Angolanos representam o terceiro maior grupo de refugiados no Brasil

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O Brasil foi o país da América Latina que mais recebeu pedidos de refúgio em 2014, com 25.996 solicitações. A principal porta de entrada dos refugiados no Brasil, e na América Latina, é São Paulo.

A imagem de nação acolhedora, no entanto, pode esconder as dificuldades enfrentadas por quem busca vida nova no país sul-americano.

O Brasil possui actualmente mais de 7.300 refugiados, que deixaram o país natal, entre outros motivos, por causa de perseguição política, étnica, racial ou sexual.

Segundo Andres Ramirez, representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados no Brasil o país “é a sétima economia do mundo, mais conhecido pela Copa do Mundo e pelas Olimpíadas que vamos ter no próximo ano (2016).”

A descrição, de Andres Ramirez, justifica o aumento de mais de 900% no número de pedidos de refúgio no país.

Estrangeiro conta com alguns serviços à sua chegada

Ao chegar, o estrangeiro conta com alguns serviços, de acordo com Marcelo Haydu, que trabalha na reintegração de refugiados: “Isso permite que essas pessoas, mesmo na condição de solicitadores de estatuto de refugiado, possam estar aqui com documentação, a estudar, trabalhar, etc.”.

Mas quem chega ao Brasil em busca de vida nova não está livre das dificuldades como explica o antropólogo Cláudio Bertolli Filho: “Os preconceitos culturais e étnicos têm-se evidenciado, inclusive nas redes sociais, em relação aos imigrantes que chegam, nomeadamente da África e da América central”.

O sentimento é facilmente percebido em São Paulo, na região que receberá o centro de referência para Imigrantes, um espaço para haitianos que estão a chegar ao Brasil. Para um dos entrevistados “a chegada desses estrangeiros que procuram refúgio aqui vai ser um transtorno dos grandes para nós. Aliás isso é já sentido no primeiro contacto”. Para um outro paulista “aquele que já tem o seu pão vai ser um problema porque isso vai começar a escassear e mais tarde não vai ter mais nada”. E uma dona de casa sublinha que “o povo já não aguenta os que já estão a viver aqui, quanto mais os que ainda virão”.

Outra dificuldade é a própria desaceleração económica do País, que pode frustrar quem busca um recomeço no Brasil, como indica o antropólogo Cláudio Bertolli Filho. “Infelizmente, o Brasil vive hoje uma crise económica grave e quando esses indivíduos chegam não encontram aquela facilidade que esperavam para se integrarem inclusive no mundo do trabalho”.

Hoje, o Brasil abriga refugiados de oitenta e uma nacionalidades.
Os angolanos representam o terceiro maior grupo, atrás apenas de Sírios e Colombianos. (dw.de)

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