Putin e a Segunda Guerra Mundial: uma herança familiar e política

Manifestante exibe uma fotografia de Putin no Dia do Trabalho, em São Petersburgo (Foto: OLGA MALTSEVA/AFP)
Manifestante exibe uma fotografia de Putin no Dia do Trabalho, em São Petersburgo (Foto: OLGA MALTSEVA/AFP)
Manifestante exibe uma fotografia de Putin no Dia do Trabalho, em São Petersburgo (Foto: OLGA MALTSEVA/AFP)

Vladimir Putin faz uma interpretação pessoal e ambígua sobre a Segunda Guerra Mundial, baseada em lembranças familiares e em sua visão de Stalin, dirigente que conduziu a URSS à vitória, ainda que reconheça que ele foi um “tirano”.

Desde a sua estreia no cenário político, em 1999, o presidente russo expressou-se a várias ocasiões, em sua biografia oficial e em entrevistas na media, sobre a “Grande Guerra Patriótica”: desde a vivência de seu pai na antiga KGB até aos pactos firmados entre Josef Stalin e Hitler antes do conflito.

– Lembranças de família –

Nascido em 1952, o presidente russo não viveu a ultima grande guerra. O que sabe dela, aprendeu com o que seus pais contavam quando “os amigos e parentes vinham jantar em casa” e pelos arquivos do Estado.

Seu avô, Spiridon Putin, foi cozinheiro na Dacha, casa de campo de um funcionário do Partido Comunista. Sua mãe sobreviveu aos terríveis 900 dias do cerco de Leninegrado. Seu irmão, Viktor, morreu de difteria na cidade sitiada.

Seu pai, que também se chamava Vladimir, pertenceu a uma unidade de sabotagem do NKVD, a antiga KGB. Foi hospitalizado durante vários dias graças a um ferimento causado por uma granada na antiga capital imperial. Quando saiu do hospital, encontrou sua esposa à beira da morte por inanição.

– O pacto entre Alemanha e URSS –

Em Agosto de 1939, Berlim e Moscovo assinaram um tratado de não-agressão que incluía um plano para organizar a divisão da Polónia entre a URSS e a Alemanha e a anexação dos países bálticos pelas tropas soviéticas.

Estes tratados não foram revelados até 1989, no âmbito da perestroika de Mikhail Gorbachov, e ainda hoje explicam a desconfiança da Polónia e dos países bálticos, independentes desde 1991, de Moscovo.

Para Putin, Stalin não teve outra opção que assinar esse tratado depois dos acordos de Munique entre Alemanha, França, Reino Unido e Itália.

“Os dirigentes soviéticos tiveram a impressão de que em Munique não se tratava só de fixar a participação da Checoslováquia, mas também de isolar a URSS e de promover a agressão de Hitler para o leste”, disse o presidente russo.

– Stalin segundo Putin –

Para Putin, Stalin é um “ditador” e um “tirano”, mas foi “sob sua direcção que o país ganhou a Segunda Guerra Mundial”.

Sobre os erros militares de Stalin e o custo humano pago pela guerra, o presidente disse que “é possível culpar os chefes militares e Stalin, mas quem pode afirmar que seria possível ganhar a guerra de outra forma?”.

Por outro lado, sobre o início da Guerra Fria e o nascimento do bloco socialista na Europa central, tem muito claro de quem foi o erro: de Stalin.

“Depois da Segunda Guerra Mundial, tentamos impor nosso próprio modelo nos países do leste europeu, e o fizemos pela força”, declarou o presidente russo. “Isso não foi algo bom, temos que reconhecer”. (afp.com)

 

 

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