Mingão e casal de supostos assassinos em Tribunal

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O trio de supostos assassinos de José António, constituído por Paulo Kabanga “Mingão”, João Cunha “Di Maria” e Ivânia de Castro, arriscam-se a ser condenado a uma pena que varia de 16 a 24 anos caso os advogados não consigam provar que são inocentes

Desmaios, choros e gritos (de raiva e de dor) foram a maneira com que alguns dos familiares do malogrado José António, 27 anos, reagiram ao verem Paulo Augusto Kabanga “Mingão”, 44 anos, e o casal João Machado Paz Cunha “Di Mária” e Ivânia Danila dos Santos Monteiro de Castro, ambos com 21 anos, antes e no decorrer da audiência de julgamento realizada nesta segunda-feira, 27.

Ao proceder à leitura do acto de pronúncia, o procurador José Maria Gustavo, foi interrompido por diversas vezes para permitir a saída, em separado, da mãe, a viúva e as irmãs da vítima nos momentos em que descrevia a forma angustiante como ele implorou que o deixassem com vida. Enquanto os familiares dos réus confessos ouviam atentamente as declarações e tentavam compreender como foi possível tirarem a vida de outrem da forma cruel como constava naquele documento.

Após o cumprimento deste pressuposto legal, a equipa de juízes da 14ª Secção de Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, encabeçada por Januário José Domingos, decidiu por começar ouvir Ivânia de Castro, com o consentimento do representante do Ministério Público e das instâncias de defesa e de acusação. Ela contrariou a sua versão apresentada à imprensa logo depois de terem sido detidos, segundo a qual José António foi escolhido no dia 22 de Abril de 2014 para ser assassinado por mero acaso, ao confessar que tudo foi planificado um dia antes. Disse que a vítima foi escolhida “a dedo” por Mingão, na qualidade de mandante e dono da pistola usada para cometer o crime com o intuito de se apropriar da viatura.

Evânia de Castro contou que a proposta de cometerem o crime em troca de valores monetários surgiu na noite do dia 21 de Abril, quando o casal passava à noite num dos leitos da pensão “Super Amigo”, no Bairro Coreia, por intermédio de Mingão. Apesar de terem um filho, viviam separados e sob a responsabilidade dos seus progenitores.

Segundo ela, o visitante informou ao seu companheiro, por telefone, que se encontrava nas imediações da pensão e este deixou-a no quarto e foi ouvi-lo. De regressou, mostrou-a uma fotografia do jovem empreendedor José António e explicou que a missão a realizar no dia seguinte seria assaltar a viatura de marca Nissan Patrol de cor branca, em que ele circulava pelas ruas de Luanda. Em cumprimento à orientação de Mingão, na manhã seguinte, o casal foi ter com um segurança, identificado apenas por César Famoso, que tinha a incumbência de proteger um estabelecimento comercial que se encontrava justamente na parte de inferior da residência do mandatário.

Para não despertar a atenção dos transeuntes, o guarda entregou-a no interior de uma pasta, após se terem apresentado como os amigos do habitante do andar de cima que tinham um objecto para receber de suas mãos. Quando o relógio assinalava 15horas, o suposto mentor da operação os informou que o motorista do Nissan Patrol encontrava-se no interior de uma das agências bancária do BAI, situada na Nova Marginal, a realizar alguma operação. Ao que se presume serem transferências para o pagamento de um dos fornecedores de carros à sua empresa que se dedicava a comercializá-las.

Atraído à morte pela sensualidade

Deslocaram-se ao local e aguardaram até ao momento em que entrou na sua viatura. Naquele instante, entrou em cena a jovem mestiça, de um metro e 60, um rosto bonito e cabelo cumprido que o pediu de forma amável que baixasse o vidro para terem uma prosa. Aceitou e ouviu um pedido de boleia. Ao receber um sim como resposta, informou ao motorista que estava a andar com um primo e este não se fez de rogado ao aceitar dar uma boleia aos dois.

Respondendo à instância do meritíssimo, a ré disse que António ficou pasmado ao ser confrontado com a arma e pediu para não lhe fazermos mal, embora estivesse consciente que estava a ser assaltado. A partir daquele instante, passaram a ser eles a ordenar o trajecto que o mesmo cumpriu sem mostrar qualquer resistência.

Enquanto circulavam pelas ruas de Luanda, o jovem clamou por diversas vezes que o deixassem com vida invocando como fundamento o facto de ter mulher e filhos pequenos por cuidar. Mesmo assim, isso não foi suficiente. Ao anoitecer, obedeceu à ordem de mudar-se para o banco de trás e sob a mira da pistola permitiu que Ivânia de Castro lhe amarrasse com fita adesiva os braços, as pernas e lhe tapasse boca.

Depois de certificar-se de que a vítima estava completamente imobilizada, o co-réu João Cunha conduziu a viatura até aos arredores do Hotel Baía. Ali, pediu a sua companheira que se encarregasse de os levar até a uma zona do Benfica onde pudessem sentir-se seguros para realizar os seus intentos.

De acordo com a acusada, o seu companheiro desamarrou os braços da vítima e o ordenou que fizesse uma procuração de compra e venda da sua viatura, numa folha de caderno, em nome de um comprador incógnito. Ele o fez sem mostrar resistência.

Retiraram-lhe o fio de ouro que transportava no pescoço, a mascote e o relógio que tinha nos pulsos, um par de sapatos que se encontravam na viatura, dois telefones de marca Iphone 5S e vários cartões de crédito que de seguida guardaram. Explicou que o seu esposo obrigou-o a revelar os respectivos códigos dos cartões, sob a mira da arma.

Sem rodeios, a jovem detentora de um rosto angelical contou que o namorado mudou de ideias ao ser informado pelo amigo Mingão, via telefone, que não devia proceder desta maneira porque seria facilmente apanhado pelas autoridades policiais, já que a vítima lhes havia visto os rostos.

Ela disse que, ao chegarem à praia, o seu companheiro ordenou que parasse o carro próximo a água. De seguida, arrastou-o ainda com vida ao mar até uma certa profundidade e ficou à espera que se afogasse, enquanto a depoente se encarregava de limpar o sangue que se encontrava no banco traseiro.

Ao saírem do local em direcção a uma outra pensão, segundo ela, informaram ao mandante, por telefone, que já haviam cumprido a missão.

De regresso, instalaram-se nem outra pensão e comportaram-se como se não tivessem feito nada de errado, tal como haviam acordado. Na manhã seguinte, foram ao seu encontro e o entregaram parte das jóias e acordaram como seria feito à venda do carro.

100 Mil dólares por uma noite de amor

Dias depois, Evânia não parou de aprontar das suas. Após a sua detenção os investigadores se depararam com a denúncia de que havia surripiado 100 mil dólares do cidadão Hélder Sardinha, vulgo Careca, com quem mantinha uma relação amorosa.

No acto de pronúncia consta que assim que se despediu do pai do seu filho, a jovem foi ter com o dono do Hotel Cascata e passaram à noite juntos num dos quartos da referida propriedade. Ao se aperceber que numa das gavetas da banca havia 100 mil dólares, apoderou-se dele como se tivesse sido o pagamento por algum serviço prestado e dirigiu-se ao stand de venda de viaturas da Kia Motor, localizada no centro comercial Chamavo.

Entre os vários modelos, optou por uma viatura de marca Kia Cerato avaliada em 25 mil dólares.

Desesperado por ver que o dinheiro havia sumido, Hélder Sardinha procurou-a por todos os locais onde frequentava e a encontrou a tempo de recuperar 70 mil dólares visto que tinha gasto 30 mil dólares na compra dos três meios de transporte.

O casal só foi detido pelos efectivos da Polícia Nacional em Junho de 2014, pelo facto de João Cunha se encontrar a circular com o veículo.

As próximas sessões estão marcadas para os dias 6,7 e 8 de Maio.

O suposto líder do grupo, Paulo Kabanga “Mingão” está a ser defendido por Alcino Cristóvão Luís, a libertação ou redução da pena a ser aplicada a Evânia de Castro está dependente dos argumentos e das provas que serão apresentadas por José Carlos, parceiro de Sérgio Raimundo ao passo que o autor confesso da morte está aos cuidados do jurista Martins Paulo Cristina. (opais.co.ao)

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