Documentos do regime sírio provam crimes de guerra do presidente Assad

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Documentos foram retirados da Síria de forma clandestina, por 60 investigadores de uma comissão financiada por países ocidentais.

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Uma comissão internacional financiada por países ocidentais estabeleceu várias acusações por crimes de guerra contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, e instituições do seu regime através de documentos retirados ilegalmente da Síria, indica um artigo divulgado hoje no The Guardian.

Segundo o jornal britânico, a Comissão Internacional para a Justiça e Responsabilidade (CIJA na sigla em inglês) já elaborou três casos contra o regime por crimes contra a humanidade e continua a reunir provas para casos contra o regime e a oposição.

O diário indica que os casos se baseiam largamente em documentos retirados clandestinamente da Síria por uma equipa de 60 investigadores que arriscaram as suas vidas para recolher as provas, cerca de meio milhão de páginas.

Os investigadores e advogados estão também a organizar possíveis casos de crimes de guerra contra os grupos que combatem Assad, incluindo o ‘jihadista’ Estado Islâmico e contratou funcionários para rever horas de vídeo com provas.

O CIJA tem agora três casos contra o regime, com base sobretudo na repressão sangrenta dos protestos contra o governo em 2011 que levou à guerra civil.

O primeiro caso centra-se em Assad e no seu gabinete de guerra, a Célula Central de Gestão da Crise (CCMC), o segundo no Departamento de Segurança Nacional, que inclui os responsáveis pela segurança e pelos serviços secretos, e o terceiro o Comité de Segurança encarregado das províncias no leste e no norte de Deir Ezzor e Raqa.

O The Guardian assinala que a “mania do regime de dar ordens escritas através da cadeia de comando e de elaborar relatórios escritos sobre o que se passou mostra que tudo conduz ao mais alto nível do poder em Damasco”.

Os documentos permitem conhecer o funcionamento do regime durante a guerra. Mostram que o CCMC se reúne todos os dias e as minutas da reunião que são transmitidas diretamente a Assad para serem aprovadas.

Mostram também que o Baas, partido no poder, é o principal “executante” das decisões e que os mesmos tipos de tortura são utilizados nas diferentes províncias, “o que sugere que existe uma polícia conduzida pelo centro”.

Apesar de todo o material acumulado, os membros da CIJA reconheceram ao The Guardian que não existe até agora um tribunal para apresentar os casos. A Rússia, aliada de Assad, tem bloqueado na ONU qualquer tentativa para transferir o caso da Síria para o Tribunal Penal Internacional.

Mais de 220.000 pessoas morreram desde o início do conflito na Síria em março de 2011, segundo uma organização não-governamental síria. (dn.pt)

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