Anselmo Ralph. O angolano que pôs Portugal a dançar kizomba vai ter filme

(Foto: D.R.)
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Anselmo Ralph dá concertos de norte a sul de Portugal como poucos artistas portugueses. E sempre com lotação esgotada. O autor da famosa música “Não me Toca”, que pôs os portugueses a dançar kizomba coladinhos uns aos outros vai ter um filme. É a sua “Vontade de Vencer”.

Com estreia marcada para 3 de setembro, o filme realizado por André Banza conta a história deste cantor que começou timidamente como artista a solo, mas é hoje um dos um dos maiores artistas da atualidade. A música de Anselmo Ralph “conquistou todos os continentes, além do seu país de origem, Angola, que o considera o maior cantor e performer da sua geração”, lê-se na descrição do trailer.

“Vontade de Vencer” foi realizado ao longo de um ano, sendo uma oportunidade para conhecer a fundo a música de Anselmo Ralph, bem como os fãs e a família, numa viagem pelos bastiores de uma digressão que conta com mais de 80 concertos. Além de familiares, surgem também músicos relevantes para a carreira de Anselmo, entre eles Kalaf, do conceituado grupo Buraka Som Sistema.

Até a referência à sua doença é feita no filme. Anselmo Ralph sofre de miastenia grave, uma doença neuromuscular auto-imune, que causa fraqueza e fadiga anormal dos músculos voluntários. Os músculos oculares são os mais afetados, daí o cantor usar óculos escuros, que se tornaram, entretanto, a sua imagem de marca.

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Anselmo Ralph nasceu em Luanda há 34 anos, frequentou o liceu em Angola, tendo ido ainda jovem para Nova Iorque, EUA, onde se formou em Contabilidade, na faculdade da comunidade de Manhattan, do Borough, em Nova Iorque. Aí, ainda ainda pertenceu a uma banda de Rock’n’Roll latino, como não se cansava de lembrar, recentemente, no programa da RTP1, “The Voice”.

A capital espanhola, Madrid, foi a morada que se seguiu e onde descobriu a paixão pela música e a admiração por um dos mais populares cantores dominicanos, Juan Luís Guerra, que o influenciou na carreira de músico. Começou com pequenos projetos a solo e, em Janeiro 2006, lançou o seu primeiro álbum intitulado “Histórias de Amor”, música R&B, com sucesso imediato na sua terra natal.

Nesse mesmo ano, Anselmo foi nomeado o “Melhor Cantor de R&B” pela cadeia televisiva da África do Sul Channel e pela MTV Europe Music Awards 2006, na categoria de “Melhor Artista Africano”, na gala de consagração na Dinamarca, em Copenhaga.

Seguiu-se “As Ultimais Historias de Amor” em 2007, valendo-lhe os prémios de “Melhor Voz Masculina” e “Top Rádio Luanda”. O ano seguinte foi o da internacionalização de Anselmo Ralph, com a realização de espetáculos em Portugal, Holanda, Inglaterra, Moçambique, África do Sul, São Tomé e Príncipe, Brasil entre outros.

Em 2009, o cantou lançou outro êxito, “Cupido”, e a partir daí nunca mais parou. Dois anos depois, surgiu “A Dor Do Cupido”, que bateu recordes de vendas e originou 50 concertos, em três meses. Período em que a Coca-Cola reparou nele e iniciou o seu patrocínio. Enquanto isso, a música “Não Me Toca” começava a entranhar-se no corpo de quem a ouvia.

Dos portugueses sobretudo que repararam com mais atenção em Anselmo Ralph depois de uma participação no festival Meo Sudoeste em 2013, quando foi convidado para substituir a irmã de Beyoncé, Solange.

A partir daí, em Portugal, o cantor angolano, não parou mais de dar concertos de norte a sul do país, de colaborar em álbuns de outros cantores, de participar em filmes ou em concursos de TV. Atualmentente a sua música, “Ùnica Mulher”, dedicada à sua mulher, é a banda sonora da telenovela com o mesmo nome da TVI, em horário nobre.

Este é um sucesso que vê agora uma nova forma de o público português revisitar a história deste angolanão de 34 anos, casado, pais de dois filhos, e cuja doença assustaria o comum dos mortais, mas não a ele, porque o “trabalho e a crença em Deus”, como costuma dizer, são o seu foco para vencer. (dinheirovivo.pt)

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