Ministério do Ambiente encerra fábrica de betão

(OPAIS)
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O Ministério do Ambiente encerrou no dia 24 do mês passado uma central de produção de betão e de blocos, situada no bairro Talatona, município de Belas, depois de receber queixas dos moradores que se mostraram agastados com alegada poluição ambiental causada pela mesma.

A fábrica conhecida como Haufeng-Construção e Engenharia, existe no Talatona há mais de cinco anos e presta serviços no ramo da construção civil; produção de betão e de blocos; venda de viaturas e diversos materiais de construção.

Segundo informações recolhidas a partir dos moradores das zonas adjacentes, enquanto a fábrica trabalha tem produzido uma grande quantidade de poeira que invade as residências mais próximas, as máquinas têm gerado muito barulho e a água toda que sai da fábrica provoca alagamentos na rua, causando vários transtornos não só aos moradores como também aos automobilistas que por ali circulam.

Domingas Contreiras afirmou que reside no bairro Talatona há 12 anos e mostrou-se satisfeita com o encerramento da fábrica, justificando que a mesma tem causado muitos incómodos aos moradores das zonas circunvizinhas, e a sua residência por se encontrar próximo da fábrica, também tem sido afectada pela poeira.

Por sua vez, o cidadão Joaquim Santos, também morador daquela zona há sete anos, disse que tem sido a principal vítima desses transtornos pelo facto de a sua residência estar muito próximo da fábrica, alegando que durante o dia a sua casa fica irreconhecível e branca de pó de cimento proveniente da fábrica.

“Enquanto a fábrica trabalha toda a poeira vai para a minha casa e tudo fica sujo coberto de cimento, é uma situação muito desagradável e não é somente de poluição ao meio ambiente mas também um problema de saúde pública”, protestou.

Joaquim Santos acrescentou dizendo que já se sentiu indignado várias vezes, havendo momentos em que teve de fotografar a sua residência coberta de pó para mostrar as fotografias aos donos da fábrica a fim de os mesmos constatarem os efeitos negativos que a mesma tem produzido.

O entrevistado afirmou ainda que depois de os homens da fiscalização ambiental terem passado por ali deixando o aviso de notificação à fábrica, os seus funcionários passaram a trabalhar cada vez menos.

“Já chamamos atenção aos responsáveis da fábrica várias vezes, mas os mesmos simplesmente ignoravam-nos. Porém, como vivem pessoas influentes (militares) ao redor, sentiram- se igualmente incomodados com a poluição que a fábrica tem provocado, e posteriormente decidiram pôr cobro à situação e em função disso o Ministério do Ambiente tomou conhecimento e decidiu encerrar a fábrica”, esclareceu Joaquim Santos.
À noite ninguém consegue dormir

Os moradores reclamaram ainda dizendo que os incómodos provocados pela fábrica não se registam somente no período diurno, pois os trabalhos na fábrica são feitos também durante a noite o que tem perturbado o sono aos moradores. “Durante a noite as máquinas fazem um barulho infernal parecido ao de uma moagem e ninguém consegue dormir, ficaríamos satisfeitos se a fábrica fosse transferida para fora das localidades”, contou dona Domingas Contreiras acrescentando que as pessoas que moram próximo da fábrica são as que mais sofrem com o barulho e a poeira, e ela é uma delas.
‘A fábrica irá encerrar por implicância dos moradores’

O gerente adjunto da área administrativa da supracitada fábrica, conhecido por Geni Betão, disse em entrevista a OPAÍS que tudo não passa duma implicância por parte dos moradores, que constantemente reclamam dos trabalhos que a empresa tem executado.

Geni Betão fez saber que a fábrica pertence a cidadãos portugueses mas o espaço onde a mesma funciona, pertence a cidadãos nacionais que estabeleceram uma parceria com empresas chinesas. A referida fábrica é considerada como sendo a central de produção de betão e de blocos ao passo que os outros materiais de construção são produzidos em Viana.

Esménio Paulo, funcionário da Haufeng há quatro meses, reconheceu que a rua tem ficado inundada com a água proveniente da fábrica, mas assegurou que já foram tomadas medidas para evitar o alagamento da rua, e para o efeito, afirmou que a empresa colocou nos últimos dias uma quantidade de betão no local onde se acumula a água.

O jovem funcionário afirmou ainda que a fábrica pretende futuramente escavar um tanque para servir de depósito da água e do lixo provenientes da produção de betão, e esperar que depois da construção do tanque o Ministério do Ambiente anule a cláusula do encerramento da fábrica. (opais.co.ao)

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