França: Coulibaly, autor de um dos atentados de Paris, pode ter sido “teleguiado” por ordens do exterior

Amédy Coulibaly (theguardian.com)
Amédy Coulibaly (theguardian.com)
Amédy Coulibaly (theguardian.com)

Amédy Coulibaly, autor do atentado no supermercado judaico Hyper Cacher, poderia ter recebido instruções directamente do exterior. A afirmação foi feita pelo procurador público François Moulins em uma entrevista publicada no jornal francês Le Figaro. Ele estima que a ameaça terrorista nunca esteve tão forte na França.

Em entrevista publicada na edição desta terça-feira (12) pelo jornal Le Figaro, François Moulins, encarregado das investigações sobre os atentados contra o jornal Charlie Hebdo e o Hyper Cacher, afirma que Amédy Coulibaly, autor do ataque no supermercado poderia ter “recebido instruções do exterior”.

“Eles podem ter uma família normal, como era o caso de Sid Ahmed Ghlam (…), mas quando pesquisamos mais percebemos que agem em nome de formações terroristas visando alvos que correspondem às ordens dadas pelo grupo Estado Islâmico ou pela Jabhat al-Nosra”, explicou o procurador, fazendo referência ao argelino de 24 anos suspeito de ter tentado atacar uma igreja perto de Paris no mês de Abril. “Ele era teleguiado a partir da região entre Iraque e Síria e, segundo todas as hipóteses, que ainda estão sendo verificadas, Coulibaly também recebeu instruções a partir do exterior”, completou Molins, sem dar detalhes sobre o país de onde viriam as ordens para o autor do atentado visando o supermercado judaico.

Coulibaly, que matou três clientes e um dos empregados do Hyper Cacher no leste de Paris, além de uma policial na periferia da cidade, agia de forma coordenada com os irmãos Chérif e Saïd Kouachi, autores do atentado contra a redacção do jornal satírico Charlie Hebdo. Durante o ataque ele disse que era próximo do grupo Estado Islâmico, enquanto Chérif Kouachi afirmou que actuava em nome da Aqpa, o braço da Al Qaeda na península árabe.

Ameaça de novos ataques cada vez mais forte na França

O procurador também alerta para o risco de novos atentados no território francês. “Não há nenhuma razão para sermos optimistas. A ameaça nunca esteve tão forte, principalmente por causa da participação da França na luta contra o grupo Estado Islâmico”, disse ele.

As autoridades francesas procuram actualmente 306 jihadistas, baseados na Síria ou que estariam voltando para a França.

Segundo Molins, esses terroristas potenciais têm três perfis bem distintos. “Há os experientes, que são ainda mais perigosos, pois se endureceram durante os combates, há os decepcionados e também uma terceira categoria de desequilibrados psiquiátricos ou psíquicos que podem participar de acções abomináveis e que temos que punir ou tratar”.

O procurador explica que por enquanto apenas 11 casos foram identificados. “Temos actualmente 169 pessoas investigadas, das quais 106 estão em prisão provisória”.

“Há vinte ou trinta anos nós investigávamos células terroristas estruturadas e identificadas. Agora enfrentamos indivíduos que surgem do nada, adeptos da taqiya (técnica de dissimulação usada pelos extremistas islâmicos) e que emitem sinais muito francos, quase indetectáveis pelos serviços de espionagem”, analisa o procurador. (rfi.fr)

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