“Angola pode inspirar-se com exemplo sul-coreano” – Albino Malungo

Albino Malungo (Dir) e Gung Ui-hua, embaixador de Angola e o Presidente do Parlarmaneto da Coreia do Sul (FOTO: CEDIDA PELA EMBAIXADA)

Seul – Preso aos 20 anos de idade um dia antes da proclamação da independência em 1975, o embaixador Albino Malungo afirma em entrevista à Angop que o país cresce rumo à realização do sonho de todos em transformar-se numa nação próspera para viver e considera a Coreia do Sul parceira especial para Angola, pela sua experiência e história da sua colonização.

Albino Malungo (Dir) e Gung Ui-hua, embaixador de Angola e o Presidente do Parlarmaneto da Coreia do Sul (FOTO: CEDIDA PELA EMBAIXADA)
Albino Malungo (Dir) e Gung Ui-hua, embaixador de Angola e o Presidente do Parlarmaneto da Coreia do Sul (FOTO: CEDIDA PELA EMBAIXADA)

Eis na íntegra a entrevista feita na capital sul-coreana (Seul):

(Por Geraldo Quiala)

Angop: Como classifica as relações entre Angola e Coreia do Sul?

Albino Malungo (AM) – A Coreia do Sul é um parceiro especial para Angola, é um parceiro ideal. As relações de amizade são extremamente boas. Somos um país conhecido pelos sul-coreanos. Angola conhece a Coreia do Sul. A Coreia do Sul é um país inspirador para Angola do meu ponto de vista para aquilo que Angola aspira. É um país desenvolvido, é de paz, ideal para todos os angolanos. As relações são boas.

Para mim, seria uma das melhores propostas de parceria especial com Angola, parceria estratégica, tendo em conta a experiência, pelo passado colonial também. Era dos países mais pobres do mundo até os anos 60 e hoje está entre as 15 melhores economias do mundo e entre os 7 mais industrializados. Portanto, como cidadão angolano, proponho e sugiro esta parceria estratégica.

Angop: Angola e Coreia do Sul cooperam há mais de 20 anos. Não é chegado o momento de reavaliar os protocolos assinados?

AM – Em 23 anos de amizade e de cooperação entre Coreia do Sul e Angola, temos protocolos no domínio dos petróleos, tecnologias de informação, ambiente, radiodifusão, domínio científico e técnico, económico e cultural. Há um acordo geral de cooperação que abrange tudo isso, embora tenha destacado estes. Quero pensar que este ano teremos a oportunidade de organizar a terceira comissão mista Coreia do Sul –Angola. Faremos uma reavaliação do estado actual da nossa cooperação e temos propostas de incremento em outras áreas como a agricultura, saúde, infra-estruturas, que são os mais interessantes para o nosso mercado.

Angop: E onde será esse encontro: Luanda ou Seul?

AM – Em princípio, poderá ser Luanda. Estamos a discutir ainda para que seja no último trimestre do ano. Nesse momento, o nosso governo está a analisar o documento para depois dizer qual a melhor proposta e enviar para a Coreia do Sul.

Angop: Que áreas considera cruciais para o desenvolvimento de Angola?

AM – São aqueles que tocam os interesses de todos, que fazem com que o país cresça, ande. Nós precisamos, primeiro, investir na educação, por ser o primeiro factor de combate à pobreza, à miséria, à desigualdade social, à intolerância. É a educação. Estamos em bom caminho. Fiquei feliz quando o presidente do Banco Mundial, durante o Fórum Mundial da Educação aqui em Seul, destacou no discurso oficial o engajamento do executivo angolano no sector da educação. Claro, ficaremos afectados agora com o problema do baixo preço do petróleo no mercado mundial, mas penso que esta aposta do Estado é uma referência. Para mim, educação e infra-estrutura são as áreas principais e mais comuns para os interesses de todos.

Angop: No domínio da saúde, como se pode definir a cooperação bilateral?

AM – Falta ainda acções concretas. Houve sim há dois anos uma formação com alguns médicos angolanos, aqui, e foi bastante relevante. Para mim, a Coreia do Sul é um dos mais evoluídos ao nível da Saúde, como acabaste de constatar. Os hospitais são da melhor referência mundial, o turismo médico é cada vez mais grande. Temos visitado muitos e também conversado e sugerido muitos hospitais para estabelecerem parcerias com hospitais angolanos, sobretudo as clínicas privadas.

Angop: A Hankuk University for Foreign Studies disponibilizou recentemente bolsas de estudos para angolanos. Quais são os sinais deste protocolo anunciado pelo reitor da universidade, Kim In Chul?

AM – Uma das minhas prioridades, além de representar aqui o estado angolano, é a relação com a Academia. Porque este é um país puramente académico. É um país em que existe mais de 400 centros de formação superior. Há uma cidade com 250 mil habitantes e tem 13 universidades. Quer dizer que é um país de universidades. Todos os dias encontramos possibilidades de bolsas para angolanos. A Hankuk é uma delas. Há dias visitamos a Bankuk, a Korea University, o Kid High. Temos várias propostas de bolsas e estamos a encaminhar para uma comissão criada pelo governo, no âmbito da formação de quadros.

O mais importante é que queremos que venham mais angolanos aqui na Coreia do Sul. Temos 40 angolanos e queremos mais. E aproveitamos esta oportunidade para lançar a mensagem aos estudantes angolanos, sobretudo aqueles que não encontram oportunidade de estudar em universidades, que olhem para Coreia do Sul. O grande limitante que encontro muitas vezes é a língua. O coreano aprende-se, embora seja língua difícil. Mas já temos alguns angolanos a falar muito bem o coreano e também o inglês. Portanto, muitos estudos são feitos em inglês. Particularmente, dou aulas na Universidade Hankuk, por semestre. Não sou remunerado. O valor da remuneração é convertido em bolsas de estudo. Cada semestre há a oferta de duas bolsas para angolanos. Há dias colocamos um órfão. Quanto ao resto, vamos discutir com quem de direito para que esse processo continue.

Angop: Educação, Saúde e Tecnologia parecem ser as áreas mais apetecidas dos investidores sul-coreanos. No quadro da diversificação da economia angolana, qual tem sido o papel da Embaixada?

AM – O papel da Embaixada é de mobilizador para que o coreano olhe ao mercado angolano e também chamar os angolanos que a Coreia do Sul é um bom lugar para investimento. As empresas que são marca angolana, como a Sonangol e outras, podem, até porque a Coreia do Sul é um país estável, para investimentos. Fazemos encontros regulares com empresas e vamos divulgando todas as facilidades, toda política de mobilização de parceiros, nos sectores privados e públicos. Acho que temos sido bem sucedidos. Todos os dias recebemos pedidos de vistos. Temos manifestações de empresários que querem ir para Angola. O número de vistos vai subindo. Quer dizer que Angola vai estando na agenda do sector empresarial sul-coreano.

Angop: Decorreu em Seul um Fórum Internacional e Angola manifestou o interesse de contar com apoio da Coreia do Sul na criação do Parque Tecnológico em Luanda. Em que estado se encontra este processo?

AM – Há uma proposta que está neste momento na dependência do nosso Ministério da Indústria. Poucas informações disponíveis, mas a bola está do nosso lado, como se diz na gíria.

Angop: A Sonangol e a Daewoo Shipbuilding e Marine Engineering assinaram em Maio acordo de construção de dois navios petroleiros. Sente que Angola está tirar o máximo proveito do know-how da Coreia do Sul ou pode incrementar outras acções em mais áreas de investimento?

AM – Não estamos a aproveitar um por cento sequer das potencialidades sul-coreanas em diversos domínios. Temos muito a barreira língua, talvez, e alguns pensam que a Coreia do Sul está longe. Mas os interesses encurtam a distância. Em 2014, visitaram Angola cerca de 2 mil e 500 coreanos, e aqui vieram cerca de 300 angolanos, a maioria estudantes, pesquisa de escolas, e outros turistas. Também vieram alguns empresários. Penso que agora, no quadro da diversificação da economia, seremos capazes de procurar um pouco mais da mais-valia da parte deles, que é um grande exemplo. Este país não tem nenhuma reserva de recursos naturais. Este país só tem homens. Este país cresceu com adversidades. Com acções tecnológicas, este país tem experiências boas para nos transmitir.

Há uma marca da Coreia do Sul que já lidera o mercado angolano, que é a Hyundai. Depois o angolano gosta do produto sul-coreano, nomeadamente Samsung e LG. Tentamos conversar regularmente com essas empresas para que aumentem a sua presença em Angola. E precisamos inovar cada vez mais as nossas realidades. Precisamos criar mais facilidades na questão migratória. Há um acordo migratório, que aliás não citei, mas que existe, para a isenção de vistos em passaportes diplomáticos e de serviço. É um passo importante. Mas mais importante será a isenção total de vistos, que é o que nos propõem os sul-coreanos.

Com vários países da América Latina, como da Europa, eles têm isenção de vistos por três meses. Eles precisam também que Angola comece a pensar nisso. Acho que isso vai ajudar muito. Esse povo não imigra. O coreano adora sua cultura, comida, etc. Ele quando vai, vai com um interesse económico, pelo que temos de ir falando, analisando junto das instituições sobre a questão, para que se estabeleça mais parceria no domínio migratório e criação de facilidades para mais circulação de pessoas nos dois sentidos.

Angop: Quando os sul-coreanos se deslocam à Embaixada, que informações procuram sobre o país?

AM – Mais informação sobre economia, sobre as facilidades de investimentos. Começa haver também muito coreano interessado no turismo em Angola. Querem saber da facilidade de circulação interna, querem saber das condições de alojamento, porque há muito turismo sul-coreano para África do Sul, Tanzânia, Quénia. Então já começa haver interesse também de fazer turismo em Angola, o que é muito bom.

Angop: Quais são as expectativas dos empresários sul-coreanos sobre Angola?

AM – Muitos olham para a concorrência, com outros países. Os coreanos normalmente competem com japoneses e chineses. Querem essencialmente saber quais são as melhores oportunidades para as suas empresas, facilidades e benefícios que o governo angolano concede. Exigem principalmente mais facilidades nos vistos. A grande crítica é o atraso demasiado na obtenção de vistos, emissão de vistos de trabalho. Este é o nosso dia-a-dia, mas já falamos com o SME, que já enviou técnico para Seul estudar os mecanismos de resolução desta questão dos vistos. Quando for regularizada, teremos mais uma arma para dizer que podem visitar Angola porque os vistos estão facilitados.

Angop: O número de visitantes sul-coreanos para Angola e sentido inverso é satisfatório?

AM – Não é satisfatório. Estamos a emitir mensalmente uma média de 200 a 250 vistos para sul-coreanos. Em 2013, visitaram Angola cerca de 3 mil sul-coreanos. Vieram 702 angolanos para Coreia do Sul. Em 2012, ano da Expo, vieram 703 angolanos e outros tantos empresários passam por aqui. Pode ser que haja mais angolanos a visitar a Coreia do Sul. Em 2014 foram 300 angolanos. Quer dizer que o angolano começa a procurar os lugares certos para contribuir para o crescimento do seu país.

Angop: Experiente como governante (ex-ministro, secretário de Estado e depois governador do Huambo), sente que já deu o suficiente para Angola?

AM – Ainda não estou em idade de reforma, primeiro. Segundo, sou quadro do partido (MPLA). Passei, graças ao MPLA, por universidade de referência mundial. Estudei em Cuba, na Suiça, graças ao MPLA. Estudei no Reino Unido, em Oxford. Estive em Harvard, Estados Unidos, graças ao MPLA. Quer dizer que sou um quadro do MPLA, até que um dia ele diga que estou mais velho e posso ir para a reforma. Enquanto isso, vou ter de cumprar as orientações.

Angop: Ainda tem muito para dar…

AM – Claro. Dependo de uma instituição que me criou e orientou. Agora estou a pagar essa dívida, porque depois de formado tenho de retribuir o investimento feito em mim.

Angop: Nessa trajectória política e diplomática, quais para si os principais ganhos desde que Angola se tornou independente em 1975?

AM – São vários. Para mim, a passagem de economia centralizada para uma economia de mercado é uma resposta certa para a angolanidade, para que a iniciativa privada, a realização individual seja uma componente; as eleições de 1992; o 4 de Abril, dia da paz, em que nos afirmamos daquilo que somos de facto, um país de tolerância, de paz. Penso que estes são os momentos mais marcantes.

Angop: Qual deve ser a estratégia diplomática de Angola?

AM – Há uma agenda e uma política de actuação claras. Há um plano de desenvolvimento económico aprovado até 2017 e uma agenda até 2025. Nós é que temos de saber mostrar ao parceiro estrangeiro que Angola é ideal para os seus interesses e nós fazemos com que o investimento estrangeiro seja de facto de acordo com os nossos interesses de crescimento. Penso que o que vamos fazendo é mostrar facilidades dos incentivos que temos, como o que diz a nossa Lei.

Mostramos a referência especial do nosso sector bancário, que vai crescendo. Isso é uma das grandes preocupações do parceiro em saber como vai o sector bancário, o sistema bancário, o sistema tributário. Nesse momento, somos o país com mais incentivos para o investimento estrangeiro. Portanto, tudo isso temos feito para mobilizar mais parceria e também temos de continuar a apostar no sector privado angolano, porque este, de facto, é que vai ser o grande actor e parceiro do governo para o crescimento.

Angop: Que tipo de diplomacia era feita na primeira década após independência e qual é a de hoje?

AM – Mudou a opção económica e a política também. Não compete a mim fazer outras avaliações, mas agora estamos no rumo certo. Aquela diplomacia antiga era de afirmação, de defesa dos nossos interesses, como nação recente, diplomacia de denúncia da agressão de que éramos vítimas e uma diplomacia de procura de melhores amigos para nós.

Hoje temos uma diplomacia de ajuda, da consolidação da nação, da nossa opção política e social. Hoje é uma diplomacia virada para a economia, sobretudo, porque é crescendo e satisfazendo os interesses de todos que seremos mais nação e de ajuda aos outros. É uma diplomacia de solidariedade. O que nós fazemos a alguns países da região e não só é, acima de tudo, solidariedade, dando exemplo da nossa realidade.

Como nós conseguimos ter paz, a reconciliação nacional, esses exemplos eu tenho aqui. Não vou dizer nomes dos países. Mensalmente tenho mesa-redonda com um grupo de embaixadores para falar da experiência de Angola no domínio da pacificação e reconciliação nacional. Posso citar apenas um caso: o embaixador da Colômbia tem encontro mensal comigo e vários outros. Estamos hoje numa fase não só de diplomacia económica, que ajuda o crescimento de Angola, a afirmação como estado, mas também uma diplomacia de solidariedade para aqueles povos que precisam atingir a estabilidade que nós conseguimos.

Angop: Quando Angola se tornou independente em 1975, onde estava e o que fazia?

AM – Era estudante. Fui ao Bié visitar os meus pais. E no dia seguinte começou a guerra, a Unita tomou o Bié e eu fiquei preso. São momentos que não gosto de recordar. Hoje, quando me encontro com deputado Dombolo e muitos colegas daquela altura, lembramos isso. Na altura, tinha 20 anos de idade. E em Março de 1976 vim para Luanda. Com 21 anos de idade, fui nomeado director geral das Pescas. Desde muito cedo, tive responsabilidade de gestão da vida pública. Por isso, digo que sou produto do partido no poder. A proclamação da independência aconteceu-me na prisão. Estava preso no Bié. Foram momentos duros.

Angop: Quais foram as razões para a prisão?

AM – Foi na altura da intolerância política e quem não tivesse inclinação política deste ou daquele partido, às vezes, pagava com a vida. Minha alegria é que esta fase da história acabou. O que dividia os angolanos já não existe. O povo angolano hoje sabe responder e o país está no caminho certo. Naquela altura, muitos só por terem posto uma camisola significava morte. Hoje isso não se verifica para o nosso bem.

Quando fui preso, estava de calça preta e camisa branca. Rasgaram-me toda roupa. Depois de sair da prisão, dava aulas de inglês. Tinha uma camisa preta, apenas para aguentar toda semana, e lavava-a todas as noites para poder estar bem apresentado no dia seguinte. Hoje nunca mais comprei camisa preta, porque fiquei traumatizado de tanto usar no momento mais crítico da minha vida. O que passamos naquela altura faz parte da nossa história.

Angop: Se tivesse de escolher três grandes momentos de Angola independente, quais seriam?

AM – Como disse antes, destaco primeiro as eleições de 1992. Infelizmente traídas, mas o angolano exerceu a sua cidadania plena; o 4 de Abril, o dia da Paz, porque para mim esse dia marca o encontro da nação. Esse dia mostra que acabou a intolerância, acabaram as diferenças. O dia da reconciliação é muito importante para todos nós. Nascia uma nova nação dentro daquela que já tínhamos. Depois, eu juntaria a aprovação da Constituição da República. É uma bíblia que tenho. Não faço nada sem ela, porque aqui nasce a terceira república.

Angop: Como foi a sua entrada na vida política?

AM – Minha família sempre esteve ligada à política. Temos relação com o Reino do Bailundo. Meu pai também tinha essa origem. Somos 5 irmãos e todos nascemos no Bailundo, por vontade do meu pai, porque minha mãe ao sétimo mês descia para Bailundo até dar à luz para manter a ligação. Esse é um laço e depois meu pai era um activo militante do MPLA no Bailundo. Ele não aceitava outra inclinação política em casa. Todos alinhamos. Meu pai morreu no Bié durante a guerra. Sobre mim, ele dizia: “a minha custa tu vais ser padre” e “a tua custa podes ser o que quiseres”. Esse era o discurso dele. É assim que me colocou no seminário durante 10 anos. Mesmo no tempo colonial, fui preso várias vezes. E no seminário comecei a pensar muito. Sou militante do MPLA desde 1974. O partido mandou-me para Cuba onde estudei Direito Público, pela JMPLA, mais tarde entrei para o comité central.

Angop: Esteve nove anos à frente do Ministério da Assistência e Reinserção Social e também da Cruz Vermelha de Angola. Fale-nos dessa experiência de um período crucial para pacificação de Angola…

AM – Não está ainda bem contada a história sobre tudo que fizemos na Reinserção Social e não adianta avançar agora, porque é o governo que fez. Mas foi um pilar importante para a pacificação do país, reconciliação nacional, estabilidade. Acho que todo mundo acompanhou o processo. Andamos pelo mundo a pedir para que a guerra parasse. Junto de instituições internacionais lutamos para que se respeitassem os direitos dos angolanos, porque em Angola morria-se com facilidade pela situação difícil. Época de minas, enfim de muitas mortes. Foi difícil. Começamos a fazer a desminagem, com brigadas conjuntas, soldados da Unita e do estado angolano.

O primeiro acto de reintegração social dos ex-militares para mim foi esse. O que aconteceu no tempo do MINARS foi o ponto de partida para a pacificação. Fazíamos o programa de reconciliação familiar, pois havia famílias de um lado e doutro. Localizávamos pais e filhos, desencontrados e desavindos. O reencontro da grande família foi nessa altura. Havia momento em que depois de localizado o pai, este recusava o filho, por falta de condições. Isso hoje já não acontece. É preciso contar tudo que o governo fez no âmbito da reconciliação nacional. Foram nove anos de muita batalha e dedicação para a reunificação de famílias desintegradas e desminagem.

Angop: O que dizer da juventude angolana e que futuro se espera dela?

AM – A juventude angolana é bastante emotiva. Bastante patriótica. Precisa mais inputs. Mais conselhos nossos. Nós, os mais velhos, temos de investir mais na nossa juventude, sobretudo no domínio da educação. Nossa principal acção deve ser a educação. Vejo aqui na Coreia do Sul, por exemplo, a educação está muito avançada. Aqui, nota-se que qualquer coreano tem uma educação musical, que é um elemento que podemos muito bem aproveitar. Aqui, cada um, sabe tocar pauta musical. E nós não temos ainda isso.

Angop: Que direcção seguir e como seguir?

AM – O futuro é promissor. Primeiro pela opção que tivemos. Segundo, por todo trabalho que o governo vai fazendo, os investimentos na reconciliação nacional e a consolidação das nossas conquistas. Já não teremos outro destino que não seja o desenvolvimento e uma democracia vibrante. Aplicando os nossos recursos e envolvendo todos, como estamos a fazer, não temos outro caminho. O país já não tem retorno. O mais importante é continuar a investir na educação.

PERFIL
Nome: Albino Malungo
Data de Nascimento: 13 de Dezembro de 1955
Naturalidade: Lunge – Huambo
Função: Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Angola na Coreia do Sul
Formação académica: Jurista especializado em Direito Internacional Público e em Diplomacia Multilateral e Organismos Internacionais, pelas Universidades de Genebra, Oxford e JF Kennedy Scholl of Government de Harvard University.
Cargos exercidos: Administrador dos Estaleiros Navais de Luanda em 1976, director geral da Empromar de Luanda e de outras empresas do Ministério das Pescas entre 1977 e 1980. Assessor jurídico da Secretaria de Estado da Cooperação (1985), Secretário-geral da AAD, organização nao-governamental (1987-90), Vice-ministro da Assistência e Reinserção Social1 (992-1994), ministro da Assistência e Reinserção Social (1994-2002), presidente da Cruz Vermelha de Angola (1998-2006). Embaixador de Angola no Japão e Coreia do Sul (2006-2009). Governador Provincial do Huambo (2009-2010) e é actualmente embaixador de Angola na Coreia do Sul (desde 2011).
Clube de preferência: Vila Clotilde
Cor preferida: Azul (portalangop.co.ao)

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