OCDE prevê para Angola o crescimento mais baixo desde 2011

Nova marginal de Luanda (foto: D.R.)
Nova marginal de Luanda (foto: D.R.)
Nova marginal de Luanda
(foto: D.R.)

As receitas do governo angolano foram afectadas pela descida do preço do petróleo e deverão levar Angola a registar este ano o crescimento mais baixo desde 2011. Os países lusófonos em África deverão crescer acima dos 3% este ano.

O crescimento da economia angolana este ano deverá ficar abaixo do previsto por Luanda e cair para o valor mais baixo desde 2011. O país lusófono deverá crescer 3,8% em 2015, um valor abaixo dos 6,6% previstos pelo Governo de José Eduardo dos Santos, diz uma estimativa do Centro de Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).

“Em Angola, o crescimento vai manter-se abaixo do registado durante a maior parte da última década, por as despesas do Governo estarem em queda devido às baixas receitas petrolíferas”, pode-se ler no relatório ‘Perspectivas económicas em África 2015’ divulgado esta segunda-feira, 25 de Maio.

Este relatório é elaborado anualmente pelo Centro de Desenvolvimento da OCDE em conunto com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O défice orçamental angolano também deverá ficar acima do esperado por Luanda: 10,6% contra os 7% estimados pelo Governo. Em 2016, deverá cair para 7,7%.

A queda do preço do petróleo nos mercados internacionais levou em Fevereiro o Governo de Eduardo dos Santos a rever em baixa, o crescimento para este ano de 9,7% para 6,6%.

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, com o crude a ter um grande peso na economia angolana. Em 2013, garantiu 76% das receitas fiscais e foi responsável por 98% do total de exportações.

Por seu turno, o crescimento de Moçambique deverá ficar em linha com o estimado por Maputo: 7,5% que, a par da Zâmbia, vai alcançar o maior crescimento na região do Sul de África.

“Em Moçambique o crescimento é principalmente conduzido pelos chamados mega projectos e pelo investimento em grandes infra-estruturas, financiadas pelo investimento directo estrangeiro e o governo”, pode-se ler no documento.

O défice orçamental de Moçambique deverá ficar este ano nos 7,4%, abaixo dos 11,1% do PIB previstos pelo Executivo presidido por Filipe Nyusi.

Para 2016, as previsões de crescimento são mais optimistas face a este ano tanto para Luanda (4,2%) como para Moçambique (8,1%).

Nos restantes países lusófonos, o cenário também é de crescimento. Depois do crescimento de 2% registado em 2014, Cabo Verde deverá crescer 3,1% em 2015 e 3,6% em 2016. O défice orçamental também deverá manter a sua tendência decrescente, 7,1% em 2015 e 6,2% em 2016.

Por seu turno, a Guiné-Bissau deverá crescer 3,9% este ano, depois de um crescimento de 2,6% este ano. Para 2016, está estimado um crescimento de 3,7%. O défice orçamental de Bissau deverá ficar nos 3,9% este ano e 3,4% no próximo.

Olhando para São Tomé e Príncipe, o arquipélago deverá crescer 5,1% este ano e 5,4% no próximo. Já o défice orçamental deverá situar-se nos 7,2% em 2015 e em 8% no próximo.

África continua a crescer

As economias africanas deverão manter em 2015 e 2016 a sua tendência de crescimento, ultrapassando assim o crescimento da maioria das regiões globais e convergindo com as taxas registadas na Ásia. África deverá assim crescer 4,5% este ano e 5% em 2016, valores acima dos registados em 2013 (3,5%) e 2014 (3,9%).

Neste momento, existem vários riscos que poderão pesar sobre este crescimento, como a queda dos preços do petróleo e de outras matérias-primas, a par das consequências do surto de ébola na África Oriental e das incertezas políticas internas em vários países.

Estes riscos poderão assim “atrasar o esperado retorno a níveis de crescimento similares aos verificados antes de 2008”, pode ler-se no relatório. (jornaldenegocios.pt)

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