Diplomata angolano aborda conflito angolano em livro

Capa do livro de Campos Viera Campos (Foto: Francisco Miudo)
Capa do livro de Campos Viera Campos (Foto: Francisco Miudo)
Capa do livro de Campos Viera Campos (Foto: Francisco Miudo)

O diplomata angolano Campos Viera Campos apresenta no dia 5 de Junho, no Instituto Superior de Relações internacionais (ISRI), o livro “Conflito angolano – conflito sugeneris”, onde aborda a guerra civil desde a independência (1975), até a paz efectiva em 2002.

Em mais de 70 páginas, o autor escalpeliza o conflito angolano, nas várias vertentes, debruçando-se de forma profunda nos acordos de Alvor (Portugal), em 1975, Bicesse (Portugal), em 1991 e Lusaka (Zâmbia), em 1994. Acordos estes que falharam no seu principal objectivo, que era pacificar o conflito. Somente depois de 27 anos de guerra civil foi assinado o Memorando de Entendimento de Luena, em 2002, que viria na realidade a assinalar a paz definitiva.

Sustenta no livro que o paradoxo do conflito angolano reside no facto de que o fim da guerra não se efectiva no quadro de uma iniciativa das Nações Unidas, mas sim a partir de um entendimento das partes em conflito, levantando as seguintes questões: Será que o alcance da paz em Angola foi graças ao esforço envidado pela ONU ou apenas fruto de um esforço entre as partes beligerantes? Terão sido as Nações Unidas um obstáculo para a conquista da paz? Qual terá sido o papel da ONU na resolução do referido conflito?

Estas questões, o diplomata se predispôs a responder, recorrendo a consulta de documentos bibliográficos sobre a guerra em Angola e através de depoimentos recolhidos em entrevistas com algumas personalidades envolvidas directamente, como os generais Justino da Gloria, Geraldo Sachipemga Nunda, os deputados Ernesto Mulato e Paulo Lukamba “Gato” e ainda o professor Donato Mbianga, que prefaciou o livro.

Campos Viera Campos, na primeira parte, apresenta a génese do conflito angolano, debruçando se de forma sintética sobre as diferentes etapas do esmo. A eclosão da guerra civil entre os movimentos de libertação nacional, a invasão sul-africana a Angola são igualmente abordadas na obra, que será apresentada a 5 de Junho.

Na segunda parte, faz uma retrospectiva sobre os mecanismos de resolução de conflitos usados pela ONU, focando essencialmente os mecanismos adoptados durante o período em abordagem (1992 2002).

Para tal, e no quadro dos diversos instrumentos de resolução de conflitos utilizados, uma atenção especial foi dedicada aos que ilustram o papel decisivo desempenhado pela Nações Unidas na assinatura e implementação do Protocolo de Lusaka.

Na terceira, o autor explica os motivos pelos quais define o conflito angolano como “sui generis”. Faz uma abordagem sobre os preceitos do Memorando de Luena de 2002 e a sua implementação.

Finalmente, nas recomendações, o autor emite sugestões sobre o conjunto de mecanismos atinentes à preservação da paz em Angola e a reconciliação nacional.

Licenciado em Relações Internacionais pelo Instituto Superior de Relações Internacionais e doutorado, no mesmo curso, pela Universidade de Kinshasa, Campos Viera Campos exerce a função de 1º secretário na embaixada de Angola na RD Congo. (portalangop.co.ao)

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