Rio só avança para Belém se coligação vencer as legislativas

Rui Rio (Fernando Veludo )
Rui Rio (Fernando Veludo )
Rui Rio (Fernando Veludo )

Antigo secretário-geral do partido vai esperar pelo resultado das eleições para anunciar a sua decisão, juntando-se a Marcelo e a Santana.

Muitos ambicionam vê-lo em Belém, outros empurram-no para a liderança do PSD. Para já, Rui Rio vai esperar pelo resultado das eleições legislativas para a anunciar a sua decisão para disputar as presidenciais de 2016. É provável que em Outubro torne pública a sua decisão, esclarecendo de vez se entra na corrida à Presidência da República ou se responde ao apelo de muitos que o desafiam a ser líder do partido.

O antigo secretário-geral de Marcelo Rebelo de Sousa, que sucedeu a Fernando Gomes na liderança da Câmara do Porto durante doze anos, tem dado sinais de que pretende regressar à vida pública e essa tem sido, de resto, a mensagem que se tem empenhado em passar para o país em todas as iniciativas em que participa. E têm sido muitas.

Numa altura em que cresce a expectativa sobre uma possível candidatura a Belém, Rio mantém a serenidade, encontrando-se ainda a reflectir sobre que caminho vai seguir: se apanha o comboio das presidenciais ou se avança para a liderança do PSD, caso o partido tenha um mau resultado no combate das legislativas.

Tendo em conta o perfil do ex-autarca portuense, muitos daqueles que com ele se cruzam nas iniciativas para as quais é convidado já lhe vaticinaram o futuro: “Rui Rio tem um perfil que condiz muito mais com um cargo executivo do que com um cargo mais institucional, como o de Presidente da República”. Em privado, o ex-presidente de câmara, deixa escapar aos mais próximos que não se sente particularmente seduzido pelo charme protocolar e por cargos que tenham uma componente de reserva muito grande, como é o caso da Presidência da República. Mas, para já, está tudo em aberto.

A trabalhar em duas multinacionais, uma na área dos recursos humanos e outra da saúde, Rio navega por enquanto nas águas desta ambiguidade sem saber para onde cair. Aparentemente, o seu timing vai de encontro ao prazo apontado por Marcelo, que obrigou Pedro Santana Lopes a ir a reboque, atirando o anúncio da sua candidatura também para Outubro.

A entrada em cena de António Sampaio da Nóvoa, que pode vir a congregar os votos das esquerdas, veio baralhar as contas da coligação PSD/CDS-PP, abrindo as portas ao candidato mais à esquerda do espaço do centro-direita, que é Rui Rio. E Marcelo Rebelo de Sousa até deu pistas para uma possível candidatura de Rio, defendo que ele está pronto para avançar antes das legislativas. Mas fez mais. Disse que tem de ganhar à primeira volta, deixando pairar a ideia de que, se for à segunda volta, perde para o candidato da esquerda.

A própria coligação governamental veria vantagens em ver Rio anunciar por estes dias a sua disponibilidade para protagonizar uma candidatura a Belém. Porquê? Porque, desta forma, Rui Rio daria um élan positivo à coligação, uma vez que se trata de um ticket, uma solução global, que comporta pacote das legislativas com candidato presidencial, e também porque, ao avançar, afastaria o professor-comentador da corrida.

Não foi por acaso que as direcções nacionais do PSD e do CDS fizeram uma alteração no acordo pré-eleitoral no qual a coligação se compromete a dialogar para apoiar “um candidato comum” às presidenciais de 2016, “preferencialmente após as legislativas ”deste ano.

Aparentemente indiferente aos jogos de Marcelo, o ex-autarca do PSD não fala, mas vai deixando escapar nas suas prédicas públicas que estará disposto a assumir as suas responsabilidades se sentir que há uma “franja grande da sociedade” que deseja o seu regresso à vida política activa. “Se eu vier a avançar para um desses cargos, será, seguramente, muito mais na lógica de serviço público do que me sentir atraído pelo charme protocolar”, chegou a afirmar em privado.

O psiquiatra Carlos Mota Cardoso, que escreveu o livro Rui Rio – Raízes de Aço, que será lançado na quinta-feira e no qual lhe traça o perfil psicológico, considera que ele “daria um excelente primeiro-ministro”. Mas também admite que poderia ser um “óptimo Presidente”.

Seja como for, o caminho para a liderança do partido adivinha-se mais espinhoso e o antigo secretário-geral de Marcelo sabe-o, pelo que só irá a jogo se Pedro Passos Coelho tiver um resultado que desastroso nas legislativas.

Reserva para o partido, mais cedo ou mais tarde
Se assim não for, não avança no imediato para a sucessão de Passos, mas ficará como uma reserva para o partido – e é nesse tabuleiro que muitos dos seus apoiantes jogam. Na opinião de alguns, “o que é importante para o país é ter um PSD forte e, eventualmente, um Governo forte mais tarde, do que ter um Presidente da República”. E Rio subscreverá este pensamento. (publico.pt)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA