Enquanto Dilma silencia no Dia de Trabalho, PMDB eleva o tom

Renan Calheiros durante entrevista coletiva. / Marcelo Camargo (Agência Brasil)
Renan Calheiros durante entrevista coletiva. / Marcelo Camargo (Agência Brasil)
Renan Calheiros durante entrevista coletiva. / Marcelo Camargo (Agência Brasil)

A presidenta Dilma Rousseff optou por evitar o discurso em rádio e televisão, como fez em anos anteriores, durante o Dia do Trabalho, e os motivos para tal não são difíceis de compreender. Depois do inédito panelaço do dia 8 de Março, enquanto falava em cadeia nacional, a presidenta preferiu silenciar, embora seu ministro da Secretaria da Comunicação Social, Edinho Silva, tenha justificado a decisão de outra forma. “A presidenta vai dialogar com os trabalhadores, com a sociedade brasileira, pelas redes sociais. É uma forma de valorizarmos outros meios de comunicação”, disse o ministro na última segunda-feira.

Às turras com a sua base aliada, nesta quinta Rousseff foi alvo de críticas do presidente do Senado, Renan Calheiros, que classificou o silêncio da presidenta como uma “coisa ridícula”. “Essa coisa da presidente não poder falar no dia 1º de Maio porque não tem o que dizer é uma coisa ridícula. Ridícula. Isso enfraquece muito o governo”, disse ele, que apontou a necessidade de o Governo sair da “paralisia e da falta de iniciativa” em que se encontra. A jornalistas em Brasília, ele falou que o PMDB não pode substituir o PT no que o “PT tem de pior, o aparelhamento do Estado”. Segundo ele, o partido não pode transformar o papel de coordenação política no de “coordenador de RH do governo federal”, ou seja, trabalhar para nomear cargos de segundo escalão.

As críticas tinham endereço certo, uma vez que o papel de articulador político é ocupado pelo vice-presidente, Michel Temer, também do PMDB. Dilma continuou mantendo o silêncio, mas quem saiu da discrição tradicional foi o próprio Temer, que soltou uma nota, dizendo que não usaria o cargo “para agredir autoridades de outros Poderes”. “Respeito institucional é a essência da atividade política, assim como a ética, a moral e a lisura”, disse o vice-presidente, por meio de nota, ainda que não admita que seria uma resposta a Calheiros. “Não estimularei um debate que só pode desarmonizar as instituições e os setores sociais. O País precisa, neste momento histórico, de políticos à altura dos desafios que hão de ser enfrentados”.

Num momento de baixa popularidade, e aprisionada pelo Congresso, a presidenta tem deixado um flanco para a diatribe de desafetos que tentam se descolar, de toda forma da mandatária, neste momento singular do Governo petista.

É fato que, às vésperas do pior Primeiro de Maio dos governos petistas, com um aumento de desemprego, juros e inflação alta, além da seca no crédito para o consumo, a presidenta parece ter pouca bateria para convencer a opinião pública que o futuro reserva notícias mais alvissareiras. Nesta quinta, ela procurou driblar o mal-estar sobre o seu silêncio ao se reunir com representantes de centrais sindicais no Palácio do Planalto. Em reunião transmitida ao vivo pelo canal estatal, ela afirmou que a regulamentação do trabalho terceirizado exige “diferenciação entre atividades-fim e atividades-meio nos mais diversos ramos da atividade econômica”. Trata-se de um ponto polêmico que está colocando a Câmara em trincheira oposta ao Executivo. “Isso é necessário para assegurar que o trabalhador tenha a garantia dos direitos conquistados nas negociações salariais e também por uma razão ligada à nossa previdência para proteger a Previdência Social da perda de recursos”, afirmou.

Calheiros, por outro lado, tenta capitalizar o momento sugerindo que a presidenta deveria fechar um “pacto pelo emprego”, estabelecendo metas, nos mesmos moldes das metas de inflação ou superávit primário. E isso, deveria ser dito em cadeia nacional, sem temer o barulho das panelas, segundo ele. (elpais.com)

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