uma decisão no congresso anterior do partido no sentido de não se votar em Mário Soares.

Estabelecendo um paralelo com a atualidade, Carlos Brito elogiou o LIVRE/Tempo de Avançar, porque, ao contrário de outros tempos, em que era quase “tabu” haver diálogo entre o PS e os outros partidos mais à esquerda, aquele partido entende que “é decisivo” dialogar com o PS e fazer com os socialistas “os entendimentos que forem possíveis”.

Do ex-líder histórico comunista, Carlos Brito recorda sobretudo a forma “convincente” e “veemente” que tinha em expor as suas ideias, mas refere também que a relação entre ambos nem sempre foi fácil, sobretudo quando era líder parlamentar do PCP, já que ideologicamente “não coincidiam em tudo”.

Ex-candidato à Presidência da República, em 1988, Carlos Brito foi líder parlamentar do PCP entre 1976 e 1991 e diretor do jornal Avante! entre 1992 e 1998.

Após manifestar a sua discordância com a orientação oficial do PCP, Carlos Brito foi suspenso do partido, por dez meses, em 2002, na mesma altura em que os ex-dirigentes Edgar Correia e Carlos Luís Figueira foram expulsos.

Terminado o prazo da suspensão, o dirigente histórico optou, em 2003, pela auto suspensão, sendo agora presidente do conselho nacional da Associação Renovação Comunista. (noticiasaominuto.com)

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