Manifestação em Paris pede a descriminalização do uso da maconha

Manifestantes foram às ruas em diversas cidades da Europa. (REUTERS/Kostas Tsironis)
Manifestantes foram às ruas em diversas cidades da Europa. (REUTERS/Kostas Tsironis)
Manifestantes foram às ruas em diversas cidades da Europa.
(REUTERS/Kostas Tsironis)

“Viva a cannabis livre”. Fumando cigarros de maconha e segurando cartazes, centenas de pessoas foram às ruas de Paris neste sábado (9) para pedir a descriminalização da cannabis e defender o seu uso terapêutico e “recreativo”. Na França, o consumo pode render um ano de prisão e € 3.750 de multa (cerca de 2,5 salários mínimos). Na prática, a pena de prisão é a excepção, com pena quase sempre convertida em multas.

Motivados por um chamado mundial de marchas pela maconha que ocorreram em diversas cidades, os manifestantes – a maioria jovens – usavam camisetas e bonés com ilustrações da folha de cannabis ou com as cores da bandeira da Jamaica. Eles marcharam da Praça da Bastilha até a Praça da República, na região oeste da capital.

Nos cartazes, inscrições como “uma outra política de drogas é possível” e “Ganja para todos”. Julien, de 16 anos e consumidor há dois, disse ter ido à marcha para “poder fumar tranquilamente”. Ele crê que a legalização permitiria reduzir o tráfico, melhorar a qualidade dos produtos e “talvez menos criminalidade”.

Na França, o consumo de cannabis é proibido desde 1970. Beatriz, de 52 anos, que estava na marcha, sofre de uma doença no sistema nervoso. Ela conta que, desde que começou a fumar a droga, melhorou. Ela diz consumir há 15 anos entre 0,8 e 1 grama de cannabis por dia, “o equivalente a três ou quatro cigarros”. Incentivada por seu médico, ela planta a erva em seu jardim.

Senadora quer mudar a lei

A marcha em Paris também contou com apoio político. A senadora ecologista Esther Benbassa manifestou seu apoio ao movimento. Ela é autora de um projecto de lei que pretendia autorizar o uso e a venda controlada pelo Estado, como ocorre no Uruguai. O projecto impedia a propaganda da maconha, mas foi rejeitado no último mês de Abril.

A senadora credita a rejeição a “questões morais”. “Ainda existe a ideia de que fumar maconha é um caminho ruim. Se é consumida todos os dias, se trata de um vício, portanto é preciso um acompanhamento, mas o mesmo acontece com o álcool”, afirma ela, que defende uma “legislação de saúde pública”.

O tráfico de drogas na região parisiense ocorre principalmente em edifícios de moradia pública para pessoas de baixa renda. O consumo recreativo tanto de maconha quanto de haxixe é comum entre os jovens da classe média parisiense. Uma pesquisa do ano passado apontou que os jovens franceses são os maiores consumidores de maconha da Europa. Em Marselha, o tráfico tem se tornado cada vez mais violento, com confronto frequente entre a polícia e traficantes.

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