Governo corta subsídios à gasolina e taxistas pensam em aumentos: Combustíveis disparam pela terceira vez em oito meses

Taxistas, Luanda. (Foto: D.R.)
Taxistas, Luanda. (Foto: D.R.)
Taxistas, Luanda.
(Foto: D.R.)

Os preços dos combustíveis registaram um novo aumento até 27 por cento. A gasolina deixou de ter a contribuição do Estado e passou de 90 para os 115 kwanzas. É a terceira mexida desde Setembro, no quadro de um conjunto de medidas do Governo recomendadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). De imediato, os taxistas propuseram aumentos superiores a 50 por cento.

Na semana passada, o país foi surpreendido com mais uma subida dos preços dos combustíveis, depois da última verificada em Janeiro, ou seja, há escassos três meses. O litro de gasolina passou a custar 115 kwanzas contra os 90 anteriores e o de gasóleo saltou de 60 para os 75 kwanzas. Num ano, os preços dos combustíveis aumentaram para quase o dobro.
A última alteração remeteu a comercialização da gasolina para o regime de preços livres, dando a assim por findo a contribuição do Estado. O gasóleo ainda passa a ser subvencionado em 21 por cento.
Logo que foi aplicado o aumento, a Associação dos Taxistas de Luanda (ATL) conseguiu reunir com o Ministério das Finanças, levando uma proposta de subida dos táxis para, no mínimo 150 kwanzas, podendo chegar aos 210. A primeira reunião aconteceu na segunda-feira, mas foi inconclusiva. Mesmo com a falta de consenso, o presidente da ATL, Manuel Faustino, exortou os associados a “evitarem a especulação” e pediu para aguardarem as próximas decisões, porque um possível aumento terá de ter a concordância do Governo.
Já na anterior subida dos combustíveis, quando a gasolina atingiu os 90 kwanzas, a ATL tentou aumentar os táxis, mas, depois de várias reuniões com o Ministério das Finanças, foi impedida de o fazer.

‘ORDEM’ DO FMI

Em Setembro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou ao Governo a redução dos subsídios aos combustíveis e a adoptar uma política salarial moderada. Aquele organismo internacional tinha chegado à conclusão que Angola gasta muito com subsídios, cerca de 12 por cento da despesa total.
O Ministério das Finanças justifica as alterações que vem fazendo desde 2010 com a “estratégia da melhoria da qualidade da despesa pública”. Em comunicado, sublinha que “o ajuste (dos preços dos combustíveis) permitirá criar mais espaço fiscal para assegurar a sustentabilidade da política fiscal e garantir o financiamento das acções relativas aos objectivos do Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2017.”
O Ministério das Finanças revelou que, desde Outubro de 2014, as medidas de ajustamento dos preços do combustível produziram já poupanças de 110 mil milhões de kwanzas.

Mercado receoso

Há economistas que aplaudem e outros que criticam a redução dos subsídios e o aumento dos combustíveis. Carlos Rosados de Carvalho considera a medida “acertada” e até encoraja o Governo a seguir este caminho. Porém, defende que o dinheiro poupado seja aplicado em projectos que beneficiem todos.
Para este especialista, a subvenção aos combustíveis “beneficiava um pequeno grupo de angolanos, sobretudo os que têm mais de um carro.
Filomeno Vieira Lopes alerta que a medida pode “influenciar a subida da maior parte dos produtos”, considerando mesmo que “é inevitável” que isso aconteça.
De acordo com Filomeno Vieira Lopes, o Governo “deixou cair a única política social que ainda beneficiava a população” e defende que o corte de subsídios “só seria aplicável se tivesse criado antes uma rede de transportes públicos adequada”, que permitisse a dispensa de carros próprios ou de candongueiro. “Agora, com os parcos rendimentos, com a crise económica a subida do preço dos combustíveis vai levar o país a uma crise profunda”, avisa o economista.
Este economista não tem dúvidas que os preços todos vão subir, na medida em que o combustível, além de ser indispensável para no transporte também, é utilizado na cadeia produtiva. O peso dos combustíveis no orçamento familiar em Angola é muito superior se comparado com qualquer país da Europa, alerta Filomeno Vieira Lopes que exemplifica com os custos dos geradores que representam, para muitos angolanos, 30 por cento do rendimento, enquanto na Europa, por exemplo, na Grã-Bretanha ,este custo não chega aos 10 por cento. (novagazeta.co.ao)

Por: José Zangui

 

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