ONU: Conselho de Segurança defende adiamento de eleições no Burundi

(AFP)
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A maioria dos 15 países-membros do Conselho de Segurança da ONU avalia que as eleições previstas para a próxima semana no Burundi devem ser adiadas em razão dos sangrentos confrontos no país – declarou a presidência do órgão nesta quarta-feira.

De acordo com diplomatas, a Rússia manifestou sua discordância, alegando que as eleições são uma questão doméstica.

Durante uma reunião a portas fechadas, os membros do Conselho ouviram o relato do enviado da ONU ao Burundi, Said Djinnit, sobre os confrontos que varrem o país desde que o actual presidente, Pierre Nkurunziza, anunciou que brigaria por um terceiro mandato.

Inicialmente previstas para Maio, as eleições legislativas foram adiadas para 5 de Junho. Já a disputa presidencial está programada para 26 de Junho.

“A opinião que predomina é que as eleições não podem ser organizadas nas circunstâncias actuais”, afirmou a presidente do órgão, a embaixadora lituana Raimonda Murmokaite.

A diplomata citou as tensões no país, o crescente descontentamento e o êxodo de refugiados para os vizinhos como sinais de que “as eleições não serão viáveis”.

No último fim de semana, o Conselho de Segurança condenou o assassinato do líder de um pequeno partido de oposição, Zedi Feruzi, declarando-se “pronto a responder aos actos violentos, ameaçando a paz e a segurança no Burundi”.

O Conselho se encontra dividido sobre as possíveis soluções. A Rússia pede à ONU que ajude o Burundi a resolver a crise sozinho.

Cerca de 30 pessoas morreram nas manifestações que aconteceram há um mês nesse país francófono do leste da África.

Uma tentativa de golpe de Estado orquestrada por soldados em 14 de Maio passado agravou a crise e aumentou o temor de represálias.

A oposição alega que o desejo do presidente de disputar um terceiro mandato viola os termos do acordo de paz de Arusha. Esse acordo pôs fim, em 2006, a 13 anos de guerra civil.

Já os partidários de Nkurunziza defendem que, no primeiro governo, o presidente foi eleito pelo Parlamento, e não por voto universal. (afp.com)

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