Universidade Aberta: uma parceira para a comunidade

DOMINGOS CAEIRO Vice-Reitor da UAB
DOMINGOS CAEIRO Vice-Reitor da UAB
DOMINGOS CAEIRO
Vice-Reitor da UAB

A Reestruturação Orgânica e reorganização dos serviços teve como objetivos implementar melhorias ao nível dos serviços de suporte, quer quanto à operacionalização administrativa e logística da UAb, quer no apoio aos órgãos de decisão, resgatando as áreas que, compreensivelmente, não progrediram ao ritmo daquilo que se estava a desenvolver na atividade primordial, aquando da criação do modelo pedagógico virtual e da implementação ambiciosa do programa de formação de docentes e tutores. Outro dos objetivos foi o de acentuar o vínculo de ligação à sociedade e apostar numa ligação instrumental com nossos estudantes, através da rede dos Centros Locais de Aprendizagem (CLA).

A nova postura da UAb tinha que traduzir uma imagem consentânea com os seus valores, a sua cultura e a sua personalidade. Sabemos que o contexto político-organizacional do ensino superior tende a promover modos e práticas de atuação convergentes nas Instituições de Ensino Superior (IES) em Portugal, o que permite comparar os sistemas de informação e de gestão que estão a ser utilizados no desenvolvimento do core business das respetivas instituições.
Deste modo, e agradecendo a excelente colaboração dos elementos do Gabinete de Gestão Académica e Curricular, pretendo com este texto dar outra visibilidade a um estudo realizado no princípio deste ano (2015) intitulado “IMPLEMENTAÇÃO E INTEGRAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO E GESTÃO NAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DE ENSINO SUPERIOR – Inquérito às Instituições Públicas de Ensino Superior”. Este estudo resultou de uma iniciativa conjunta do Gabinete de Estudos, Avaliação, Planeamento e Qualidade do ISCTE-IUL, do Instituto Politécnico do Porto e da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência do MEC posicionando a Universidade Aberta (UAb) num nível elevado de implementação e integração dos sistemas de informação e de gestão.

O estudo “Implementação e Integração dos Sistemas de Informação e Gestão nas Instituições Públicas no Ensino Superior”(1) a que convinha dar alguma atenção nomeadamente porque reconhece o trabalho que a UAb, com os parcos recursos financeiros que dispõe, tem desenvolvido no contexto das IES, apresenta e analisa um conjunto de itens ao nível: da implementação das componentes dos sistemas de informação/plataformas (SI/P); da internalização/externalização do desenvolvimento dos componentes dos SI/P; da integração dos componentes dos sistemas de informação (SI) e da implementação dos módulos da componente de gestão académica.

A análise do estudo permite concluir aspetos interessantes, como por exemplo:
• 55% das IES inquiridas apresenta um nível elevado de implementação dos sistemas de gestão e informação, ao nível de implementação dos componentes dos SI/P;
• As componentes de Gestão Financeira e Contabilística (GFC), de Gestão Académica (GA) e as de Gestão de Recursos Humanos (GRH) estão presentes nos SI na totalidade das instituições respondentes;
• Estão presentes nos sistemas de informação as componentes de Aprovisionamento e Gestão Patrimonial (AGP) a 95%, de Repositório Institucional (RI) a 80% e de Registo da Produção Científica (RPC) a 70%;
• Apenas 45% das instituições tem a componente Avaliação do Desempenho de Docentes e Investigadores (ADCI), sendo a componente que apresenta o valor mais baixo do nível de implementação.

Salienta-se ainda que cerca de metade dos sistemas utilizados (46%) foram desenvolvidos internamente (total ou parcialmente) pelas instituições e 54% externamente. A componente/plataforma de SI relativa a ADDI foi desenvolvida internamente pelas IES inquiridas que tem esta componente nos seus Sistemas de Informação. As componentes de Registo da Produção Científica (RPC) registam um valor de 73% e a de Gestão Académica (GA) 68%, demonstrando assim um desenvolvimento interno elevado.

Em contrapartida, nas componentes/plataformas de SI de GRH (25%), GFC (15%) e de AGP (11%) verifica-se menor desenvolvimento interno (total ou parcial) nas instituições inquiridas.
Quanto ao nível de integração das componentes dos SI, 30% das IES respondentes mostram um nível de integração elevado entre os diferentes componentes, 35% regista um nível médio e os restantes 35% apresentam um nível reduzido de integração entre esses mesmos componentes.
No que se refere ao nível de implementação dos módulos da componente de Gestão Académica, cerca de 65% das IES inquiridas mostra um nível elevado de implementação dos módulos desta componente, 29% um nível médio e apenas 6% um nível reduzido.
O módulo dos Sistemas de Ensino e Gestão Académica da Instituição está implementado em todas as IES inquiridas, sendo seguido com 94% de implementação nos módulos da Gestão de Horários (GH), da Gestão de Tesouraria/Pagamentos (GT/P), da Gestão de Avaliação e Lançamento de Notas (GALN), da Gestão do Processo de Aula/Sumário de Aula (GPA/SA) e da Gestão de Certificados e Diplomas (GCD).
Os módulos da componente de GA onde se verifica um nível baixo de implementação sao os módulos da Gestão de ensino a distância (EaS, e-learning) e da Gestão do Processo de Alumni (GPA); estas componentes estão apenas em 35% e 29%, respetivamente nas instituições inquiridas.

A Universidade Aberta em destaque
Nos diversos níveis que acabámos de elencar, a UAb destaca-se posicionando-se no 2.º lugar:
• Nas componentes presentes nos SI das instituições públicas de ensino superior segundo a instituição de ensinoapresentou a implementação dos seguintes módulos:
Aprovisionamento e Gestão Patrimonial,
Gestão Académica; Gestão Documental;
Repositório Institucional;
Gestão de Recursos Humanos;
Registo da Produção Científica;
Avaliação do Desempenho de Docentes e Investigadores;
Gestão Global e Estratégia;
Outro (1): SITCON- sistema de comunicação online;
Outro (2) Plataforma de ensino a Distância.

• Na Designação técnica/comercial dos componentes de SI, internalização/externalização do desenvolvimento dos componentes de SI:

Tabela

• No Nível de integração dos componentes de SI na gestão das instituições públicas de ensino superior

Tabela 2

No item Percentagem de desenvolvimento interno (total ou parcial) dos componentes dos SI/plataformas segundo a instituição de ensino superior a Universidade Aberta atinge uma percentagem de 50%, posicionando-se em 5.º lugar.

Por último, a UAb, no cômputo geral, está posicionada em 3º lugar comparativamente com as suas congéneres, situando-se em todas as componentes no nível elevado, com destaque para a componente da Gestão Académica onde ocupa a primeira posição. Este resultado positivo deve-se ao forte investimento em Inovação e em Tecnologia a que a UAb tem dado prioridade, para consolidar a modernização dos seus sistemas, de modo a garantir a qualidade dos serviços prestados.

As organizações modernas enfrentam grandes desafios obrigando-as a repensar a forma como adaptar-se ao ambiente onde estão inseridas. Perante um mundo de mudanças constantes e rápidas procuram repensar os seus modelos de intervenção e de atuação, sendo inovadoras e flexíveis face as exigencias impostas pela sociedade. Ambicionam ser singulares na forma como se posicionam e é este aspeto que diferencia as organizações umas das outras.

A UAb é hoje uma universidade bem diferente da que existia há 8 ou 9 anos atrás. Nessa altura estava a caminho de ser uma universidade inteiramente virtual, hoje está totalmente empenhada e orientada para o desenvolvimento de processos pedagógicos sintonizados com o uso extensivo dos instrumentos tecnológicos, plataformas de gestão de aprendizagem, bem como a integração progressiva de ambientes pessoais de aprendizagem. No entanto, a UAb carece todavia, para o seu equilibrado desenvolvimento e para poder ativamente contribuir para a expansão do EaD, acima referida, de condições de atuação e de apoio político que até agora nao teve.

Olhando os desafios a enfrentar, importa mencionar ações concretas em desenvolvimento ou em adiantada preparação. Elas devem ser encaradas nao apenas como um segundo grande impulso de mudança da UAb, mas como corolário dos novos desafios, decorrentes de propostas legislativas em curso que configuram uma nova missão para o ensino superior a distância em Portugal. Sabendo-se que a UAb não tem o exclusivo do EaD em Portugal, afirma-se aqui claramente que a missão que nos cabe pode (e em certos casos deve) ser concretizada em parceria com outras instituições de Ensino Superior, um caminho que a UAb está disposta a trilhar, com salvaguarda da sua identidade e autonomia institucionais.

Creio que o Ciclo de Conferências que a UAb vai promover, com a chancela do seu Conselho Geral, será um espaço para se poder redesenhar o “mapa” das oportunidades educativas que cabem a UAb. Com este ciclo de conferências, abertas ao público em geral, para qual estão todos os leitores desta Newsletter convidados, procurar-se-á analisar, refletir e debater o estado da arte e definir linhas de ação para o desenvolvimento estratégico nos domínios das políticas educativas e de regulação da educação a distância.

Nota
(1) Estudo a que já nos referimos anteriormente e que foi realizado pelo Gabinete de Estudos, Avaliação, Planeamento e Qualidade do ISCTE-IUL, Instituto Politécnico do Porto e da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência. O estudo teve por base um inquérito aplicado a 20 IES e incidiu sobre diversos aspetos relacionados com a implementação e integração dos componentes dos sistemas de informação, designadamente plataformas; módulos e componentes de gestao académica; funcionalidades utilizadas no apoio a decisão global e estratégica. (newsletter uab)

Prof. doutor Domingos Caeiro
Vice-Reitor da UAb

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