Em Havana, François Hollande faz apelo pelo fim do embargo americano a Cuba

O presidente francês, François Hollande, discursa em Havana nesta segunda-feira (11), ao lado do cardeal Jaime Ortega (REUTERS/Adalberto Roque)
O presidente francês, François Hollande, discursa em Havana nesta segunda-feira (11), ao lado do cardeal Jaime Ortega (REUTERS/Adalberto Roque)
O presidente francês, François Hollande, discursa em Havana nesta segunda-feira (11), ao lado do cardeal Jaime Ortega (REUTERS/Adalberto Roque)

O presidente francês, François Hollande, fez um apelo nesta segunda-feira (11), pelo fim do embargo económico americano a Cuba que, segundo ele “tanto prejudicou” o desenvolvimento do país. Com objectivos comerciais, Hollande faz uma visita histórica a Havana, a primeira de um líder francês desde a independência da ilha, em 1898.

Em um discurso na Universidade de La Havana, Hollande declarou que a França fará tudo o que for possível para contribuir com o processo de reabertura do país. Para o chefe de Estado, as medidas que penalizam a economia cubana desde 1962 prejudicaram o desenvolvimento do país e precisam ser extintas.

O presidente também lembrou que desde 1991 a França apoia todas as resoluções pedindo o fim do embargo no Conselho de Segurança da ONU. Hollande aposta nessa lealdade para conquistar espaço para empresas francesas em projectos de desenvolvimento da ilha, principalmente nos sectores de construção civil, infra-estrutura, turismo, hotelaria, telecomunicações, farmácia e biotecnologias. Cerca de trinta importantes empresários acompanham o presidente francês em Havana.

Objectivos comerciais

Oficialmente, Hollande está em Cuba para acompanhar o processo de reabertura do país, mas o principal objectivo de sua visita é comercial. Ele se reúne nesta noite com o presidente Raúl Castro. Também poderá fazer uma rápida visita a Fidel Castro, ainda não confirmada por Havana, além de participar de um fórum económico e inaugurar uma nova unidade da Aliança Francesa.

Do lado de Havana, embora não seja explícito, o principal objectivo da reabertura é receber os investidores estrangeiros. O governo cubano parece não querer ficar apenas nas mãos dos americanos e se dispõe a abrir espaço aos europeus e a alguns países da América Latina. A França se apressa para não deixar passar as oportunidades de novos negócios.

Direitos Humanos

Outro assunto que Hollande pretende tratar com Raúl Castro é sobre os Direitos Humanos. “Eu falarei sobre essa questão cada vez que houver prisioneiros políticos, cada vez que houver desrespeito à liberdade, a França não vai ficar calada”, ressaltou.

No passado, o presidente francês criticou duramente a repressão do regime castrista com seus opositores, classificando-a como “uma desumanidade injustificável”. Mais recentemente, Hollande mostrou uma posição mais conciliante e disse acreditar que a situação obteve progressos “graças à chegada de uma nova geração ao poder”.

Nesta segunda-feira pela manhã, o primeiro compromisso de Hollande foi o de conceder a Ordem Nacional da Legião de Honra ao cardeal Jaime Ortega, que teve um papel fundamental na mediação para a libertação de prisioneiros políticos em 2010. A condecoração é a mais importante distinção da França, oferecida a cidadãos e personalidades de destaque.

Depois de Cuba, o presidente francês segue para o Haiti, última etapa de seu giro caribenho. (rfi.fr)

 

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