Cuanza Norte: Falta de espaços condiciona desenvolvimento da cultura

Cuanza Norte: Espetáculo musico-cultural (Foto: Diniz Simão)
Cuanza Norte: Espetáculo musico-cultural (Foto: Diniz Simão)
Cuanza Norte: Espetáculo musico-cultural (Foto: Diniz Simão)

Responsável da Acção Cultural da Direcção que tutela o sector no Cuanza Norte, Marco Gerónimo Pedro, reconheceu hoje, sexta-feira, em Ndalatando, que a falta de recintos apropriados estão a condicionar o desenvolvimento das actividades culturais e a ocupação dos fazedores de artes.

Falando à Angop a propósito do Dia Mundial de Desenvolvimento e Diversificação Cultural, assinalado nesta quinta-feira, 21 de Maio, o responsável afirmou que a inexistência de salas de espectáculos na região está a condicionar a promoção e a massificação de actividades culturais e recreativas, sobretudo, as ligadas as áreas do teatro, poesia, dança, entre outras.

Esclareceu que dadas a carência de tais espaços, os grupos culturais socorrem-se de recintos improvisados para sessões de ensaio, facto que limita a exibição dos seus trabalhos culturais apenas em festivas, com as insuficiências daí decorrentes por não poderem treinar.

Defendeu a criação ou revitalização dos recintos anteriormente usados para eventos culturais existentes em vários municípios como forma de encorajar os criadores de artes, que muitas vezes vêem-se frustrados por não poderem exibir ao público as suas criações artísticas.

O responsável disse que kizomba, mutobongo, kabokele e tchamba, estes três últimos do folclore da região, são os estilos de danças mais executados na província.

Além da inexistência de recintos, os grupos de dança locais debatem-se ainda com a falta de aparelhos de som, indumentaria, incentivos e de outros tipos de apoios para desenvolverem as suas actividades.

Marco Gerónimo Pedro disse que alguns estilos de danças tradicionais da região, como o kabokele, correm o risco de desaparecerem por falta de massificação, sobretudo entre os jovens, aliado ao desaparecimento físico dos principais impulsionadores destes estilos.

Solicitou, por isso,a intervenção urgente das autoridades, empresários e pessoas singulares a fim de evitar a perda dos traços característicos da cultura local, dado que os grupos culturais existentes na província sobrevivem por conta própria.

Aclarou que os apoios institucionais e materiais prestados pelo governo da província têm se revelado insuficiente para a sobrevivência dos grupos culturais.

Marco Gerónimo Pedro sublinhou queno Cuanza Norte conta actualmente com 10 salas de exibição, muitas das quais degradas, indicando o Cine Ndalatando, o Centro Cultural Alda Lara, a companhia de artes Viluzia, todos situados em Ndalatando (sede da província), bem como o Cine Ambaca e os centros culturais de Samba Cajú, Quiculungo, Bolongongo e Cambambe, como alguns dos poucos recintos com alguma capacidade para albergar espectáculos.

A instituição controla 100 artistas, entre músicos e actores, 20 grupos teatrais e igual número de grupos de dança tradicional e moderna.

O 21 de Maio, Dia Mundial do Desenvolvimento e Diversificação Cultural, foi instituído pela ONU em 2002, na sequência da aprovação, em 2001, da Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural, com o objectivo de cultivar a compreensão da riqueza e importância da diversidade cultural, assim como incentivar o respeito pelo outro. (portalangop.co.ao)

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