Doença do sono continua a ser problema de saúde pública

Josenando Teofilo-Director Geral do ICCT (Foto: Joaquina Bento)
Josenando Teofilo-Director Geral do ICCT (Foto: Joaquina Bento)
Josenando Teofilo-Director Geral do ICCT (Foto: Joaquina Bento)

A doença do sono em Angola ainda é um problema de saúde pública, com um registo de 11 casos nos primeiros quatro meses do corrente ano, mais três em relação a igual período do ano anterior, advogou hoje, quarta-feira, em Luanda, o director do Instituto de Combate e Controlo das Tripanossomíase, Josenando Teófilo.

Segundo o responsável, que falava à imprensa em Viana, é completamente falso quando algumas pessoas alegam que a eliminação da enfermidade em Angola é já um facto.

“ São pessoas de má fé, as que dizem que a doença do sono em Angola já está erradicada”, considerou.

A título de exemplo, disse que em 1974 o país registou em todo o seu território apenas três casos, mas até 1997 mais de oito mil casos foram registados.

Deste modo, explicou, os 11 novos casos registados apenas este ano, caso não sejam tomadas medidas enérgicas de combate e prevenção da enfermidade, podem levar a uma prevalência ainda maior.

“ Os desafios são enormes e todos devemos estar atentos e ajudar no combate a essa enfermidade”, exortou.

Segundo Josenando Teófilo, a doença do sono propaga-se através da mosca tsé-tsé e é um perigo que não se pode negligenciar, pois é uma enfermidade dramática que se assemelha ao tétano, meningite ou raiva, com uma letalidade elevada.

Referiu que a mosca tsé-tsé continua nas proximidades de Luanda, podendo ser encontrada na zona onde está a ser edificado o campo de golfe da capital do país, na barra do Kwanza, no Panguila, Bom Jesus, Cabiri, Maria Teresa ou na província de Malanje, e facilmente pode penetrar numa viatura e ser transportada até a capital do país ou outras zonas de Angola.

“ O perigo não está longe, há pouco tempo foi diagnosticado um doente com tripanossomíase proveniente de Malanje, e caso a mosca estivesse na viatura em que se fazia transportar outras pessoas podiam contrair a doença”, enfatizou.

Entretanto, garantiu que nas zonas referidas e noutras com prevalência da doença, continuam a ser colocadas armadilhas para se apanhar o vector.

“ Com ou sem crise económica, com muito ou pouco dinheiro, as autoridades sanitárias estão atentas e vão continuar a combater a tripanossomíasses”, assegurou.

O director realçou que a região norte do país, por ter um sistema ecológico propício para o desenvolvimento da mosca tsé-tsé, com galerias florestais húmidas, é a zona mais afectada pela enfermidade.

A Tripanossomíase Humana Africana, ou doença do sono, é uma infecção parasitária encontrada na África subsaariana e transmitida pela mosca tsé-tsé.

Essas moscas podem ser encontradas em 36 países da África subsaariana, colocando em risco cerca de 60 milhões de pessoas. A infecção ataca o sistema nervoso central, causando distúrbios neurológicos graves. Sem tratamento, a doença é fatal.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 95% dos casos reportados são causados pelo parasita Trypanosoma brucei gambiense, encontrado nas regiões Oeste e Central da África. O restante dos casos é causado pelo Trypanosoma brucei rhodesiense, encontrado nas regiões Leste e Sul da África. 70% de todos os casos são reportados na República Democrática do Congo (RDC).

Em 2010, 7.200 casos de doença do sono foram registrados. No entanto, a OMS acredita que o número corresponda apenas a uma fração da quantidade real de ocorrências, que estão próximas das 30 mil por ano. (portalangop.co.ao)

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