Desigualdade cresce nos países da OCDE, mas cai no Brasil

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Estudo mostra que 10% mais ricos ganham em média 9,6 vezes mais que os 10% mais pobres nos 34 países da organização. Brasil é apontado como exemplo de nação onde a desigualdade diminuiu.

A desigualdade de renda entre as parcelas mais pobres e as mais ricas da população está subindo nos países que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A organização reúne 34 nações, a maioria delas economias industrializadas.

Na opinião da OCDE, isso é ruim não só para os que estão na parte mais inferior da escala de renda, como também para quem está no topo. O estudo da organização, intitulado In it together – Why less inequality benefits all (juntos nisso – por que menos desigualdade beneficia a todos) procura mostrar porque mais igualdade é bom para todos.

“Na maioria dos países, a distância entre ricos e pobres é a maior dos últimos 30 anos”, afirma o relatório. Nos 34 países das organização, 10% da população ganham 9,6 vezes mais do que os 10% mais pobres. E a distância continua aumentando. No estudo realizado há dois anos, a proporção era de 9,5 vezes. Na década de 80, era de apenas 7. Desde então, foi crescendo a cada década. Nos anos 90, os mais ricos ganhavam 8 vezes mais que os mais pobres, na década de 2000, 9 vezes mais.

“A luta contra a desigualdade deve ocupar o centro do debate político”, disse, já no ano passado, o secretário-geral da OCDE, José Ángel Gurria. Pois não só os pobres são prejudicados com a distribuição desigual de renda. O estudo mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) de um país poderia crescer mais se houvesse mais igualdade. “O aumento da desigualdade é prejudicial para o crescimento econômico a longo prazo”, avaliam os autores do documento.

O Brasil – que não é membro da OCDE, mas coopera com a organização – é apontado como um dos poucos países onde, ao contrário da tendência geral, a desigualdade diminuiu nos últimos anos, apesar de ainda ser alta. O coeficiente de Gini do país vem melhorando gradativamente e está em 0,55. A média da OCDE é de 0,32. O do Chile, o país mais desigual entre os membros, é 0,50. O do México, segundo mais desigual, é 0,48. O indicador mede a desigualdade na distribuição de renda e vai de 0 a 1. Quanto mais perto de 1, maior a desigualdade.

“Nas economias emergentes, os níveis de desigualdade são geralmente mais altos dos que nos países da OCDE”, afirma o relatório. “Os coeficientes de Gini geralmente superam 0,5, como no caso do Brasil e de muitos outros países da América Latina. [Mas] todas as evidências disponíveis mostram que as diferenças de renda estão diminuindo na maioria dos países latino-americanos desde o final dos anos 1990, especialmente no Brasil.”

Diferenças entre os sexos

Uma das razões para a crescente disparidade entre os países da OCDE é o chamado “gender pay gap”, ou seja, a diferença de renda entre homens e mulheres. De acordo com o relatório da OCDE, as mulheres nos 34 países ganham cerca de 15% menos que os homens, em média.

A causa não está só na remuneração injusta para trabalhos iguais, que faz com que um homem ganhe mais do que uma mulher para o mesmo tipo de trabalho. “A diferença entre o rendimento médio de mulheres e homens é muito elevada na Alemanha”, ressalta o especialista em trabalho Oliver Stettes, do instituto econômico IW, sediado em Colônia.

Um aspecto, segundo ele, é que há mais mulheres do que homens trabalhando em empregos de baixa remuneração, como professoras em jardins da infância e vendedoras. Em segundo lugar, as mulheres continuam assumindo mais responsabilidades na família do que os homens. “Elas param de trabalhar por mais tempo e com mais frequência do que os homens quando uma criança nasce. E, ainda mais importante, retornam mais tarde ao trabalho e geralmente a empregos de meio período”, ressalta o especialista.

Nos países escandinavos, onde o Estado oferece mais vagas em creches e muitas mães voltam ao trabalho pouco tempo depois do parto, a distribuição de renda é relativamente uniforme. Essa situação se reflete no baixo coeficiente de Gini dos países escandinavos.

Empregos “atípicos”

Outra explicação para a distância cada vez mais maior entre ricos e pobres é o mercado de trabalho em constante mudança. Cada vez mais pessoas trabalham em relações trabalhistas “atípicas”, que incluem empregos temporários, de meio turno e autônomos. Segundo o relatório, desde meados da década de 90, esses empregos são mais da metade dos novos postos de trabalho. Pessoas que trabalham dessa forma normalmente ganham menos do que os empregados em tempo integral e com contratos fixos.

Na Alemanha, de acordo com a OCDE, quase 40% dos trabalhadores se encontravam numa relação de trabalho “atípica” em 2013. Eles ganhavam pouco mais da metade do que ganhavam trabalhadores contratados em regime fixo. Essa proporção é mais ou menos a mesma em todos os países da OCDE, com exceção da Áustria.

A OCDE sugere vários caminhos para que os governos reduzam a desigualdade de renda. “Um instrumento poderoso”, segundo a organização, é um sistema fiscal mais escalonado, em que os mais ricos são mais tributados do que as pessoas de renda mais baixa. Outras propostas são estratégias políticas que facilitem o acesso das mulheres ao mercado de trabalho, proporcionando direitos iguais, assim como a ampliação da oferta de empregos seguros e melhor remunerados. (dw.de)

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