Sócrates confrontado com novos indícios do processo

José Sócrates (Foto: D.R.)
José Sócrates (Foto: D.R.)
José Sócrates
(Foto: D.R.)

Ex-primeiro-ministro foi interrogado no âmbito da “Operação Marquês” pelo procurador Rosário Teixeira, que, na próxima semana, terá papel determinante na decisão sobre a sua prisão preventiva.

Seis meses depois, José Sócrates voltou a estar frente a frente com o procurador Rosário Teixeira, que em novembro de 2014 o interrogou e defendeu a sua prisão preventiva no âmbito da Operação Marquês, por suspeitas de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Ontem, o mesmo magistrado confrontou o ex-primeiro-ministro com novos dados da investigação, e na próxima semana irá fazer a sua proposta ao juiz Carlos Alexandre sobre a situação do antigo governante: mantém-se ou não em prisão preventiva.

Depois de o DN ter avançado em primeira mão na sua edição online que Sócrates se encontrava no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) para ser ouvido, a Procuradoria-Geral da República confirmou a diligência, acrescentando que a mesma tinha “como objetivo principal ouvir o arguido sobre factos entretanto apurados no decurso do inquérito”. Traduzindo: novos factos, que surgiram após a prisão preventiva em novembro de 2014. Sócrates saiu da cadeia de Évora pouco depois das 13.00, tendo chegado a Lisboa pelas 15.00. O interrogatório prolongou-se durante a tarde.

E que factos novos poderão existir? Desde a prisão dos três primeiros arguidos – Sócrates, o seu amigo Carlos Santos Silva (agora em prisão domiciliária) e o ex-motorista João Perna (que depois de ter estado em prisão domiciliária está desde fevereiro em liberdade provisória com apresentação semanal às autoridades) -, a investigação recolheu elementos, sobretudo bancários, que colocaram outras pessoas no processo. O primeiro foi Joaquim Barroca, administrador do Grupo Lena, suspeito de ter transferido perto de três milhões de euros, em 2007, para uma conta de Santos Silva, dinheiro esse posteriormente utilizado por José Sócrates, segundo tem referido a investigação. Porém, por um conta de Joaquim Barroca, e com destino a Carlos Santos Silva, também terão passado outros milhões com origem em Hélder Bataglia, um empresário com ligações ao Grupo Espírito Santo. Aparentemente, este dinheiro estará relacionado com um negócio entre Bataglia e um primo de José Sócrates relativo à compra de umas salinas em Benguela (Angola), nas quais Santos Silva teria uma participação económica. Também nos últimos meses, a investigação terá recolhido vários depoimentos sobre os factos do processo e, ontem, Sócrates poderá ter sido confrontado com os mesmos: sobretudo relacionados com os negócios feitos pelo Grupo Lena com a Venezuela, os quais passaram pela construção de milhares de casas prefabricadas. Um negócio que teve o pontapé de saída durante os mandatos de Sócrates como primeiro-ministro.

Medida de coação

Além dos factos novos, com o interrogatório de ontem, o procurador Rosário Teixeira também pretendeu avaliar se se mantém o perigo de perturbação da investigação. Em março, o Tribunal da Relação de Lisboa considerou não existir perigo de fuga, mas que o de perturbação da investigação estava presente. (dn.pt)

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