É o profeta, não é o crente

José Kaliengue (OPAIS)
José Kaliengue (OPAIS)
José Kaliengue (OPAIS)

Adivinha-se uma batalha judicial interessante em Angola, isso se as coisas chegarem a tribunal, claro. Não creio que cheguem, mas por estes dias o assunto está tão quente que toda a gente opina e até os académicos vão metendo água.

Na febre de se condenar tudo o que está relacionado com Kalupeteka, alguns analistas (e é preciso analisá-los bem a eles também) põem-se por aí a lançar ideias das mais malucas. Ora vejamos. Kalupeteka (e não sou nem nunca seria seu advogado) instigou as pessoas a venderem os seus haveres para se irem instalar na montanha. Muito bem, se não ficar provado que ele lhes ficou com o dinheiro da venda, não sei se haverá crime. Já que depois lhes deu terreno para construírem novo albergue e nova lavra. Além disso, o crente foi por livre vontade, acreditou que o monte seria o seu lugar de paz, onde poderia escapar do fim-do-mundo, ser feliz com pessoas “puras” da mesma crença religiosa. Além disso, temos por cá pelo menos uma igreja, legal, sobre a qual há imensas queixas de levar os crentes a desfazerem-se das suas posses, passando a titularidade, ou vendendo-as para depois entregarem os valores numa fogueira santa e noutros tipos de leilões em troca da salvação, de riqueza e de um pedaço de terreno no céu.

Além do mais, a esmagadora maioria dos kalupetequistas são analfabetos, presas fáceis para espertalhões, esses sim devem ser condenados. O que está a acontecer, porém, é que alguns dos nossos analistas não sabem separar o crente do pastor instigador e malandro, confunde-se tudo e procura-se condenar tudo em conjunto. Nem os analistas nem algumas pessoas que falam em nome da autoridade do Estado. Se um jovem crente aparece a dizer que foi uma nuvem que veio do céu que matou os polícias e protegeu os crentes, este merece cadeia ou tratamento e reinserção social? Se alguém vendeu a casa para escapar do fim do mundo no fim deste ano, o melhor não é só deixá-lo ver a entrada de 2016? Culpe-se os pastores e o falso profeta e os que mataram, salve-se os crentes enganados. (opais.co.ao)

por José Kaliengue

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