Relatório BAD: Economias têm índices aceitáveis

(Foto: D.R.)
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O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) avança no seu relatório sobre perspectivas para 2015 a estratégia que os governos deverão adoptar com vista a suprir ainda mais os défices que se registam.

ANGOLA

De acordo com o African Economic Outlook, a economia angolana terá indicadores mais baixos com o crescimento do produto interno bruto a desacelerar para 3,8 por cento em 2015 e 4,2 em 2016, abaixo dos 4,5 registados em 2014. As reformas estruturais são, assim, imperativas para garantir um desenvolvimento equitativo no futuro, além de melhorar a gestão das receitas do sector petrolífero para se criar mais poupanças.

SWAZILÂNDIA

Apesar de uma orientação orçamental expansionista, o crescimento económico desacelerou para pouco mais de 2 por cento em 2014. Os investimentos do sector privado foram considerados baixos. A incerteza no Sul da União Aduaneira da África Austral (SACU) e os recebimentos de receita em 2015 apelam a reformas fiscais aceleradas, sendo que os benefícios dos actuais fluxos podem ser vistos como sendo elevados. O crescimento do PIB em 2013 atingiu 4,9 por cento e deve ficar em torno deste nível em 2015. O país da África central manteve-se estável numa região marcada por crises políticas e de segurança, mas deve usar o crescimento para reduzir a pobreza. Camarões tem um papel limitado em cadeias globais de valor, além de uma política pró-activa para o desenvolvimento da agricultura promissora, silvicultura e sectores da pecuária e da pesca.

LESOTHO

A economia do Lesotho cresceu 3,4 por cento em 2013 e terá uma média de 4,4 por cento nos próximos dois anos. Com um nível de pobreza de 57 por cento e uma taxa de desemprego de 25, as políticas devem tornar o crescimento mais inclusivo. Têxteis e gado são cadeias de valor chave com grande potencial de crescimento.

NAMÍBIA

O crescimento desacelerou de 3,4 por cento em 2012 para 3,3 em 2013. As previsões para 2015 mostram uma recuperação com a taxa de crescimento subindo para 4,1 por cento, contra 3,5 de 2014. O país beneficiou de amplas reformas estruturais desde 2006 e a boa gestão macroeconómica durante a crise económica global.

ILHAS MAURÍCIAS

 

As Maurícias em 2013 ultrapassaram a África do Sul para se tornarem a economia mais competitiva na África Subsahariana. A África do Sul corre em sentido contrário, registando uma das taxas de crescimento mais baixas da região, 1,4% em 2014, prevendo-se uma ligeira subida para 2,3 em 2015. As razões são a ligeira retoma das exportações e a resolução dos conflitos laborais que apoquentam o país. Mas os analistas falam dos constrangimentos da infra-estrutura eléctrica que só serão resolvidos em 2016. O crescimento do PIB desacelerou ligeiramente a partir de 5 por cento em 2012 para 4,2 em 2013, puxada para baixo pelo impacto negativo das condições de seca e uma demanda global fraca para as exportações de minerais. O défice orçamental deverá aumentar em 2015 por causa da política fiscal expansionista sustentada. A economia é promissora, mas existem ainda riscos associados com as perspectivas económicas mundiais e sul-africana.

TCHADE

A economia poderá crescer acima dos 11,2 por cento de 2014, principalmente graças aos novos campos petrolíferos que entraram em produção. O governo terá de intensificar a disciplina orçamental para cumprir o acordo assinado com o FMI em Julho de 2013 e atingir o ponto de conclusão no âmbito da facilidade de redu- ção da dívida HIPC. Deve apostar na extensão de sectores com elevado potencial, o que contribuirá para um crescimento mais inclusivo.

MOÇAMBIQUE

Em 2013, o PIB real registou um crescimento de 7 por cento, embora inferior ao esperado devido a graves inundações no início do ano. O aumento progressivo da produção de carvão e a implementação de grandes projectos de infra-estruturas, juntamente com a expansão orçamental deverão continuar a impulsionar o crescimento, estimado em 8,5 por cento em 2014 e 8,2 em 2015. O principal desafio é manter-se atractivo para os investidores estrangeiros.

GUINÉ-BISSAU

Regista uma enorme dependência alimentar, um grande atraso tecnológico e um diminuto e depauperado tecido empresarial. A Guiné-Bissau, após a contracção verificada em 2012, recuperou e registou uma taxa de crescimento de 0.3 por cento do PIB em 2013. As exportações e a renovação do envolvimento dos parceiros de desenvolvimento foram os principais factores desse crescimento. Em 2015, deverá atingir 2,6 por cento, contra os 2, 8 de 2014. Há uma menor produção de petróleo – principal motor da economia. As reformas estruturais e sociais fizeram progressos, mas não rápido o suficiente para o Congo alcançar as metas de transformação económica. Embora o país seja rico em recursos naturais, que lhe dão uma vantagem comparativa substancial na integração em cadeias globais de valor (CGV), o seu papel em redes internacionais de produção limita-se principalmente à exportação de insumos primários.

NIGÉRIA

A Nigéria, que após a mudança de base de cálculo do seu produto interno bruto (PIB) passou a ser a primeira economia da África, muito à frente da África do Sul, vai repetir o feito nos próximos dois anos com taxas superiores a 7 por cento (7,2 em 2014 e 7,1 em 2015), isso graças aos sectores não petrolíferos, já que o dos hidrocarbonetos são o grande ponto negro que escurece estas perspectivas.

ZÂMBIA

 

Embora o crescimento real do PIB da Zâmbia permaneça robusto, diminuiu para 6,5 por cento em 2013, em grande parte devido a uma pobre agricultura. Os investimentos em mineração continuam a impulsionar outros sectores, especialmente a construção, transportes e energia. No médio prazo, o crescimento deverá aumentar para 7,4 por cento em 2015, contra os 7,1 em 2014, enquanto a inflação deverá cair abaixo do nível de 2013.

REPÚBLICA CENTRO AFRICANA

A insurreição rebelde levou ao derrube em Março de 2013 do Presidente e ao conflito na República Centro Africana, em que milhares de pessoas morreram. Apesar de uma operação militar internacional, há uma enorme crise humanitária, as instituições estatais entraram em colapso e a economia chegou a um impasse. O governo de transição praticamente não tem fontes de receita e o país enfrenta um futuro incerto.

S. TOMÉ E PRÍNCIPE

Em 2013, o crescimento real do PIB, de 4,3 por cento foi menor do que o previsto. A economia cresceu 4,8 por cento em 2014, devido a um aumento moderado do investimento directo estrangeiro, em particular por parte dos parceiros bilaterais. Este factor levou São Tomé e Príncipe a ser classificado pelo Banco Mundial em 2013 como um país de renda média, em virtude de o seu rendimento nacional bruto per capita ter ultrapassado a USD 1.205 pelo terceiro ano consecutivo.

MALAWI

O crescimento real do PIB de Malawi situou-se 5 por cento em 2013 e deverá acelerar para 6,2 em 2015, contra os 6,1 de 2014, impulsionado pelas exportações de tabaco e crescimento continuado nos sectores-chave da agricultura, indústria e serviços. O principal desafio de curto prazo para o governo é consolidar a estabilidade macroeconómica e melhorar a governação, reforçando ao mesmo tempo o ambiente propício para o investimento privado.

REGIÕES NORTE DE ÁFRICA

É a região menos dinâmica da África, que desde a “Primavera Árabe” de 2011 ficou tocada por grandes incertezas políticas e sociais e, embora deveria recuperar-se após uma ascensão de seu PIB de só 1,9 por cento em 2013, este ano terá uma alta de 3,1. O caso mais eloquente pelas altas e baixas dos números é o da Líbia, cuja economia afundou 12,1 por cento em 2014 por causa das interrupções nas exportações de petróleo pelas divisões regionais e tribais.

BOTSWANA

O desempenho económico do Botswana melhorou em 2013, com o crescimento real do PIB que deverá ter aumentado para 5,4 por cento de 4,2 em 2012, com previsões de curto prazo até 2015 “som restante”, como premissa da melhoria das perspectivas da indústria de diamantes predominante.

ZIMBABWE

A economia permanece num estado frágil, com uma dívida externa insustentável alta, desindustrialização massiva e informalização. A taxa de crescimento médio do PIB foi de 7,5 por cento durante a recuperação económica de 2009-2012. Esta desaceleração económica é devida aos desafios de liquidez, tecnologias obsoletas, os estrangulamentos estruturais que incluem a escassez de energia, défices de infra-estrutura e um ambiente financeiro global volátil e frágil.

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

Registou um crescimento de 8,1 por cento em 2013 e deve continuar, impulsionado pelo investimento no sector de mineração, a melhoria da produtividade agrícola e a reconstrução de infra-estruturas. A melhoria da planificação orçamental e uma política monetária flexível deve conduzir a um reforço das fundações da economia. Apesar dos seus recursos naturais, o país continua a ser um dos mais pobres do mundo, com baixa participação em cadeias de valor globais.

CONGO

Há uma menor produção de petróleo – principal motor da economia. As reformas estruturais e sociais fizeram progressos, mas não rápido o suficiente para o Congo alcançar as metas de transformação económica. Embora o país seja rico em recursos naturais, que lhe dão uma vantagem comparativa substancial na integração em cadeias globais de valor (CGV), o seu papel em redes internacionais de produção limita-se principalmente à exportação de insumos primários. (jornaldeeconomia.ao)

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