Empreendedorismo

VALDINO SIMA Jurista e Docente Universitário (Foto: D.R.)
VALDINO SIMA Jurista e Docente Universitário (Foto: D.R.)
VALDINO SIMA
Jurista e Docente Universitário
(Foto: D.R.)

O termo Empreendedorismo tornou-se hoje muito conhecido. Tem sido frequentemente utilizado na abordagem de várias questões económicas e sociais, tais como crescimento económico, iniciativa privada, criação de negócios e fomento empresarial.

Ao contrário do que parece, o conceito de empreendedorismo não é novo. Remonta desde o século XVII, com economistas renomados. Destaque para Richard Cantillon, Adam Smith, John Stuart Mill, Jean Baptiste Say, Joseph Schumpeter, entre outros.

Não é tarefa fácil enunciar uma definição acabada e abrangente de empreendedorismo. Tanto os autores seculares como os da actualidade não são unânimes quando se trata de explicar o que é de facto o empreendedorismo e quem é o empreendedor.

Para alguns, empreendedorismo é entendido como o processo de criação de novos negócios e/ou empresas. Para outros, como o processo de destruição criadora, na linguagem de Schumpeter, que consiste em imprimir inovação nos negócios. Aqui, as empresas terão de ser inovadoras para serem empreendedoras.

Cada uma das diferentes teorias sobre o empreendedorismo compreende, pelo menos, uma das seguintes palavras-chave: exploração de oportunidades, riscos, mudanças, inovação, criação de valores, novas combinações, recursos, novos produtos, novos serviços, novos mercados e novos negócios.

O empreendedor é aquele que identificando uma oportunidade cria um novo produto ou serviço ou ainda novas formas de produção e os insere no mercado, movimentando meios e assumindo riscos inerentes.

Além de ser visionário, o empreendedor consegue fazer com que as coisas novas aconteçam. É ousado, optimista, criativo e automotivado. É o indivíduo com o traço de personalidade adequado para actuar em situações de crise económica.

Com a sua postura inconformista, e às vezes até mesmo revolucionária, o desempenha um papel crucial nas transformações que vão ocorrendo no mercado, e consequentemente, na economia. A ambição e a aspiração ao novo, também distintivos do empreendedor, geram competitividade e têm impacto directo na qualidade de vida.

Ser empreendedor não resulta necessariamente em ser empresário de sucesso ou em ter muito dinheiro. Em sentido inverso, existem empresários de sucesso e milionários que não são empreendedores. O conceito de empreendedorismo radica na ideia de criação de valor, que é uma combinação entre inovação e aceitação.

Empreendedores com poucos recursos, situados num espaço económico altamente dinâmico podem ser os causadores da decadência de grandes corporações que se sustentam mais na base de monopólios e modismos. A falta de empreendedorismo nas empresas é um dos elementos críticos do seu posicionamento no mercado.

Em Angola, o empreendedorismo, tal como é propalado, parece gravitar na criação de novas empresas e no auto-emprego. O empreendedor Made in Angola é visto como o indivíduo que por conta própria vai abrindo cada vez mais empresas/negócios, sobretudo de pequena e média dimensão.

Sendo o nosso país uma economia animada mais pela exportação de matérias-primas e importação de produtos geralmente acabados, o ambiente sócio-económico não tem permitido muito mais do que iniciativas empreendedoras em negócios de revenda de produtos e serviços, ou reprodução de negócios criados noutros países.

Nesta perspectiva, o empreendedorismo nem por isso deixa de ter impacto significativo no crescimento económico. Embora também se diga que pode acarretar o risco de emperrar a internacionalização e asfixiar as iniciativas humildes mais inovadoras.

O empreendedorismo pode ser promovido pelas instiuições de ensino. Mas não basta que estas o insiram no curriculum de estudo para que seja inculcado aos alunos. É necessário, sim, que as escolas sejam elas próprias empreendedoras, o ensino seja inovador e os professores tenham uma atitude mais positiva no que concerne ao empreendedorismo.

A sociedade deve adoptar uma cultura que possa incentivar e premiar a excelência. Os exemplos de promoção da mediocridade podem levar a que os verdadeiros empreendores se inibam de pugnar pelas suas aspirações ou, ainda, na tentativa de pô-las em prática, facilmente fracassem, contagiando os outros com o medo de arriscar.

Ser empreendedor é também assumir uma forma de estar e de viver. A cultura de empreendendorismo cultiva-se e partilha-se. (jornaldeeconomia.ao)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA