Quem tem a ganhar com o escândalo no mercado cambial? (Vídeo)

(Foto: Jessica Rinaldi/Reuters)
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É o último grande escândalo financeiro a abalar o setor bancário mundial. Trata-se de um caso que envolve alguns dos principais bancos europeus e americanos. As multas aplicadas devido à manipulação do mercado de divisas são milionárias. Na verdade, foram anunciadas as mais elevadas penalizações financeiras de sempre e os analistas acreditam que a estória não vai ficar por aqui.

“O que aconteceu foi que os reguladores entraram em ação. Os bancos devem ficar satisfeitos com esta situação.”

A delapidação da confiança pode levar os investidores a repensar as estratégias e a levar o dinheiro para países onde o quadro legal seja mais favorável.

Seis bancos internacionais foram multados em cerca de 5 mil milhões de euros por manipulação concertada do mercado cambial para obter lucros. Em causa estão o JP Morgan, o Citigroup, o Barclays, o UBS, o Royal Bank of Scotland e o Bank of America, que não se declarou como culpado.

Segundo as autoridades, os corretores utilizavam diariamente uma linguagem codificada em salas privadas de chat na web para combinar o valor das divisas. A manipulação do preço das moedas durou de 2008 a 2013.

Bill Baer, do Departamento de Justiça americano, explica que “as taxas de câmbio são os valores através dos quais se compra e vende uma moeda. Os preços são definidos num mercado que é competitivo, tal como em qualquer outro mercado. Mas os membros deste cartel conspiraram para obter lucros através da manipulação dessas taxas. Os bancos envolvidos não são meros atores no mercado. São líderes nesse mercado, representam 25% ou mais das transações anuais feitas no câmbio entre o dólar e o euro. Ocupam uma posição privilegiada para manipular.“

O suíço UBS foi o primeiro banco a assumir casos de má conduta. Por isso, as multas que lhe foram aplicadas são mais reduzidas. Mesmo assim, a Reserva Federal americana ditou o pagamento de mais de 300 milhões de euros pelo envolvimento no escândalo no mercado Forex. As investigações efetuadas apontam para a necessidade de criar um sistema cambial regulado de forma automática.

A jornalista da euronews Daleen Hassan debateu esta questão com Stephen Davie, diretor da ADS Securities em Abu Dhabi.

Daleen Hassan, euronews: Há muitos anos que surgem escândalos relacionados com a manipulação cambial. Porque é que os reguladores não tomam mais medidas para além das multas? Stephen Davie:
É importante salientar que há medidas que foram tomadas. Temos de destacar que as regras do jogo são as mesmas para todos e que não há manipulações nos bastidores. E o que aconteceu agora foi que os reguladores entraram em ação. Os bancos devem ficar satisfeitos com esta situação. Também é preciso sublinhar que a dimensão das multas não tem grande impacto sobre os bancos envolvidos e sobre os investidores. Trata-se de multas relativamente pequenas perante bancos que são muito grandes. O que os investidores regionais querem ver é uma boa liquidez, uma boa margem de negócio e a capacidade de lucrar com os mercados.

Daleen Hassan, euronews: Quais são as consequências deste tipo de violações sobre a estabilidade do mercado cambial e sobre os investidores? Stephen Davie: O mercado cambial, e o mercado Forex, representam mais de 5 biliões de dólares por dia. É um mercado gigantesco, está ligado a todas as transações financeiras. É por isso que o impacto destas multas não será muito significativo.

É importante que as multas existam e que a intervenção dos reguladores seja visível, mas não vai haver consequências sobre o mercado. É também importante dizer que este é um período positivo nos mercados, há muitos títulos voláteis que estão em alta, tem havido dinamismo no mercado do ouro, variações no petróleo. Em junho decorre a reunião da OPEC.

Os investidores no Médio Oriente estão à procura de liquidez, estão à procura de margem negocial. E as coisas estão a avançar depois da intervenção dos reguladores. Daleen Hassan, euronews: Como podem os bancos reconquistar a confiança dos investidores? Stephen Davie: O importante é que os reguladores agiram, aplicaram multas. Isso é crucial para trazer de volta a confiança dos investidores.

Na verdade, a confiança num banco depende dele próprio, na forma como toma opções e nas respostas que tem a dar aos seus clientes. É uma questão individual. Se olharmos do ponto de vista da região do Médio Oriente, o problema não está nos bancos locais, estes bancos não foram multados pelos reguladores.

Daí que acreditemos no regresso dos investimentos aqui. Daleen Hassan, euronews: A região do Médio Oriente pode beneficiar com tudo isto? Stephen Davie: Absolutamente. Este é um momento muito positivo para os bancos desta região e para os investidores no Médio Oriente. É claro que não é bom haver multas e reguladores que têm de controlar a indústria. Mas esta região pode beneficiar muito com o que aconteceu.

Se os bancos tiverem os serviços adequados, os investidores vão regressar e isso só pode ser uma boa notícia. (euronews.com)

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