Angola e China reforçam parceria

Presidente José Eduardo dos Santos recebido pelo homologo chinês XI jINPING (Foto: Angop)

O sorriso rasgado dos Presidentes Xi Jinping e José Eduardo dos Santos, após um firme aperto de mão e um abraço apertado, deixava poucas margens para dúvida em relação ao desfecho das conversações oficiais, ontem, entre delegações governamentais, no Palácio do Povo de Pequim.

Presidente José Eduardo dos Santos recebido pelo homologo chinês XI jINPING (Foto: Angop)
Presidente José Eduardo dos Santos recebido pelo homologo chinês XI jINPING (Foto: Angop)

Angola e a China deram um passo de gigante no aprofundamento da cooperação ao criarem a Comissão Orientadora para Cooperação Económica e Comercial, uma versão evoluída, mais dinâmica e actuante, que a tradicional Comissão Mista de Cooperação Bilateral.

Resultado de conversações oficiais, no âmbito da visita de Estado do Presidente José Eduardo dos Santos à Republica da China, o novo instrumento da cooperação sino-angolana vem dar corpo ao desejo de criar um modelo diferente de parceria estratégica, reciprocamente vantajosa e que inspire futuros acordos entre nações africanas e o gigante asiático.

Sob o olhar atento dos dois líderes, Xi Jinping e José Eduardo dos Santos, foram assinados oito instrumentos jurídicos, que marcam, grosso modo, o virar de página na história da cooperação sino-angolana. Desde logo, o Memorando de Entendimento entre a Casa Civil do Presidente da República, o Ministério do Comércio e a Comissão Nacional do Desenvolvimento e Reformas da República Popular da China sobre a criação da Comissão Orientadora para Cooperação Económica e Comercial.

Juntamente com a acta da primeira sessão desse novo mecanismo instrumental da parceria estratégica compõem, em bom rigor, as linhas orientadoras da nova era da cooperação entre os dois países.
As conversações resultaram ainda na assinatura de um memorando sobre a cooperação no domínio da aviação civil, um acordo de cooperação técnica, e um conjunto de acordos suplementares ao Acordo-Quadro de Facilidade de Crédito. Foi assinado um outro, igualmente de carácter suplementar, sobre o aumento do valor do seguro ao crédito.

As delegações aplaudiram ainda a assinatura de dois acordos de crédito, um para construção do futuro Centro de Formação de Tecnologia Ferroviária e outro para cobrir a primeira fase do projecto da Central de Ciclo Combinado do Soyo. Após a assinatura dos acordos, o Presidente anfitrião ofereceu um jantar oficial à comitiva angolana. Nos discursos de Xi Jinping e José Eduardo dos Santos não faltaram pontos comuns, mas o mais recorrente foi o desejo de aprofundar a cooperação bilateral e torná-la um modelo para futuros acordos entre a China e África. O líder chinês disse que quer fazer da parceria estratégica com Angola, algo mais do que um mera expressão bonita do léxico das relações bilaterais. A China, garantiu Xi Jinping, entra para a nova etapa da cooperação com Angola disposta a mudar a forma de pensar as relações com África.
Já o Presidente José Eduardo dos Santos não tem dúvida em relação ao papel da China nos momentos mais difíceis da história recente de Angola, precisamente quando, depois de terminar a guerra, o país precisou de uma mão amiga para reerguer-se dos escombros.

“A República Popular da China foi o país que mais depressa compreendeu a situação difícil pós-guerra em que Angola se encontrava em 2002 e qual o apoio que lhe poderia dar para a reconstrução nacional”, lembrou José Eduardo dos Santos.

O líder angolano sublinhou que foi por causa da ajuda que, em poucos anos, Angola conseguiu grandes progressos, tornando-se hoje o segundo parceiro da China em África. “Os nossos países têm imensas potencialidades para valorizar e podem ir mais longe, estabelecendo programas bilaterais de cooperação mais realistas e definindo correctamente as prioridades”, defendeu.

Receita para o sucesso

Xi Jinping e José Eduardo dos Santos concordaram em que o êxito dessa empreitada passa necessariamente pelo pragmatismo na abordagem dos temas de interesse comum, o estreitamento dos laços culturais e o reforço da confiança mútua.

A China é actualmente o primeiro maior parceiro comercial, o maior mercado de exportação de petróleo e o principal país de financiamento de Angola. É do interesse dos dois lados que a China seja também o maior país de investimento de Angola.

Da segunda maior economia do mundo, Angola ainda vai beneficiar de apoio para construção de parques industriais, zonas económicas especiais e outras infra-estruturas e também na formação de talentos.

Xi Jinping garante apoio

Desde a véspera das conversações é grande a expectativa à volta do acordo financeiro entre a China e Angola. Foram mencionados os acordos, mas nada transpirou quanto a números. O Jornal de Angola sabe que ainda estão em curso negociações e esse dado deve estar disponível lá mais para o fim da visita do Presidente José Eduardo dos Santos à China.

O director do Departamento para África do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Li Lil Songtian, disse não estar em condições de adiantar números e confirmou apenas a promessa do líder chinês de ajudar Angola a superar, “o mais breve possível”, as dificuldades económicas decorrentes da queda do preço do seu principal produto de exportação no mercado internacional.

“O Presidente Xi Jinping prometeu que a China vai ajudar Angola a superar as dificuldades económicas provisórias decorrentes da crise do preço do petróleo no mercado internacional”, confirmou aquele alto responsável da diplomacia chinesa, antes de garantir que as empresas chinesas vão ter incentivos para fazer investimentos e abrirem negócios em Angola.

Líder de prestígio mundial

O líder parlamentar chinês, Yu Zhengsheng, elogiou a liderança do Presidente José Eduardo dos Santos, a quem reconheceu “grande mérito” pelos “importantes progressos que Angola registou nos últimos anos”, deixando para trás um longo período de guerra, de insegurança e de pobreza. O presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, órgão consultivo político da República Popular da China, considerou o Chefe de Estado angolano “um líder africano de prestígio mundial”, que tem sido, como referiu, um grande impulsionador da cooperação sino-angolana.

Yu Zhengsheng e José Eduardo dos Santos reuniram-se ontem no Grande Palácio do Povo de Pequim, a sede do poder legislativo chinês, primeiro ponto da agenda de trabalho do Chefe de Estado angolano, na visita de três dias à China. O Presidente José Eduardo dos Santos aproveitou o encontro com Yu Zhengsheng para expressar a sua solidariedade para com o povo chinês devido à tragédia que foi o naufrágio de uma embarcação com 458 pessoas a bordo no rio Yangtze.

O líder angolano, que já tinha  endereçado uma mensagem de condolências pela tragédia do rio Yangtze, ainda antes de deixar Luanda, no passado domingo,  agradeceu a forma “calorosa e amiga” como foi recebido na República Popular da China.

O Presidente José Eduardo dos Santos assinalou, igualmente,  o pujante crescimento da China em todas as áreas. (jornaldeangola.ao)

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