MPLA pretende conhecimento fiel dos factos sobre descolonização de África

VICE-PRESIDENTE DO MPLA, ROBERTO DE ALMEIDA (FOTO: ROSARIO DOS SANTOS)

O vice-presidente do MPLA, Roberto de Almeida, defende nesta segunda-feira, em Luanda, a necessidade de se reter os eventos que propiciaram as independências dos países africanos, através de debates sistematizados, para o conhecimento das novas gerações.

VICE-PRESIDENTE DO MPLA, ROBERTO DE ALMEIDA (FOTO: ROSARIO DOS SANTOS)
VICE-PRESIDENTE DO MPLA, ROBERTO DE ALMEIDA (FOTO: ROSARIO DOS SANTOS)

“É imperioso que se debata, cada vez mais, e se traga à luz os factos essenciais e esclarecedores que motivaram a descolonização de África, que nem sempre a história registou, para que algumas sombras se retirem das mentes de certas pessoas”, argumentou o dirigente partidário.

Roberto de Almeida advogou este imperativo quando encerrava a palestra sob o tema “África: génese das lutas de libertação contra os impérios coloniais e sua contextualização em continente berço da humanidade”, no âmbito dos 52 anos da institucionalização do Dia de África.

O político lamentou o cenário que se verifica actualmente de branquear a história, com tendência a igualizar tudo que se passou, ignorando os factos reais que ocorreram, atitude que, no entender de Roberto de Almeida, pode operar nas mentes das pessoas e produzir resultados catastróficos.

Retratou a partilha do continente africano pelas potências ocidentais, sem que tivessem em conta à localização dos povos e suas afinidades históricas e culturais, a qual se seguiram dificuldades de vária ordem que alteraram profundamente o quadro pesíco-social dos povos locais.

Lembrou que os acontecimentos ocorridos no continente, posteriores a ocupação, foram uma autêntica revolução que se operou não só sobre a massa de colonizados, mas também sobre a mente e a vontade das potências dominadoras, porque sofreram e foram contagiadas pela revolta dos povos.

“As independências foram conquistadas de diversas formas, não foram processos lineares e pacíficos, mas o certo é que convergiram para uma meta única: a da libertação dos povos”, sublinhou, acrescentando que este facto por si só não bastou, porque haveria também a necessidade da libertação económica.

“Mas a libertação política foi um grande passo que não pode ser menosprezado”, realçou o vice-presidente do MPLA, que falava para um auditório constituídos por quadros e funcionários da sede nacional do partido.

Evocou que os povos atravessaram várias vicissitudes e com maior ou menor organização nas suas fieiras, conseguiram finalmente libertar-se do domínio que imperava sobre vastos territórios do continente africano.

“Aqueles que não admitiam nem pensavam sequer em ceder um palmo de terra dominada, tiveram que se vergar à vontade libertadora dos povos africanos, cimentada há 50 anos em Bandug, Indonésia, onde povos africanos e asiáticos se reuniram para tornar claro que o pretendiam”, disse.

Nesta perspectiva, Roberto de Almeida notou que o traço comum da libertação dos povos foi sempre uma vontade indómita de alcançar aquilo que parecia impossível, citando os casos do Vietname, de Argélia, de Cuba, de Angola e de Moçambique, onde no início da luta havia um total desequilíbrio de forças.

A palestra foi promovida pelo conselho de trabalhadores da sede nacional do MPLA, em saudação ao 52º aniversário da proclamação do Dia de África, que hoje se assinala. (portalangop.co.ao)

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