Media: França pode vender Mistral russo à China

(AFP 2015/ JEAN-SEBASTIEN EVRARD)
(AFP 2015/ JEAN-SEBASTIEN EVRARD)
(AFP 2015/ JEAN-SEBASTIEN EVRARD)

Os porta-helicópteros tipo Mistral construídos em França por encomenda da Rússia poderão ser vendidos à China, escreveu hoje (11) o jornal Want China Times.

Em conexão com a rescisão do contrato de fornecimento de navios a Moscovo, os russos estão à espera do cumprimento das obrigações ou reembolso do contrato.

Segundo a media chinesa, a França pode vender os Mistrais, destinados à Rússia, aos chineses. De acordo com relatos da media chinesa, a Marinha do Exército de Libertação Popular da China está esperando a visita de um grupo de navios de guerra franceses, cujo número irá incluir dois navios militares: o navio de desembarque tipo Mistral Dixmude e a fragata tipo Lafayette Acoint.

Ontem, o vice-primeiro-ministro russo Dmitry Rogozin disse que, sem a permissão da Federação da Rússia, a França não pode vender os porta-helicópteros e que a “parte francesa foi informada disso.”

“A Rússia assinou o contrato com a França para a compra de dois Mistrais, mas o negócio foi frustrado por causa das sanções introduzidas em conexão com a crise ucraniana. A França pode tentar vendê-los a outros países, tais como o Brasil, Canadá, Egipto ou Índia. Agora soube-se que um dos principais potenciais compradores é a China”, escreveu a revista Want China Times.

Se a China comprasse os Mistrais, a Marinha chinesa receberia dois modernos navios anfíbios, que actualmente não possui.

É importante ressaltar que os dois navios, construídos por encomenda da Rússia, são especialmente adaptados para os helicópteros navais “Kamov” (Ka-28 e Ka-31) que estão ao serviço da Marinha chinesa em número significativo. A Rússia lançou ainda uma nova versão do helicóptero de ataque Ka-52 especialmente para equipar estes navios. Assim, o projecto poderia criar as condições para expansão da cooperação técnico-militar entre a Rússia e a China.

A parte lesada da transacção russo-chinesa seriam os Estados Unidos e seus aliados na Ásia. Os EUA já fizeram esforços significativos para inviabilizar um acordo entre a França e a Rússia, mas a influência americana pode ser insuficiente para impedir o negócio entre a França e a China.

A história dos Mistrais russos já causou uma série de piadas. Por exemplo, o jornal francês Le Figaro avançou uma lista de opções no caso de o país escolher não entregar os navios à Rússia. Entre elas estão o afundamento dos navios no oceano, a sua entrega à Marinha francesa ou a venda a um terceiro país.

Anteriormente em 1 de Abril, no Dia da Mentira, a edição EUobserver publicou um artigo sobre a venda dos porta-helicópteros Mistral à União Europeia. A edição escreveu que o primeiro navio devia receber o nome de Juncker (em homenagem a Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia) e o outro, Mogherini (em homenagem a Federica Mogherini, chefe da diplomacia europeia).

A Rússia e França assinaram, em Junho de 2011, um acordo de US$ 1,5 bilhões para a construção de dois navios tipo Mistral. A entrega da primeira embarcação estava prevista para Novembro de 2014, mas nunca aconteceu. Paris adiou a entrega, alegando interferência de Moscovo na crise ucraniana.

O lado russo negou várias vezes qualquer envolvimento no conflito interno ucraniano, advertindo que a França terá de pagar uma multa em caso de não cumprimento das suas obrigações no âmbito do contrato. (sputniknews.com)

 

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