Crédito concedido pelo BFA “dispara” em 2014 e lucros atingem máximos

(D.R.)
(D.R.)
(D.R.)

Carteira de crédito da instituição liderada por Emídio Pinheiro avançou quase 60% no ano passado, marcado também por um forte aumento dos depósitos.

CEO destaca que lucro de 2014 foi “o mais elevado na história do banco” e alerta para os desafios com pagamentos e transferências que se farão sentir em 2015.

O crédito concedido pelo Banco de Fomento Angola (BFA) ‘disparou’ 59,3% em 2014, com a carteira a atingir quase 229,5 mil milhões Kz, face aos 144 mil milhões Kz que a instituição tinha no final de 2013.

Nesse ano, a instituição liderada por Emídio Pinheiro tinha visto a carteira de crédito subir ‘apenas’ 5,3% face ao ano anterior. O forte aumento do crédito verificado em 2014 inverte uma tendência ‘conservadora’ que o BFA tem vindo a mostrar nos últimos anos, mas é acompanhado por uma subida ‘histórica’ dos depósitos, que ‘dispararam’ 21,8% face a 2013.

Segundo o Relatório e Contas da instituição, divulgado na sua página na Internet, a 31 de Dezembro de 2014 o banco tinha depósitos de quase 929,4 mil milhões Kz. De 2012 para 2013, revela o documento, os depósitos tinham aumentado 14,2%, para cerca de 763 mil milhões Kz.

O documento não explica o motivo do aumento do crédito concedido em 2014, ano em que os activos conheceram um forte aumento de 23,6%, para pouco mais de 1 bilião Kz. Contas feitas, no final do ano, o banco, uma parceria entre o português BPI (50,1%) e a operadora angolana de telecomunicações Unitel (49,9%), atingiu um rácio de transformação de 24,7%, 5,8 pontos percentuais acima do verificado em 2013.

No ano passado, o produto bancário aumentou 26,1%, para cerca de 53,9 mil milhões Kz, um desempenho igualmente melhor do que o registado em 2013, quando este indicador tinha crescido 14,2%. Também a margem financeira teve um avanço robusto, de 25,4%, para cerca de 30,7 mil milhões Kz, indica o documento.

O forte aumento do crédito e dos depósitos permitiu ao banco uma redução do rácio crédito a clientes vencido/total de crédito a clientes em 1,3 pontos percentuais, para 3,3%. A cobertura do crédito vencido por provisões de crédito sofreu igualmente uma redução, de 7,9 pontos percentuais, para 136%, e a cobertura do crédito por provisões de crédito baixou 2 pontos percentuais, para 4,5%.

Ultrapassada a ‘barreira’ de 1,3 milhões de clientes Entretanto, a 31 de Dezembro de 2014, o banco já tinha ultrapassado a ‘barreira psicológica’ de 1,3 milhões de clientes (1.300.762), e o número de balcões, centros de empresas, centros de investimento e postos de atendimento ascendia a 186, face aos 175 no final de 2013 e 167 em 2012.

O crescimento da rede ‘forçou’ um aumento do número de colaboradores, para 2.526 (mais 4% face a 2013), e uma subida dos custos de estrutura em 15% (incluindo, além dos custos com pessoal, fornecimento e serviços de terceiros, outros custos de exploração, depreciações e amortizações), para perto de 19,6 mil milhões Kz.

Lucro com maior subida de sempre Emídio Pinheiro destaca, no documento, que os resultados do banco foram obtidos “num contexto de forte concorrência” e num cenário “fortemente influenciado pela descida das taxas de juro em Angola e nos mercados internacionais”.

“O ano foi marcado pelo forte crescimento da margem financeira e dos resultados de operações cambiais. Estes factores, conjugados com uma rigorosa gestão de custos, traduziram-se num aumento do resultado líquido de 33%”, para cerca de 31,8 mil milhões Kz, diz o CEO, sublinhando que este foi “o mais elevado na história do banco”.

Sobre 2015, o gestor alerta que “a descida muito acentuada e rápida do preço do petróleo que se verificou na parte final de 2014 terá um impacto muito profundo na economia angolana e na actividade de todos os agentes económicos, quer quanto ao volume dos seus negócios e condições de cobrança, quer quanto ao acesso a divisas para suportar as responsabilidades com o estrangeiro”. (expansao.ao)

Por: Ricardo David Lopes

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA