PT defende ajuste fiscal na TV e é alvo de panelaço

Apoiadores do PT durante campanha presidencial de 2014 no Rio de Janeiro. 26/10/2014 (REUTERS/Pilar Olivares)
Apoiadores do PT durante campanha presidencial de 2014 no Rio de Janeiro. 26/10/2014 (REUTERS/Pilar Olivares)
Apoiadores do PT durante campanha presidencial de 2014 no Rio de Janeiro. 26/10/2014 (REUTERS/Pilar Olivares)

O PT anunciou nesta terça-feira no seu programa em rede nacional de televisão que todos os integrantes do partido que forem condenados na Justiça serão expulsos da legenda e fez uma defesa do ajuste fiscal que vem sendo promovido pelo governo da presidente Dilma Rousseff.

Durante a exibição do programa petista, houve panelaço em algumas das principais cidades do país em protesto contra o partido, semelhante ao ocorrido quando Dilma fez um pronunciamento pelo Dia Internacional da Mulher, em março.

No programa de 10 minutos nesta terça-feira, o partido também criticou o projeto de lei que regulamenta a terceirização da mão de obra, que tramita no Congresso Nacional, e exaltou a posição da legenda a favor dos trabalhadores.

O programa petista não contou com a participação de Dilma, que já optou por evitar a rede nacional de rádio e TV para fazer seu discurso do Dia do Trabalho, mas defendeu o ajuste fiscal promovido pelo governo e garantiu que será feito sem afetar os direitos dos trabalhadores e os mais pobres.

“No ajuste econômico que o governo está fazendo agora, o PT tem defendido que não se cortem direitos dos trabalhadores. E também que as medidas necessárias não afetem os mais pobres, mas sim quem tem mais recursos”, afirmaram atores que fizeram o programa da legenda.

No programa, o PT fez uma defesa da adoção de impostos sobre “grandes fortunas, grandes heranças e ganhos especulativos”.

Entre as medidas de ajuste enviadas pelo governo ao Congresso estão as medidas provisórias 664, que modifica benefícios previdenciários, e 665, que restringe o acesso a benefícios trabalhistas.

As medidas têm sido alvos de críticas de centrais sindicais, entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT, que avaliam que tiram direitos dos trabalhadores.

Principal figura histórica do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do programa para fazer uma defesa enfática da luta contra o projeto da terceirização da mão de obra, aprovada na Câmara dos Deputados e que agora tramita no Senado.

“Esse projeto faz o Brasil retornar ao que era no começo do século passado. Voltar ao tempo em que o trabalhador era um cidadão de terceira classe, sem direitos, sem garantias, sem dignidade. Nós não vamos permitir esse retrocesso”, garantiu Lula.

“O PT está ao lado do trabalhador na luta contra a terceirização”, acrescentou.

EXPULSOS

O programa do partido também defendeu o fim da impunidade e do combate à corrupção.

“Qualquer petista que cometer malfeitos ou ilegalidade não continuará nos quadros do partido”, afirmou o presidente do PT, Rui Falcão, durante o programa para, logo em seguida, criticar “setores da mídia” que, na avaliação dele, querem “criminalizar todo o partido por causa de erros graves de alguns filiados”.

Logo em seguida, o ator contratado reiterou as declarações de Falcão.

“Você ouviu, qualquer petista que ao final do processo for julgado culpado será expulso. Mas precisamos ter consciência de que há integrantes de vários partidos sendo acusados e investigados, inclusive de oposição, e a Justiça tem que ser igual para todos, não apenas para quem está no PT.”

O partido não citou a operação Lava Jato, que investiga um esquema bilionário de corrupção na Petrobras envolvendo empreiteiras, funcionários da estatal, políticos e partidos, mas afirmou que nos governos petistas “gente importante” foi presa e foi colocada luz sobre a corrupção, ao contrário do que ocorria, segundo a legenda, nos governos anteriores.

O então tesoureiro do partido João Vaccari Neto foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Lava Jato no mês passado. Ele pediu afastamento do cargo após a prisão.

A decisão do PT de expulsar da sigla integrantes que forem condenados na Justiça contrasta com a postura do partido em relação a lideranças petistas condenadas pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão. Naquele caso, o partido manifestou solidariedade aos condenados e avaliou que o julgamento foi político. (reuters.com)

por Eduardo Simões

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