Estatísticas desmentem alertas sobre imigração no Reino Unido (vídeo)

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“Se andar por aí vai ver como, de repente, os ingleses se tornaram cidadãos de segunda no seu próprio país…”; “O que torna este país único é a sua capacidade de integrar pessoas de todos os cantos do mundo, de todos os contextos sócio-económicos, que se juntam aqui para fazer deste um grande país.”

São duas perspetivas antagónicas que se ouvem neste momento nas ruas de Londres. A imigração tornou-se um fardo ou continua a ser um motor económico? A chegada crescente de migrantes é uma questão que divide o Reino Unido. Viemos até Londres conhecer as várias faces deste fenómeno.

Neste debate, normalmente surgem catadupas de números para sustentar os argumentos de um lado e do outro. Antes das eleições, um grupo de imigrantes decidiu pegar na questão de uma forma diferente: organizou uma campanha para dar sangue. O nome é Bloody Foreigners. “Dizem que os imigrantes vêm para aqui roubar empregos e coisas do género. Nós queremos mostrar que vimos contribuir de forma positiva”, diz o jornalista polaco Jakub Krupa, um dos participantes.

Pode ser um método bastante explícito de o fazer – outro é, de facto, convocar os números. As estatísticas dizem que os imigrantes geram 55 libras por segundo para os cofres britânicos porque representam, em geral, uma força de trabalho mais jovem e diversificada. Carlos Vargas-Silva, investigador da Universidade de Oxford, afirma que “os imigrantes são normalmente mais jovens e costumam vir para trabalhar, procuram integrar-se no mercado laboral. Ou seja, não recorrem tanto aos apoios públicos, o que significa que são um contributo muito positivo para a economia.”

Mas há muitos que denunciam que a concorrência é desleal para os trabalhadores britânicos menos qualificados. E que a entrada crescente de estrangeiros gera cada vez mais pressão sobre os serviços públicos, sobretudo no sudeste de Inglaterra. Segundo Vargas-Silva, “um dos problemas é a sobrelotação nas escolas, porque as crianças cuja língua materna não é o inglês necessitam doutros professores nas aulas. Todos os imigrantes têm acesso ao Serviço Nacional de Saúde. O tempo de espera nos hospitais é suscetível de aumentar.”

Desde 2000, os números apontam que há menos 43% de imigrantes a usufruir de subsídios em relação aos nascidos em território britânico. No que toca ao alojamento, são menos 7%. Muitos trabalham nos serviços públicos, contribuindo para o sistema nacional. No entanto, as últimas sondagens sublinham o ceticismo dos britânicos, com quase 80% a pretender uma redução da imigração, facto que os tablóides não páram de destacar a par dos avanços do UKIP… Vargas-Silva aponta que “em Londres, as pessoas tendem a ser favoráveis à imigração, ao contrário das zonas rurais. Isto é, há uma visão mais positiva nas zonas onde há mais imigrantes, e mais resistência nas zonas onde há menos.”

Nas últimas eleições europeias, o UKIP registou um resultado histórico, obtendo mais votos do que Trabalhistas e Conservadores. Com as restrições à imigração como uma das principais bandeiras, as sondagens indicam, no entanto, que os resultados nestas eleições podem ser mais modestos. (euronews.com)

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