Vandoma: Bloco desafiou Câmara do Porto a fazer “reunião pública”

(Foto: Tiago Ribeiro)

O Bloco de Esquerda (BE) desafiou hoje o presidente da Câmara do Porto a promover uma “reunião pública” sobre a feira da Vandoma, considerando “perfeitamente possível” mantê-la nas Fontainhas se a autarquia cumprir as funções reguladoras que lhe competem.

(Foto: Tiago Ribeiro)
(Foto: Tiago Ribeiro)

“Queria deixar um apelo ao presidente Rui Moreira para que promova uma reunião pública na Câmara, em que toda a gente do Porto possa participar, desde os vendedores aos moradores, para que se discuta o que é preciso fazer para melhorar a instalação da feira da Vandoma nesta zona da cidade”, afirmou o deputado do BE José Soeiro em declarações à agência Lusa durante uma visita à feira.

Referindo-se ao período de discussão pública em curso sobre a proposta da maioria camarária para alteração da localização da feira da Vandoma do Passeio das Fontainhas para a Alameda de Cartes, na zona do Cerco, freguesia de Campanhã, devido a queixas da população residente, Soeiro considerou ser “importante aproveitá-lo para perceber em que é que autarquia está a falhar”.

“Porque quem está a falhar aqui essencialmente é a autarquia, que é quem tem a responsabilidade de gerir e de criar as condições – de funcionamento, de limpeza e de regulação na disposição das pessoas no espaço – para que a feira decorra da melhor forma possível e para que os vários interesses, que são perfeitamente conciliáveis, sejam tidos em conta”, sustentou.

A este propósito, o deputado e dirigente nacional e distrital do BE recordou que “a história da última década na cidade” do Porto tem sido, “em todas as zonas com vista direta e privilegiada para o rio [Douro], de expulsão das populações mais pobres”.

“Isso aconteceu no bairro do Nicolau e na zona do Aleixo”, recordou, considerando que, se estivesse algo semelhante em causa na zona das Fontainhas, “seria inaceitável”.

De acordo com José Soeiro, “se houver vontade de melhorar o funcionamento da feira e de garantir que os interesses de toda a gente, nomeadamente os interesses da cidade, são acautelados, é perfeitamente possível manter a feira” nas Fontainhas.

“Os contactos que hoje aqui tivemos mostram que está toda a gente disponível e com boa vontade para melhorar o funcionamento da feira, mas há também a expectativa de que a autarquia, que inclusivamente recebe o valor das licenças [pagas pelos comerciantes], possa ter um papel”, sustentou José Soeiro, acrescentando: “Agora melhorar a feira não é transferi-la para outro sítio, é valorizá-la e garantir que ela pode decorrer aqui nas melhores condições possíveis”.

Conforme salientou, a feira — que há cerca de 30 anos se realiza no Passeio das Fontainhas – “tem uma história na cidade”: “É uma feira popular, que atrai muita gente, quer do Porto, quer de fora, e que faz parte da alma da cidade”, considerou.

Quanto aos problemas a resolver, o BE reitera serem “justamente da responsabilidade da Câmara” que, “apesar de até receber dinheiro pelas licenças, abandonou completamente a feira, quando deveria era valorizá-la e transformá-la num fator de atração, como acontece em todas as cidades europeias com alguma dimensão”.

Em declarações à agência Lusa, Isabel Rodrigues, feirante na Vandoma, assegurou que a feira arrancou esta manhã como de costume, apesar de a Câmara prever a sua suspensão, a partir de hoje e por cinco fins de semana, devido aos preparativos para as festas do S. João.

“Foi uma noite longa e uma luta enorme para conseguirmos aqui estar. A polícia tirava-nos os panos, metia-os no balde do lixo, arrancava-nos as fitas e a gente punha-as. Mas, depois de nos cansarmos de andar nesta guerra, fizemos um debate com a polícia e deixaram-nos fazer a feira, até porque já pagamos o mês de maio”, afirmou.

Contactadas pela Lusa, fontes da Polícia Municipal do Porto e da PSP afirmaram, contudo, não ter registo de quaisquer altercações no local. (noticiasaominuto.com)

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